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Planos da Estrela da Morte poderiam ter sido protegidos por um bom arquivista

A sorte dos heróis de Rogue One é que o Império não parece dar muita atenção à segurança de seus arquivos digitais

Caso você tenha por aí, em uma pasta qualquer do seu computador, arquivos que vão determinar o futuro da galáxia, fica a dica: não siga o exemplo dado pelo Império em Rogue One. Essa é a recomendação da Preservica, empresa especializada em tecnologia de preservação digital, consultoria e pesquisa. Os especialistas lançaram um olhar bem humorado sobre o método de arquivamento digital usado pela organização fascista no novo capítulo da saga Star Wars. O veredito? Ele é bem pouco prático, para a sorte da Aliança Rebelde.

Apesar de o firewall ter sido batido por métodos bastante extremos (e a questão da velocidade de download ser um problema real), a verdade é que, caso Darth Vader e companhia tivessem investido um pouco mais em uma metodologia mais eficiente de gestão e preservação de seus arquivos – ou, quem sabe, contratado um bom profissional de ciências da informação –, o destino dos nossos heróis intergalácticos poderia ser bem diferente.

Com uma lista bem humorada do que não fazer quando o assunto é arquivamento digital (principalmente quando você é uma organização do mal em um universo com tecnologia avançada), os especialistas da Preservica destacam a importância da preservação e segurança de bibliotecas virtuais e o trabalho complexo feito nos bastidores por quem entende bem do assunto.

Abaixo a gente lista algumas das falhas identificadas pela equipe de especialistas:

– O Império deu uma baita mancada ao não replicar dados críticos para um local remoto (de preferência para uma galáxia muito, distante).

– Nenhuma segurança administrativa refinada à vista – uma vez dentro do sistema, era possível acessar tudo.

– Falta de criptografia – as informações podiam ser removidas e lidas em outro dispositivo (e, de quebra, Império do Mal e Aliança Rebelde usavam o mesmo software).

– Ausência de metadados que comprovassem a proveniência dos planos – como ter certeza que as forças rebeldes tinham em mãos os planos reais da Estrela da Morte? Pã.

– É óbvio, mas passou batido para as forças do mal: nunca é boa ideia colocar informações completas em um dispositivo removível permitindo que seja extraído de uma forma não recuperável.

– Informações críticas devem ser mantidas em algum lugar anônimo – o que significa que usar uma torre como um arquivo o torna um alvo fácil.

Por mais que a gente comemore as falhas do Lado Sombrio da Força, a análise ressalta que não é só por lá que problemas semelhantes são vistos na saga. “Em Star Wars: Episódio II – Ataque dos Clones, somos apresentados aos Arquivos Jedi. Presumivelmente, essa ordem antiga e estimada é referência das melhores práticas arquivísticas nesta galáxia – em uma cena dizem inclusive que ‘se não está nos arquivos, não existe’, o que certamente mostra um alto nível de confiança em seus processos. Logo depois, descobrimos que as informações sobre um sistema planetário inteiro foram excluídas e que não há vestígios dessa atividade. A fraca auditoria e os controles de segurança frouxos permitiram a criação do exército de clones sem que soasse nenhum alarme!”, afirmam. Trata-se de uma galáxia muito, muito relapsa com segurança digital.

Comentários

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  1. Charlley Luz

    bibliotecários cuida bem de registros. eu diria que um bom ARQUIVISTA seria capaz de ter preservado os documentos originais e autênticos da estrela da morte.
    Mas, neste caso, não teríamos o episódio 4, 5 e 5 🙂

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  2. Mariana de Oliveira

    Triste uma revista como a SuperInteressante não pesquisar que custódia e preservação de documentos digitais ou físicos são atribuições da profissão de Arquivistas e não de bibliotecários.
    Achei a matéria interessante, pq amo Star Wars… porém a Revista deu uma bola fora.

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  3. Humberto Innarelli

    Na verdade os Rebeldes preservaram os planos da Estrela da Morte, pois na mão do Império eles nunca seriam acessados pela sociedade. De que vale um patrimônio arquivístico inacessível?
    E outra, os Rebeldes do Star Wars conseguem qualquer coisa, não dá para dizer que houve falha de segurança…. Kkkkkk

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  4. Fabiano Caruso

    Um bibliotecário jamais trabalharia para a Estrela da Morte, devido ao seu código de ética liberal e humanista. O foco dos bibliotecários na modernidade é sobre a garantia de acesso a produção intelectual humana (livros, artigos, periódicos, e afins). Tanto que as disciplinas clássicas da biblioteconomia (classificação, catalogação e indexação) foram criadas para democratização do acesso aos acervos bibliográficos e documentais (não arquivísticos). A biblioteconomia moderna surgiu justamente para combater a mentalidade da idade média orientada para a preservação.

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  5. Acho que tem alguma confusão aqui. O arquivo digital ter sido roubado não significa que o Império não tenha mais os planos. Apenas que a Aliança Rebelde também os têm. Um roubo digital é apenas uma cópia de arquivo que foi transferido para outra computador. Outra coisa: o fato de tanto o Império quanto a Aliança compartilharem o mesmo sistema de computadores é natural, já que a Aliança Rebelde é uma dissidência do império.

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