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Por que é mau negócio “comprar gato por lebre”?

Emiliano Urbim

Se considerarmos que um filhote de gato persa com pedigree custa até R$ 2 mil, enquanto a venda de uma lebre reprodutora, regulada pelo Ibama, não rende um décimo disso, pode-se dizer que o ditado está errado. Mas ele surgiu na Espanha medieval, onde a carne era escassa e a malandragem abundante.

O registro mais antigo do sentido clássico, ser ludibriado em uma transação, é de um livro de 1611, Tesoro de la Lengua, do espanhol Sebastián de Covarrubias. Relatos dessa época mostram que pedir uma carne e ser servido com um prato pior era uma preocupação constante dos viajantes. (Aliás, gato e lebre, servidos decepados, são bem parecidos.)

Joaquin Bastús, folclorista catalão do século 19, registrou um ritual típico. Na hora que carne chegava, os clientes ficavam de pé e um deles dizia ao prato: “Se fores cabrito, mantenha-se frito; se fores gato, salta do prato”. A piada incluía até um afastar-se da mesa para que o suposto gato obedecesse a ordem.

No resto da Europa, a expressão usada é “comprar porco no saco” ou “gato no saco”, referentes à aparência e à realidade do truque de vender carne inferior em um embrulho fechado.