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Os 9 livros de 2015 que você não pode deixar de ler

Tem um pouco de tudo, para agradar todos os gostos: de poemas a romances, de ciência a história, sem deixar de lado o jornalismo e as biografias (autorizadas ou não).

Em 2015, a literatura viveu momentos marcantes (e bastante turbulentos também). Chegaram às bancas os últimos poemas inéditos de Charles Bukowski, safados e embriagados como de costume; uma autobiografia do neurocientista Oliver Sacks, no ano de sua morte; além de uma tradução dos diários de viagem de Franz Kafka, em pleno centenário d’A Metamorfose. O polêmico romance frânces Summissão, que tocou nas feridas da França em relação ao Islã, foi lançado e estampado na capa do Charlie Hebdo em 7 de janeiro, dia em que a redação do jornal sofreu um ataque terrorista do Estado Islâmico, deixando 12 pessoas mortas. Sem falar no triste fim da editora Cosac Naify, que anunciou seu fechamento no início de dezembro. 

Selecionamos alguns dos títulos imperdíveis deste ano, para você se deliciar neste verão. Tem um pouco de tudo, para agradar todos os gostos: de poemas a romances, de ciência a história, sem deixar de lado o jornalismo e as biografias (autorizadas ou não). Boa leitura!
 

Romances
 

Submissão, Michel Houellebecq

Irônico, libertino, polêmico. Não faltam provocações nesta ficção política de Michel Houllebecq. O livro – sexto do autor – mostra uma França futura, regida por um presidente muçulmano, legitimamente eleito por uma frente mais libertária – e desencadeou comentários furiosos tanto entre franceses quanto entre muçulmanos. Uma crítica às elites, que se adaptam a qualquer situação, contanto que intocadas. A história é narrada por um professor universitário conturbado, convertido ao Islã. A obra chegou a ser comparada às distopias de Orwell (1984) e Huxley (Admirável Mundo Novo).

Mulheres de Cinzas, Mia Couto

O primeiro da trilogia As Areias do Imperador, que se dedica aos últimos momentos do Estado de Gaza, em Moçambique. Um romance histórico que se passa no final do século 19, num momento de guerra contra o imperador, promovida pela coroa portuguesa. Uma batalha entre o mundo tribal e o ocidental. O consagrado Mia Couto, mais uma vez, resgata o folclore e um importante momento da história de seu país. Neste primeiro volume, em meio ao sangue dos homens, o escritor retrata a mulher – que, para sair ilesa, precisa passar despercebida, como se fosse de cinzas.

Sangue no Olho, Lina Meruane 

Uma bela edição da Cosac Naify. Ao longo do livro, as páginas vão ficando cada vez mais escuras. Isso porque o romance conta a história de uma garota que fica com os olhos encharcados de sangue – e vai perdendo, aos poucos, a visão. A incapacidade se torna mediadora de uma relação amorosa e abre espaço para os dilemas famíliares e para a loucura. Primeiro livro no Brasil da chilena Lina Meruane, que tem doutorado na literatura das enfermidades e foi elogiada por escritores como Roberto Bolaño.  
 

Reportagem


A Casa da Vovó, Marcelo Godoy

O jornalista Marcelo Godoy investiu dez anos de pesquisas para contar os bastidores do DOI-CODI, órgão repressor do Exército que atuava durante a ditadura militar. Com entrevistas com agentes que atuaram ativamente na época, o jornalista traça uma biografia da máquina de tortura do Estado. O livro foi vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Reportagem e da Biblioteca Nacional na categoria Ensaio Social. Grande contribuição do jornalismo para a história brasileira.


Biografia


Sempre em Movimento – uma Vida, Oliver Sacks

Em agosto deste ano, morreu o poeta da medicina moderna, o neurocientista Oliver Sacks, aos 82 anos. Autor de best-sellers como “Tempo de Despertar” e “O Homem que Confundiu sua Mulher com um Chapéu”, escrevia sobre os mistérios do cérebro humano em linguagem acessível. Em fevereiro deste ano, ele havia publicado um texto emocionante sobre a descoberta de seu câncer terminal, no The New York Times. Pouco depois, foi publicada esta autobiografia, encerrando sua longa lista de obras, no ano de sua morte.  

 

Poemas


As Pessoas Parecem Flores Finalmente, de Charles Bukowski

O quinto e último livro de poemas póstumos do alemão Charles Bukowski chegou este ano ao Brasil. O título foi dividido em quatro partes: histórias da sua vida antes de se tornar escritor, mulheres, loucuras e anedotas cotidianas e uma última mais instrospectiva. Começa nostálgico e termina reflexivo. Versos curtos, rápidos e libertinos, como sempre, que permeiam os também habituais ambientes, indo das corridas de cavalo ao whisky, do sexo à solidão. Também não faltam as críticas aos eruditos e pretensiosos escritores.
 

Poemas: Pier Paolo Pasolini, Alfonso Berardinelli e Maurício Santana Dias (org.)

O escritor, crítico, cineasta e poeta italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975) é quase desconhecio no Brasil – nada seu jamais havia sido traduzido em português. Cresceu numa Itália fascista, sendo homossexual, cristão e comunista. Na época, foi acusado por Italo Calvino de ser ingênuo e saudoso de um mundo pré-burguês, o que rebateu em sua famosa “Carta aberta a Italo Calvino”. Esta obra da Cosac Naify reúne seus sensíveis poemas, muito próximos da prosa, numa edição bilíngue. 

Ciência | História


KL: A História dos Campos de Concentração Nazis, Nikolaus Wachsmann

KL é Konzentrationslager, que significa campos de concentração, em alemão. Nesta obra, que deve se tornar referência para as próximas gerações, o historiador Nikolaus Wachsmann percorre, com detalhes, profundidade e contexto, a história dos campos nazistas, desde a sua concepção. Apesar de o período ser um dos mais estudados, faltava um texto que apresentasse como funcionava esse sistema – que ainda conta com o apelo das experiências cotidianas dos que por ele passaram. Essencial.

Life on the Edge: The Coming of Age of Quantum Biology, Jim Al-Khalili e Jonhjoe McFadden

Neste livro, o físico Jim Al-Khalili e o biólogo Jonhjoe MacFadden, se aventuram numa área em que pouquíssimos ousaram se arriscar: a biologia quântica, que entrelaça as ciências naturais com a física. Com ela, é possível explicar, por exemplo, porque algumas aves voam para outras regiões em determinadas épocas do ano – nem Einstein ousou palpitar sobre isso. Os autores defenfem que essa “força” que ajuda os pássaros a viajar é um efeito quântico e que ele pode explicar a origem da vida. Exploram, nesta obra, quase um Big Bang da natureza, com riqueza de analogias e coloquialidades.