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Música eletrônica: Seleção de preciosidades

Por Da Redação - Atualizado em 31 out 2016, 18h52 - Publicado em 30 nov 2003, 22h00

Erykah Badu – Worldwide Underground (Motown) Importado

O trem de Erykah Badu descarrilou. A voz agridoce sempre veio firme, no trilho, segura sobre a cozinha soul-jazz em seus dois outros discos de estúdio, “Baduizm” (1997) e “Mama·s Gun” (2000). Mas, neste terceiro, na realidade um EP, algo saiu do lugar. Os vocais seguem lindos e suaves, como sempre, mas as músicas não sabem aonde querem chegar. “I Want You” tem 11 longos minutos. Parece uma jam de músicos sem inspiração. As outras músicas são o que em inglês se chama “filler” ou, em bom português, encheção de lingüiça. Não há nada que pelo menos lembre as brilhantes “Apple Tree” ou “Bag Lady”. Uma pena. Aos fãs, só resta esperar que, entre mortos e feridos, algo escape ileso – para, quem sabe, embarcar no próximo trem.

Sérgio Teixeira Jr.

Madlib – Shades of Blue – (Blue Note Records) – Importado

Dizem que Madlib só sai do quarto para ir ao banheiro (e às vezes leva o sampler junto). Para fazer este disco, ele teve de ir um pouco mais longe: os arquivos da histórica gravadora Blue Note. Madlib encheu as mãos de pó, pescou preciosidades e fez remixes sutis. Em alguns, o trabalho é tão discreto que parece que se ouve apenas o original. Mas preste atenção no ritmo: está tudo ali, polido e cristalino diante dos seus olhos. Para quem quer saber de onde vem a inspiração para alguns dos beats mais inspirados do hip hop underground americano.

Sérgio Teixeira Jr.

Tommy Guerrero – Soul Food Taquería (Sum Records) Nacional

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Ah, se todo skatista fosse como Tommy Guerrero… Haveria menos bandas meia-boca de punk e muito mais groove. Guerrero toca ou sampleia quase tudo nesse disco, uma pérola de grooves do novo milênio. Uma audição dermatológica do disco mostra camadas muito bem definidas. Um vermelhão gordo sustenta todas as 17 faixas – é o baixo. Imediatamente acima, um recheio de caixas, Rhodes e Hammonds sampleados. Na epiderme, tem um ou outro vocal sampleado, guitarrinhas à Santana e MCs convidados. Se tivesse de escolher uma predileta, ficaria com “Abierto” ou o momento cucaracha “Thank You MK”. Agora pare de coçar e vá comprar o disco.

Sérgio Teixeira Jr.

Mary J. Blige – Love & Life (Universal) Nacional

De novo, o disco começa com P Diddy, o ex-Puff Daddy, deixando um recado na secretária eletrônica da moça. E as semelhanças com os trabalhos anteriores de Blige param por aí. A voz continua linda, e o single “Love @ First Sight”, com o rap de Method Man, já é hit em pistas de hip hop e house (na versão remix, claro). Mas falta alguma coisa. Será que a rainha do hip hop soul perdeu a mão? O brilho dos álbuns passados, especialmente “My Life” e “What·s the 411?” ficou para trás. Nem as participações especiais – o mágico Dr. Dre, produtor que transforma qualquer batida em hit, e o rapper 50 Cent, campeão de todas as paradas – salva este “Love & Life”. Se quer uma introdução a uma das melhores cantoras de R·n·B da última década (e olhe que não são poucas), procure os discos antigos. Ali, sim, está a majestade.

Sérgio Teixeira Jr.

Trio Mocotó – Beleza! Beleza!! Beleza!!! (YB) Nacional

A gravadora belga Crammed se tornou uma das principais entusiastas da música brasileira. A boa notícia é que eles deixaram de lado aquele papo de cool beats e divas vocais para ir direto à fonte – garantiram o novo disco do Trio Mocotó. “Beleza! Beleza!! Beleza!!!” traz a nova encarnação dos pais do samba-rock – sai Fritz Escovão e entra Skowa (é, aquele do Skowa e a Máfia). A alteração é mínima, mesmo porque as duas principais características do grupo (a bateria de João Parahyba – o inventor da timba – e o carisma de Nereu Gargalo, que ainda conduz o pandeiro) continuam lá. Segura!

Alexandre Matias

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