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Seinfeld animado

Comediante mais bem-sucedido da história volta do exílio em sua mansão com o desenho Bee Movie. E, de quebra, bate um papo com a gente

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h53 - Publicado em 30 nov 2007, 22h00

Texto Alexandre Versignassi

Lembra do Poderoso Benson? Era o seriado mais mala da Sessão Comédia, que passava na Globo há 20 anos. Um terror. Foi lá que Jerry Seinfeld estreou, aos 26 anos. Era 1980. E o sujeito que faria com as sitcoms o que Einstein fez para a física e Pelé para o futebol já era bem veterano. Aos 8 anos ele passava o dia em frente à TV imitando comediantes. Aos 22 se formou em teatro e começou uma carreira de piadista profissional em clubes de Nova York. A fama foi crescendo, e ele ganhou o tal papel em Benson. Seria a arrancada para uma carreira meteórica? Que nada. Canastrão que só ele, Jerry acabou demitido após dois episódios. Só. E jurou: “Nunca mais participo de uma sitcom, a não ser que eu esteja no controle”. Dez anos depois ele estava no controle. Estreava o episódio piloto de Seinfeld. E, para variar, quase ninguém botou fé. A NBC, emissora do seriado, achava aquilo “intelectual demais”. E o jornalão Washington Post escreveu: “Não é uma série que podemos chamar de inspirada”. Mas era: sempre tratando de temas simples, mas com histórias complexas, que se entralaçam num ritmo estroboscópico, Seinfeld mostrou que era tudo, menos uma “série sobre o nada” (que é como o próprio Jerry gostava de defini-la). Tanto que em 2002 ela seria eleita o melhor programa de televisão da história pela revista americana TV Guide. Com o fim da série, em 1998, Jerry estava tranqüilo com seu bilhão de dólares e uma bela coleção de carros. Mas agora ele volta com força, aos 53 anos, no desenho animado Bee Movie (um trocadilho com “filme das abelhas” e “filme B”). Jerry é um dos roteiristas e empresta a voz e a personalidade para o protagonista, Barry B. Benson, uma abelha que não quer seguir a única carreira possível para as abelhas: produzir mel. “Brinco com a essência desses insetos, que sempre fazem o que esperam deles, sem questionar’’, disse à Super. A seguir, o papo que a gente bateu com o poderoso Jerry no Hotel Ritz, de NY, enquanto ele comia chocolates.

“Sinto falta do passado. De ontem mesmo, quando comi um excelente sanduíche de atum”

Por Elaine guerini, de Nova York

O que há de Seinfeld em Bee Movie?

Se você sentasse para ver o filme e não soubesse quem estava por trás, perceberia logo de cara que sou eu. O meu humor está em tudo.

E como você define esse seu humor?

Bom, preciso ver o que os outros não vêem.

E por que resolveu fazer uma animação?

É um desafio. Tanto do ponto de vista tecnológico quanto do narrativo. Tenho mais facilidade para escrever episódios de sitcom, já que eles representam uma coleção de piadas – e não necessariamente uma história. Contar uma história é mais difícil, além de não garantir aquela risada da platéia no final.

O filme mudou a sua percepção sobre os insetos?

Sim. Agora não os mato mais. Quando eles entram na minha caso, deixo que eles encontrem a saída.

O que tem em comum com uma abelha?

Trabalho duro e gosto de doces. E também vivo num ambiente caótico e confuso…

E a série, Jerry? Você sente falta daquela época?

Sim. Mas poderia dizer isso de quase tudo na minha vida. Felizmente nós todos somos capazes de olhar para trás e só sentir falta das coisas boas do passado. Agora mesmo já estou com saudade de ontem, quando comi um excelente sanduíche de atum.

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O êxito de Seinfeld ainda impressiona você? Seu nome está nos guias de TVs do mundo todo, por causa das reprises…

Se parar para pensar, fico perplexo. No fundo, me sinto honrado por ter conseguido divertir o telespectador. Esse sempre foi o meu dom favorito: colocar um sorriso na boca de alguém. A recompensa está em dar, e não em receber. Não gosto de pensar que sou o maior comediante só porque fiz o programa. Prefiro me considerar um cara sortudo por ter tido a chance de fazer Seinfeld.

Qual foi o legado da série?

Só posso dizer que ela fez muito por nós. Principalmente do ponto de vista financeiro.

Mas como ela influenciou a comédia?

Ligeiramente Grávidos, lançado neste ano, foi o primeiro filme em que percebi a influência da série. Eles pegaram o que nós fazíamos e foram além. O humor é autêntico, está em sintonia com a cultura americana e mostra o que realmente acontece. Seinfeld levou o nosso jeito de falar à TV. Gravávamos as cenas como se estivéssemos com amigos na rua.

E na vida real? O que você acha quando tentam fazer piada só porque estão na sua frente?

Não entendo por quê. Poucas pessoas conseguem me fazer rir. Exceto os meus amigos comediantes Bill Cosby e Chris Rock. Mas aparece sempre um engraçadinho achando que vai me fazer cair na gargalhada. Só que quase nunca funciona.

Você é bastante cínico, não?

Sim, não posso negar. É daí que vem o meu humor. Mas isso não me impede de aproveitar cada momento. Não dá para acreditar no tipo de felicidade que os comerciais de refrigerante tentam nos vender. Você compra a lata, não fica tão animado e cai em depressão. O segredo está nas coisas simples.

Mas uma coleção de carros como a sua ajuda…

Você me pegou [risos]. Sou louco pela minha coleção. Tenho muito mais carros do que preciso. Só de corrida, são 5, além de outros, antigos, que eu restauro. O que mais me agrada neles, porém, não é o aspecto material. E sim a liberdade que eles proporcionam. Adoro entrar num carro e sair por aí, sem destino.

Qual o lado ruim em ser Jerry Seinfeld?

Ainda não vi esse lado.

Bee movie – A história de uma abelha

Dia 7 de dezembro nos cinemas.

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