2001 – Uma Odisseia no Espaço
Por que está aqui: “Se alguém entender de primeira, é sinal de que falhamos” Arthur C. Clarke

2001: A Space Odyssey | Direção: Stanley Kubrick | Roteiro: Arthur C. Clarke e Stanley Kubrick
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Na época em que 2001 foi realizado, o diretor Stanley Kubrick cogitou fazer uma apólice de seguro. O risco coberto seria o de eventuais prejuízos caso fosse descoberta alguma forma de inteligência alienígena antes da estreia do seu filme. Tinha medo de que tal revelação deixasse a história ultrapassada. Exagero, claro. Nunca havíamos tropeçado numa inteligência extraterrestre antes, e não havia indícios de que isso poderia acontecer de uma hora para a outra.
Exagero também porque esta odisseia no espaço é mais sobre a relação homem-máquina e uma abstração poética sobre os caminhos da Seleção Natural – e os mistérios da evolução humana – que um filme de ETs. Pelo menos, distancia-se como nunca antes da ficção científica clássica ao representar a enigmática inteligência alienígena como um monólito – em vez de antropomorfizar o “personagem”. “Kubrick criou um filme que fez, repentinamente, todo o cinema de ficção científica envelhecer, correndo o risco de decepcionar os especialistas, que não encontravam, materializados nele, seus caros extraterrestres, e de deixar perplexos os amantes do gênero pela audácia de sua narrativa”, diz Michel Ciment, autor do livro Conversas com Kubrick.
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Dentre as muitas perspectivas que o filme desperta, há também a abordagem do perigo representado pela evolução da Inteligência Artificial – na figura de HAL 9000, o supercomputador da nave Discovery One, que fala e mimetiza a mente humana. Apesar de ser o vilão do filme, a máquina tem um fim melancólico, que chega a emocionar: humanizado, expressa a percepção da própria morte iminente.
Desde o lançamento, 2001 ganhou a pecha de incompreensível. Antes até. Na pré-estreia, 240 pessoas saíram no meio da sessão, reclamando disso. Em entrevista para a Playboy na época, Kubrick se recusou a explicar o sentido da coisa. E o escritor de ficção científica Arthur C. Clarke – roteirista e autor do conto em que o filme foi baseado – disse o seguinte: “Se alguém entender de primeira, é sinal de que falhamos”.
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Mas o enredo em si, dividido em partes distintas, não é tão hermético: na Pré-História, um monólito misterioso provoca um salto de evolução entre os primatas, que de coletores passam a caçadores armados. Milênios depois, uma expedição é formada para investigar o monólito, mas agora na Lua – uma missão que vem a ser sabotada pelo computador HAL, que mata quase todos os astronautas. O único sobrevivente entra em contato com mais um monólito, dessa vez na órbita de Júpiter, atravessa um portal do espaço-tempo e vive ele próprio um salto evolutivo.
Mesmo com tantos mistérios, ou por causa deles, o filme revolucionou o gênero de obras futuristas, e virou um marco do cinema tão forte quanto seu monólito. A tal ponto que despertou uma curiosa teoria da conspiração, de que o diretor teria cedido cenas não usadas para forjar as imagens dos astronautas da Apollo 11 em solo lunar, em 1969. Mentira, claro: as cenas da missão nem de longe foram tão bem filmadas assim…