PREÇO BAIXOU! Revista Impressa + Digital Premium a partir de R$ 10,99/mês. Corre e assine agora!

10 mitos e verdades sobre a composição química dos alimentos

Toda comida é feita de átomos, que formam moléculas, que reagem entre si.

Texto: Marcos Nogueira | Edição de arte: Estúdio Nono | Design: Andy Faria
lustrações: Cristina Kashima | Imagens: Getty Images e Unsplash


Na alimentação, não existe bobagem maior do que dizer que algo artificial é “químico” – no frigir dos ovos, tudo é químico. A cozinha é um laboratório em que o fogo, a água e uma série de substâncias trabalham nas experiências do cozinheiro.

1) O segredo da boa cerveja é a água pura

SI_60_mitos_alimentacao_Cap3_1

MITO – A composição mineral da água é decisiva no resultado da fermentação de uma cerveja, mas hoje em dia isso pode ser ajustado quimicamente. Antes, as cervejarias dependiam das fontes naturais, como rios ou nascentes. O surgimento da pilsner tcheca – o estilo que originou todas as outras cervejas lager claras, translúcidas e leves – só foi possível por causa do perfil da água de Plzeň, na Boêmia (hoje território da República Tcheca). O lugar tem aquilo que, em linguajar técnico, se chama água mole: pobre em íons de cálcio e de magnésio.

Continua após a publicidade

O oposto ocorre em Burton-on-Trent, na Inglaterra, onde surgiu a IPA. A água de lá é dura (rica em cálcio e magnésio) e ligeiramente sulfurosa. Desde o século 20, porém, é possível tratar qualquer água para obter o perfil mineral desejado e, consequentemente, ter mais controle sobre a receita da cerveja. Isso é ótimo para as cervejarias, que podem replicar as mesmas fórmulas em várias fábricas, independentemente do lugar em que a fábrica foi instalada. As lendas envolvendo a Brahma de Agudos e a Antarctica de Ribeirão Preto – ambas cidades do interior paulista em que ocorre afloramento do aquífero Guarani – são coisa do tempo do onça.

2) Goiaba tem cheiro de xixi de gato. E cominho, cheiro de suor

SI_60_mitos_alimentacao_Cap3_2

VERDADE – Todo cheiro vem de moléculas aromáticas voláteis, que são inaladas e processadas pelo nariz. Às vezes, a substância presente em algum alimento pode ser encontrada também em coisas pouco apetitosas – em outras, é um composto químico da mesma categoria, de odor similar. No caso da goiaba e do xixi de gato, os culpados pelo cheiro são os tióis ou mercaptanos, um grupo de compostos organossulfurados (que contêm enxofre). Quanto ao cecê, o odor de cominho vem de uma substância chamada ácido 3-hidróxi-3-metil-hexanoico. Mais embaixo, nos pés, o ácido isovalérico dá notas de queijo velho ao chulé.

Continua após a publicidade

3) Corante alimentar vermelho é feito de besouros

SI_60_mitos_alimentacao_Cap3_3

MITO – Ninguém avisa em letras garrafais: o corante alimentício vermelho CI 75470, também chamado de carmim, é feito com uma multidão de insetinhos esmagados. Não são besouros – como diz a lenda urbana –, mas são insetos. A diferença entre a cochonilha e os besouros é sutil para quem não é versado em entomologia: enquanto os besouros são coleópteros, a cochonilha é da ordem dos hemípteros. O corante carmim não tem gosto de nada e é perfeitamente seguro para a saúde. Se você gosta de comida tingida de vermelho, mas é vegano(a) e/ou tem questões com insetos, só há uma saída: ler com atenção os ingredientes e pesquisá-los na internet.

4) Chocolate granulado não é chocolate

SI_60_mitos_alimentacao_Cap3_4

Continua após a publicidade

VERDADE – Tanto não é que os fabricantes deixaram de usar a palavra “chocolate” no rótulo, sobrando apenas o “granulado”. Vamos à composição de uma marca boa, lembrando que a lei manda listar os ingredientes na ordem decrescente de quantidade: açúcar, gordura vegetal hidrogenada, cacau em pó, glucose de milho, farinha de soja, sal e emulsificante lecitina de soja.

5) Nutella é quase só açúcar e gordura

SI_60_mitos_alimentacao_Cap3_5

VERDADE – Os ingredientes listados no contrarrótulo são, em ordem decrescente de quantidade: açúcar, óleo de palma, avelã (13%), cacau em pó parcialmente desengordurado (7,4%), leite em pó desnatado (6,6%), lecitina de soja e aroma de baunilha. Uma porção de 20 g contém 12 g de carboidratos e 6,2 g de gorduras. Um cálculo rápido, e se conclui que 91% da Nutella é açúcar e gordura.

Continua após a publicidade

6) Suco “sem adição de açúcar” é enganação

SI_60_mitos_alimentacao_Cap3_6

VERDADE – Você já deve ter visto – ou até comprado – algum suco de caixinha cuja embalagem estampava a expressão “sem adição de açúcar” ou “100% suco”. Aí você vai olhar a lista de ingredientes e vê que sempre tem lá o suco concentrado de maçã, não importa se você pegou uva, caju ou goiaba. Estranho, não? O suco concentrado de maçã é um jeito que a indústria encontrou para vender bebidas superdoces com uma rotulagem capciosa. Ele é refinado ao ponto de perder todo o gosto de maçã – para ser usado com qualquer fruta –, além de quase toda a fibra e quase todos os nutrientes. É concentrado até ficar com poder edulcorante comparável ao do açúcar.

7) Azeite extravirgem muito barato é fraude

SI_60_mitos_alimentacao_Cap3_7

Continua após a publicidade

VERDADE – O azeite de oliva extravirgem é obtido em um processo exclusivamente mecânico – a azeitona é prensada a frio, e o óleo resultante mantém as características de aroma do fruto fresco. O bagaço que fica na prensa é então submetido a outras extrações, feitas com métodos térmicos e químicos. O azeite das extrações posteriores é inferior e mais barato. Quando um azeite rotulado como extravirgem tem um preço muito abaixo da média, é quase certo que o produto envasado seja “batizado” com uma proporção desses azeites inferiores – ou talvez óleos vegetais como o de soja e o de algodão. Não faz mal algum à saúde, mas faz mal ao bolso.

8) Azeite trufado é feito com trufas

SI_60_mitos_alimentacao_Cap3_8

MITO – As trufas são cogumelos subterrâneos cobiçados e caros, apesar do aroma que fica entre o gás de cozinha e o pneu queimado. Para quem não tem cacife para comprar a trufa in natura – além do mais, ela é altamente perecível e só dá em determinadas épocas do ano –, inventaram o azeite trufado. É uma imitação barata – ou nem tanto, já que cobram uma grana desproporcional pela coisa. O que dá o aroma ao azeite trufado é uma substância sintética: o 2,4-ditiapentano, um composto orgânico com enxofre na fórmula. Na trufa natural, esse monstrinho sulfuroso se manifesta de forma muito mais sutil e elegante, misturado a outras estruturas químicas num coquetel impossível de ser copiado com exatidão.

9) A pipoca do cinema é gostosa porque leva manteiga

SI_60_mitos_alimentacao_Cap3_9

MITO – Vamos aos ingredientes de um preparado “sabor manteiga” vendido para os pipoqueiros: óleos vegetais hidrogenados, emulsificante (lecitina de soja), aroma idêntico ao natural de manteiga, antioxidantes (TBHQ e ácido cítrico), corante idêntico ao natural beta-caroteno e antiespumante (dimetilpolisiloxana). E a coisa contém 15% de gordura trans.

10) Bala de goma é feita com pele de porco

SI_60_mitos_alimentacao_Cap3_10

VERDADE – Balas de goma deveriam ser feitas com goma, certo? Antigamente era assim. O ingrediente principal era a goma arábica, uma resina vegetal que acabou ficando cara demais para um docinho tão trivial. Então as principais marcas de bala trocaram a goma arábica pela gelatina. E gelatina é proteína, quase sempre de origem animal. As principais matérias-primas da gelatina são a pele de porco e o couro bovino. Esses tecidos são ricos em colágeno, a proteína que dá origem à gelatina. Antes de ser vendida para a indústria de doces, a gelatina é refinada para perder todos os odores.

Você já reparou que uma feijoada completa, daquelas que têm pé, orelha e rabo, fica com uma consistência gelatinosa? É porque o cozimento da pele e dos tendões suínos resultou em gelatina. Você pode acompanhar o feijão com uma bala de ursinho sabor framboesa ácida – que, na verdade, é um torresmo disfarçado de doce.

Publicidade

Tags Relacionadas

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional verde-escuro com texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo uma página de notícias e um ícone de árvore verde-claroMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo O mês é do cliente. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).