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Música eletrônica: Essencial

Chemical Brothers – Singles 93 – 03 (EMI) Nacional

Com uma homenagem a uma sirene, saía há dez anos o single que ajudaria a colocar definitivamente a música eletrônica no cenário pop. Tom Rowlands e Ed Simons, ainda sob o nome Dust Brothers, lançavam “Song to the Siren”, que abre esta coletânea em sua versão original, mais longa que a do álbum de estréia, “Exit Planet Dust”, de 1994. São dois CDs (ou uma bela caixa de quatro vinis). No primeiro disco estão os lados A. A prioridade são músicas com vocal, como “Setting Sun” e “Let Forever Be”, ambas com Noel Gallagher, do Oasis, “Out of Control”, com Bernard Sumner, do New Order, e Bobby Gillespie, do Primal Scream, e “The Test”, com Richard Ashcroft, ex-Verve. Há ainda “The Golden Path”, single do novo álbum com os americanos Steven Drozd e Wayne Coyne, ambos do Flaming Lips (a única banda americana de rock dos anos 80 que envelhece com dignidade). A letra, engraçadíssima, fala de alguém que acaba de morrer e quer descobrir como. No segundo disco, de lados B, poucas novidades para quem é fã e coleciona os singles da banda. Há apenas duas músicas nunca lançadas, “The Duke” e “Otter Rock”. Acrescentam pouco à obra singular da dupla, mas não é problema: o disco tem música boa sobrando.

Leandro Fortino

Underworld – 1992 – 2002 (JBO) Importado

Talvez as bandas de eletrônica que explodiram nos anos 90 tenham servido só para firmar novos produtores em um cenário viciado e sem sentido e para criar retrospectivas cheias de ótimas músicas. Mesmo o formato de suas faixas soando meio óbvio (uma fórmula?) depois do terceiro ou quarto disco, o trio formado Smith, Emerson e Hyde transformou a sala de estar em um viveiro de beats sofisticados e grooves permissivos. Hits gigantescos como “Rez”, “Born Slippy” e faixas específicas do ótimo Beaucoup Fish (como a cafajeste “Jumbo”) dão a esse disco duplo (ou vinil quádruplo, em edição caprichada) um ar de nostalgia. Apesar disso, o Underworld ainda mantém a pose e a firmeza de seus dias de glória.

Alexandre Matias

Primal Scream – Dirty Hits (Sony) Importado

A principal banda inglesa dos anos 90 ou os maiores picaretas da última década? Talvez o Primal Scream seja as duas coisas – e essa é sua principal qualidade. Liderados pelo pilantra-mor Bobby Gillespie, se os caras não tocam como gostariam, pelo menos não se acanham em convidar quem sabe. A lista de co-picaretas é um hall da fama alternativo, do Orb à modelo Kate Moss, com Kevin Shields (My Bloody Valentine), Chemical Brothers e Bernard Sumner (New Order) no meio. O crime compensa: essa turma produziu hits sujos que vão do purismo rock·n·roll (“Rocks”, “Accelerator”, “Jailbird”) ao delírio dance (“Loaded”, “Don·t Fight It, Feel It”). Disco de festa – e ainda rola uma versão com um CDzinho de brinde, com remixes.

Alexandre Matias

Orbital – Work 1989-2002 (rhino) Importado

Em seis discos e 13 anos, os irmãos Phil e Paul Hartnoll deixaram uma obra essencial para quem se dispuser um dia a entender o que significou ouvir música eletrônica. OK, o disco é de 2002, mas o tema é olhar para trás (confira as outras resenhas desta página). A abertura, “Chime”, soa meio tosca – e é mesmo. Eu não estava lá, é bem provável que você também não estivesse, mas “Chime” foi o primeiro hit das primeiras raves. Então, só nos resta apertar play, fechar os olhos e imaginar a lama primordial. Tem muito mais. O proto-chill out “Belfast”, lindo e longo em seus 8 minutos, o clássico “Halcyon (+On +On)” e “Are We Here?” Para ouvir, lembrar e guardar naquele canto especial da estante.

Sérgio Teixeira Jr.

Pete Tong – Essential Selection (Trust The DJ) Importado

Tem gente que acha o Pete Tong um DJ comercial demais, chegado a farofas radiofônicas. Pois este “Essential Selection” é um belo cala-boca. Se no passado ele já foi fã da camada mais mequetrefe da música eletrônica, acabou de virar a casaca. Neste CD, ele compila faixas de house e deep house de qualidade. Em meio a um monte de artistas pouco conhecidos – Pete Tong é também uma espécie de “lançador” de músicas – os pontos altos ficam por conta de famosos, como o Peace Division e o Rework.

Claudia Assef

Mixado por Ricardo Villalobos – Taka Taka (Cocoon) Importado

Demorou, mas finalmente saiu um disco mixado por um dos grandes do tecno da atualidade, o chileno Ricardo Villalobos. Nada de bombação. Um pouquinho de microhouse aqui (como em “V”, de seu projeto Dimbiman), um tech-house ali (“That Track by Kat”, de Kat Williams), um tecno acadêmico para completar (“Stiff Neck”, de Errorsmith). Taka Taka é um disco para ouvir em casa, só imaginando como seria bom ter um Villalobos tocando sábado à noite no seu clube favorito.

Sérgio Teixeira Jr.

Vários – !K7150 (Studio !K7) Importado

Quatro vinis, ou um CD duplo ou, ainda um CD duplo mais um DVD bônus: edições luxuosas para celebrar os 150 lançamentos do Studio !K7, o selo alemão que deu ao mundo a mais sólida linha de compilações de mixagens de DJs, a série DJ Kicks. E não é só. O Studio !K7 lança material original de gente como Herbert, Funkstörung, DJ Hell, Tiga… A lista é um enorme quem-é-quem da boa música eletrônica. A coletânea tem um pouco de tudo. Um pé no passado e o outro apontando o futuro. Sempre.

Sérgio Teixeira Jr.

Vários – Meet Me At The Go-Go (Discothèque) Importado

Num mundo de alta rotatividade da música, o tempo é cruel. Se você pegar as revistas inglesas mais hype de 1984 e 85 (“The Face” “I-D”) vai vê-las se derramando sobre um estilo chamado go-go. Era funkão bruto, tocado por bandas de dez pessoas, mas que já incorporava elementos de electro e hip hop. Sua base era Washington e seu maior hit era “We Need Some Money”, do Chuck Brown & the Soul Searchers (tocou muito no rádio por aqui). E quem em 2003 se lembra do go-go? No mínimo o pessoal que compilou este divertido disco. Tem Chuck Brown, Trouble Funk e TTED, entre outros. Para quem gosta de grooves fortes, orgânicos e despretensiosos e se interessa em saber das reentrâncias esquecidas do imenso planeta pista de dança.

Camilo Rocha

Vários – Hi-Fidelity Dub Sessions 5 (Guidance Recordings) Importado

Uma das séries mais bacanas já lançadas retorna em seu quinto volume. A capa não deixa espaço para dúvidas (se ainda houvesse alguma, com esse nome): é um disco de dub. A coletânea segue a receita de sucesso das outras quatro edições. Junta algumas das cabeças que comandam o downtempo atualmente, modernizando o ritmo jamaicano com pitadas de dancehall, drum’n’bass e trip hop. As músicas amassam o ouvinte com graves acachapantes, ecos hipnóticos, reverbs e delays. Destaque para “Richest Man in Babylon”, do Thievery Corporation. Como manda a tradição das versões, a faixa aparece remixada pelo G-Corp. Tem ainda Stereotyp e Butch Cassidy Sound System. Para deitar, fechar os olhos e embarcar na viagem. Com ou sem o auxílio.

Bruno Natal Ribeiro

Mixado por Marcus Intalex – Soul:ution Vol. 1 (Soul:r) Importado

Dizem que a maior habilidade de um grande maestro é tirar o máximo de seus músicos, mesmo aquilo que nem os próprios sabiam que eram capazes. Marcus Intalex com certeza se encaixa nessa categoria. Na falta de uma batuta, o instrumento de controle do DJ que leva a sério sua profissão é o selo, algo que nas mãos de alguém como Intalex resulta em algo precioso e único como o seu Soul:r. São muitos os destaques, como o inspiradíssimo remix de Calibre para “Put That Woman First” de Jaheim e a colaboração de nossos heróis locais Marky & XRS com Intalex, em “Back 2 Luv”. Se vir esta compilação à venda, não pense duas vezes: leve na hora.

Raul Cornejo