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Nicole Kidman: E Tom, negou fogo?

A atriz Nicole Kidman tomou duas importantes decisões nos últimos anos. Primeira: casou-se com Tom Cruise e passou a ser notada em Hollywood. Segunda: se divorciou e saiu da sombra do marido. Agora, ninguém mais segura essa ruiva de 1,80 metro!

Lia Hama

Para algumas mulheres, o divórcio parece fazer um mal enorme. Não foi esse o caso de Nicole Kidman. Após a separação de Tom Cruise, no começo de 2001, a carreira da ruiva deslanchou. Ela acumulou um Oscar, dois Globos de Ouro e convites para protagonizar superproduções de causar inveja a qualquer estrela de Hollywood. Nos últimos tempos, sua figura era onipresente nas telas dos cinemas. Podia ser vista no papel da escritora Virginia Woolf em As Horas (2002), como a bela fugitiva Grace em Dogville (2003), como a semi-analfabeta Flavia em A Marca Humana (2003) e fazendo par romântico com Jude Law em Cold Mountain (2003). Antes, foi a cortesã Satine no musical Moulin Rouge (2001), outro sucesso de público e de crítica. Aos 37 anos, Nicole Kidman é considerada hoje uma das atrizes mais versáteis – e mais poderosas – da indústria cinematográfica.

Além de engatar de vez na carreira, a ex de Tom Cruise tem colecionado dezenas de elogios por sua elegância. O guarda-roupas foi o primeiro a sentir os efeitos da solteirice da moça. Com 1,80 metro, ela passou a usar saltos altos – coisa que evitava ao lado do ex-marido baixinho – e vestidos com fendas cada vez mais ousadas. Não demorou muito e um pool de sites na internet elegeu suas pernas as mais belas de Hollywood. “Ela tem um senso inato de estilo”, afirmou Andre Leon Talley, editor da Vogue americana, revista que a elegeu em 2002 a mulher mais bem-vestida do mundo. “Nicole trouxe de volta a Hollywood o bom gosto impecável dos tempos de Grace Kelly.” Nos festivais de cinema, a atriz passou a desfilar modelitos Yves Saint Laurent, Jean Paul Gautier e Carolina Herrera e, de quebra, fechou um contrato com a Chanel.

Nada mau para quem, por muito tempo, viveu praticamente à sombra de Tom Cruise. Apesar de belíssima, durante boa parte dos dez anos em que esteve casada, Nicole foi uma atriz meio apagada, cujo melhor papel foi o de mulher do superastro. Eles se conheceram durante as filmagens de Dias de Trovão, em 1990. Semanas antes de terminarem as gravações, Cruise anunciou o seu divórcio da também atriz Mimi Rogers e, em dezembro daquele ano, se casou com Nicole numa fazenda no Colorado. Os dois pareciam viver um idílio amoroso e passavam a imagem de um casal exemplar que, inclusive, optou por adotar filhos: Isabella Jane, de 11 anos, e Connor Antony, de 9. A harmonia era tanta que Nicole declarou que achava a monogamia “antinatural” – mas, por Cruise, havia renunciado a essa convicção. “Já passamos da crise dos sete anos e até agora não senti vontade de pular a cerca”, afirmou na época.

Após uma década, no entanto, o casamento foi desfeito. Nicole levou 240 milhões de dólares na separação e ficou com a mansão em que o casal morava, em Los Angeles. Discretos e pouco afeitos a falar sobre a vida pessoal, os dois não se alongaram em torno do assunto. A alegação para o divórcio foi o chavão da “dificuldade de conciliar a vida em comum com os compromissos profissionais”. Os tablóides e as revistas de fofoca não demoraram a espalhar suas versões sobre o fato e os motivos, incluindo uma suposta homossexualidade de Cruise. Nada, no entanto, ficou provado quanto à preferência do ator de Top Gun (1986) por homens. No final de 2002, ele ganhou um processo contra o astro de filmes pornôs Chad Slater, que havia dito a uma revista que tivera uma relação homossexual com Cruise, o que o teria levado a se separar da mulher.

Educação liberal

Antes de se mudar para os Estados Unidos, Nicole participou de diversos programas na TV australiana. Aos 18 anos, começou a atuar num seriado chamado Vietnam, em que fazia o papel de uma líder estudantil, e tornou-se uma musa teen no país. Foi nessa época que saiu da casa dos pais para morar com um homem com o dobro da sua idade. Criada numa família politizada e liberal, Nicole recebeu educação sexual na infância com um farto material ilustrativo fornecido pela mãe, Janelle, uma feminista convicta. Ainda criança, era levada pelo pai, Anthony, um militante de esquerda, para assistir a espetáculos de dança de vanguarda em que apareciam homens em nu frontal.

Ao contrário do que muitos imaginam, Nicole não é australiana. Na verdade, ela nasceu em Honolulu, no Havaí. Na época, seu pai, que é psicólogo, trabalhava num projeto de pesquisa na ilha. Logo depois de Nicole, nasceu sua irmã mais nova, Antonia, hoje uma personalidade da TV na Austrália. Do Havaí, os Kidman foram para Washington, onde moraram durante três anos, e só então voltaram para Sidney. A infância na cidade não foi das mais felizes para Nicole. Por causa de sua altura pouco comum, ela tinha o apelido de “garça” e era rejeitada pelos colegas nos bailes ginasiais. Com a pele extremamente branca, a garota não podia freqüentar as badaladas praias australianas nos finais de semana e, por isso, passou a se refugiar nas aulas de balé, de mímica e de interpretação.

Nicole começou a ficar mundialmente conhecida depois de estrear em Dias de Trovão (1990) e, em seguida, se tornar a senhora Cruise. Mesmo assim, foi recusada em testes para trabalhar em filmes como Ghost – Do Outro Lado da Vida (1990), Thelma & Louise (1991) e Silêncio dos Ino-centes (1991). Ela só conseguiu o papel em Um Sonho Sem Limite (1995), de Gus Van Sant, depois de Meg Ryan ter recusado o convite para trabalhar no filme. Durante três anos, o diretor Stanley Kubrick conviveu com Nicole e Cruise até que todos tivessem intimidade e se sentissem seguros para rodar De Olhos Bem Fechados, de 1999. O filme foi um dos pontos altos da carreira de Nicole e o último a ser rodado por Kubrick, que morreu logo depois. Para variar, os bastidores de filmagem foram motivo de especulações de tablóides americanos, que espalharam que as tórridas cenas de sexo do casal foram tiradas de manual. Na hora de filmar, Kubrick teria contratado um casal de terapeutas sexuais para esquentar a relação morna da dupla.

Mergulho no trabalho

O ano de 2001 foi provavelmente um dos mais difíceis da vida de Nicole. Primeiro, ela perdeu um bebê que esperava de Cruise, depois sua separação foi anunciada pelos quatro cantos do mundo. Mais tarde, a atriz teve de pedir proteção policial, temendo por sua segurança e a de seus dois filhos, por causa de um fã inconveniente que lhe enviava cartas e telefonava constantemente para sua casa. Para completar, veio a notícia de que seu ex estava namorando a atriz espanhola Penélope Cruz, com quem ele filmara Vanilla Sky (2001).

Foi nessa fase complicada que Nicole mergulhou no trabalho e interpre-tou a atormentada escritora inglesa Virginia Woolf, papel que lhe renderia um Oscar. Virginia era depressiva e se suicidou aos 59 anos. Segundo Nicole, era o momento certo para o papel. “Foi algo que veio numa época da minha vida em que eu estava dura o suficiente para interpretar o personagem.” Para viver na pele de Virginia, a atriz, que é canhota, aprendeu a escrever com a mão direita e colocou uma prótese nasal para imitar o nariz aquilino.

Apesar do sucesso profissional, a vida amorosa da atriz ainda não engatou. O último a abalar o seu coração foi o roqueiro Lenny Kravitz, com quem manteve um romance de oito meses. Mas, depois de vê-lo junto com a artista plástica brasileira Isis Arruda numa boate em Miami, Nicole pôs um ponto final na relação. Antes de Kravitz, circularam boatos de que ela estava namorando o ator neozelandês Russell Crowe. Ela, no entanto, negou na época qualquer relação amorosa com o astro de Gladiador (2000). Em Hollywood, comenta-se que Tom Cruise, recém-separado de Penélope Cruz, continua apaixonado por Ni-cole. “Sempre amei Nic e sempre vou amá-la”, disse ele em entrevista ao programa Today, do canal NBC, em novembro do ano passado.

Nicole afirma buscar uma relação amigável com o ex-marido. “É importante perdoar e saber honrar o que tivemos juntos”, disse recentemente. “Mas é mais fácil falar do que fazer”, admitiu. Romântica, Nicole afirma acreditar no amor e cita o casamento de 40 anos de seus pais como um exemplo. Todas as manhãs, conta, seu pai leva café da manhã na cama para sua mãe. “Bom homem, hein?”, diz. Questionada sobre qual é atualmente a sua maior ambição, ela afirmou, sem hesitar: “Eu adoraria ter um outro filho”. “Adotivo?”, perguntou o entrevistador. “Não, adoraria dar à luz uma criança”, respondeu. Candidatos a pai é que não faltam.

A boa samaritana

Fora das telas a atriz também vive papel de mocinha

Filha de mãe feminista e pai militante de esquerda, Nicole Kidman sempre foi uma garota engajada. Ela e sua irmã mais nova, Antonia, se acostumaram a discutir política na mesa de jantar e participavam das campanhas de seus pais, distribuindo folhetos pelas ruas. Quando sua mãe, Ja-nelle, descobriu que tinha câncer na mama, Nicole, na época com 17 anos, parou de trabalhar e fez um curso de massagem para fazer terapia corporal na mãe. O câncer, mais tarde, foi curado. Recentemente, a atriz participou ativamente de uma campanha contra abuso sexual de crianças. Ao se casar com Tom Cruise, os dois eram a imagem dos “bons samaritanos”. Em vez de terem filhos naturais, decidiram adotar Isabella Jane e Connor Antony. Em 1996, o casal resgatou cinco vítimas de um naufrágio quando passeava de iate próximo à ilha de Capri. No mesmo ano, Cruise ajudou a socorrer a brasileira Heloísa Vinhas, que fora atro-pelada por um carro em Los Angeles. Pagou a conta do hospital e mandou até um cartão, assinado por ele, Nicole e os filhos, es-timando melhoras.

Haja pipoca!

Dez filmes essenciais para conhecer Nicole Kidman

Dias de Trovão (1990), de Tony Scott

Nicole Kidman é a médica Claire Lewicki, por quem o piloto de corridas Cole Tricker (só podia ser ele, Tom Cruise) se apaixona

Um Sonho Distante (1992), de Ron Howard

Tom Cruise é um pobre irlandês que vai para a América com a filha (Nicole Kidman) de um proprietário de terras

Batman (1995), de Joel Schumacher

O herói de Gotham City (Val Kilmer) enfrenta Duas Caras e Charada com a ajuda de Robin e da Dra. Chase (Nicole)

Um Sonho Sem Limite (1995), de Gus Van Sant

Suzanne Stone (Nicole) usa todos os meios para realizar o sonho de se tornar uma apresentadora de TV

De Olhos Bem Fechados (1999), de Stanley Kubrick

O médico Bill Harford (Tom Cruise) e a curadora de arte Alice Harford (Nicole Kidman) vivem um casamento aparentemente perfeito – até ela confessar que já se sentira atraída por um outro homem

Moulin Rouge (2001), de Baz Luhrmann

O poeta Christian (Ewan McGregor) passa a freqüentar o Moulin Rouge, a casa de espetáculos mais famosa de Paris. Ali, se apaixona por Satine (Nicole)

Os Outros (2001), de Alejandro Almenábar

Grace (Nicole) mora num casarão isolado com seus filhos, que sofrem de uma rara doença. Ao contratar novos empregados, coisas estranhas começam a acontecer na casa

As Horas (2002), de Stephen Daldry

Em 1951, a dona de casa Laura Brown planeja uma festa para o marido, mas não consegue parar de ler o romance Mrs. Dalloway. Clarissa Vaughan, uma agente literária que vive nos dias de hoje, prepara uma festa para seu amigo Richard, que está morrendo de aids. As duas histórias se ligam à vida de Virginia Woolf (Nicole), autora de Mrs. Dalloway

Cold Mountain (2003), de Anthony Minghella

Finda a guerra civil americana, o soldado Inman Balis (Jude Law) começa o percurso de volta para casa, em Cold Mountain, onde sua namorada Ada (Nicole) o espera

Dogville (2003), de Lars Von Trier

Nos anos 30, a bela Grace (Nicole) chega à pequena cidade de Dogville, fugindo de gângsteres. A comunidade local a acolhe, mas Grace se torna uma escrava para todos os usos – inclusive sexuais

Palavreado

O que eles disseram

“Minha mãe vive me dizendo para eu fazer outra coisa. Ela acha que sou frágil demais para ser atriz. Concordo com ela.“

“Desde criança sonhava em ser atriz. Até meu primeiro beijo foi no palco.“

“Tom basicamente me tirou do sério. Eu me apaixonei enlouquecidamente, perdidamente.“

“Eu estava cansado ontem à noite. Peço perdão.“

(Tom Cruise para sua então mulher, Nicole Kidman, em conversa telefônica gravada em 1998)

“Tom, toda noite é a mesma coisa.“

(Nicole, não aceitando a desculpa do marido)

“A separação de Tom Cruise me deixou frágil. Mas adoraria me casar de novo.“

“Adoraria ter os peitos e a bunda da Jennifer Lopez, mas não vou fazer uma cirurgia.“

Saiba mais

Livro

Nicole Kidman,de Lucy Ellis e Bryony Sutherland, Aurum Press (em inglês)

A trajetória da atriz desde o começo da carreira até hoje. Traz informações pouco conhecidas, como o fato de ela ter disputado, sem sucesso, papéis em filmes como Ghost e Thelma & Louise.

Site

http://www.imdb.com/name/nm0000173/

Um dos mais completos sites sobre cinema, o Internet Movie Database traz a biografia, a filmografia, curiosidades e fotos da atriz.