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Livros SuperImportantes

Paraíso quase perdido

O Pantanal – Mar dos Xaraiés, Antônio de Pádua Bertelli, Edições Siciliano, São Paulo, 1988

Maria Inês Zanchetta

 

Na década de 50, o então estudante de Medicina Antônio de Pádua Bertelli esteve no Pantanal pela primeira vez para estudar a malária. Anos depois, em 1970, foi obrigado a permanecer ali por vários dias devido a um pouso forçado do avião em que viajava. Pode-se dizer que aí começou um longo caso de amor. A curiosidade em desvendar um mundo praticamente intocado, cravado no Centro-Oeste do Brasil, levou-o a pesquisar o Pantanal mais a fundo – sempre que suas atividades de cirurgião permitiam. O autor faz um detalhado retrato da história do Pantanal desde sua ocupação por várias nações indígenas até a chegada dos brancos e das missões jesuítas e municia o leitor com informações sobre a fauna que ali vive e está ameaçada de extinção. Alerta também para os rios – repletos de peixes como o apreciado dourado -, que estão se transformando em depósitos de lixo, Bertelli alimenta uma esperança que resume logo na introdução “Se pudermos, com cada livro, ganhar um novo adepto, estaremos recompensados por tudo”.

Civilizados, sim senhor

Incas e astecas, Jorge Luiz Ferreira, Editora Ática, São Paulo, 1988

Antonio Augusto da Costa Faria

 

O quase completo desconhecimento da história da América pela grande maioria das pessoas faz com que elas não concebam a existência de vida civilizada neste continente antes da chegada do europeu. No entanto, como observou o escritor uruguaio Eduardo Galeano, “havia de tudo entre os indígenas da América: astrônomos e canibais, engenheiros e selvagens da Idade da Pedra”.
Neste livro, Jorge Ferreira, professor de História da América, da Universidade Federal Fluminense, apresenta uma visão objetiva e equilibrada das sociedades inca e asteca. Analisa seu surgimento histórico, a organização social e política, suas concepções de mundo e da vida após a morte e a situação dessas culturas no momento da conquista européia, quando foram completamente aniquiladas. Acertadamente, afasta-se tanto daqueles que “exaltam a obra civilizatória do europeu, interpretando o período anterior a Colombo como a pré-história da América” quanto também dos que “exaltam a organização coletivista e igualitária destas sociedades, além de negarem qualquer tipo de exploração social”.


Um pouco mais de futuro


2061- Uma odisséia no espaço- III
. Arthur Clarke, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1988

Anthony de Christo

 

O celebrado autor de 2001 – certamente o mais popular ficcionista científico depois de Júlio Verne – não deveria ter voltado à série das odisséias espaciais (depois de 2010), até começarem a chegar os primeiros resultados da Missão Galileu, americana, no final do ano passado, Galileu deveria ter lançado uma sonda na atmosfera de Júpiter e passar quase dois anos visitando todos os seus satélites principais. Mas a tragédia da Challenger atrasou a missão e o incansável Arthur Clarke resolveu usar os dados de que dispunha para lançar de novo, no espaço, o cosmonauta Heywood Floyd (agora com 103 anos), às voltas com monólitos, computadores espertos e – a novidade – com o poder de uma raça alienígena que decidiu que a humanidade terá forçosamente de desempenhar um papel na evolução da Galáxia. Nesse livro, mais do que ficção, o autor se arrisca a fazer novas previsões sobre Júpiter, tentando antecipar revelações que a ciência da década de 80 ainda discute em nível teórico.

 

Guia para ver o céu

Anuário de Astronomia 1989, Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, Editora Francisco Alves, Rio de Janeiro, 1989

Almyr Gajardoni

 

Há nove anos o astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, diretor do Museu de Astronomia do Observatório Nacional, nos oferece o seu Anuário de Astronomia – uma publicação única no gênero, no Brasil, destinada a leigos e especialistas. Ele reúne o que de importante acontecerá em 1989, no campo da Astronomia e em todas as áreas a ela ligadas. Calendário, festas móveis de diferentes religiões, eclipses, cometas chuvas de meteoros e muito, muito mais. Colaborador de jornais e revistas – mantém aqui em SUPERINTERESSANTE a seção Telescópio -, autor de algumas dezenas de livros, Mourão é um infatigável divulgador da ciência. O Anuário é, sem dúvida, um dos melhores frutos dessa sua obstin