O cético
Numa entrevista ao podcast The Fighter Pilot, o comandante David Fravor, que pilotava um dos caças que interceptaram o “Tic Tac”, disse que os vídeos do episódio desapareceram de forma misteriosa. Na opinião dele, devem ter gravado por cima sem querer. “Alguém olha e diz: ei, essas fitas devem estar em branco. Vamos usá-las.”
Segundo Vincent Aiello, piloto aposentado de F/A-18, várias pessoas têm acesso aos cofres onde as gravações são guardadas. “É muito comum, mesmo com fitas que você marcou para guardar, que elas voltem a cair em circulação, e sejam gravadas por cima. Eu acho a opinião do comandante Fravor a explicação mais plausível [para o sumiço das
gravações]”, diz. “Contudo, muitas pessoas têm acesso a esses materiais, então isso deixa a possibilidade de que alguém possa ter pegado [as fitas dos F/A-18] intencionalmente.”
Embora Fravor admita o sumiço das gravações, questiona os relatos de alguns dos marinheiros. Diz que só ele e mais três pilotos de fato viram o “Tic Tac”, nenhum deles assinou acordos de confidencialidade, e que nunca apareceram “homens de terno” nos navios. “Há grupos de pessoas inventando coisas, como ‘eu vi o vídeo inteiro e ele tem 10 minutos’. Isso é besteira”, declarou numa entrevista em 2018. Fravor acredita que, como um dos militares mais graduados do navio, teria tomado conhecimento de uma investigação sobre OVNIs, se ela existisse. “Eles não falariam com os caras que viram e perseguiram o objeto?”
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“Normalmente, os pilotos dos aviões não são notificados se o radar do navio ou outro tipo de informação está sendo usado em uma investigação”, diverge Guy Snodgrass, ex-piloto de F/A-18. Ele não quis comentar o Incidente Nimitz, mas conhece o copiloto que participou da interceptação dos OVNIs, junto com David Fravor. “É um oficial talentoso e dedicado à aviação naval”, diz Snodgrass. Esse indivíduo nunca se pronunciou publicamente – e não terá seu nome revelado nesta reportagem, pois ainda trabalha na Marinha. “Ele tem o discernimento para caracterizar corretamente qualquer coisa fora do comum que possa ter visto. Então eu daria credibilidade ao relato dele”, afirma.
Ao investigar essas alegações, a reportagem conseguiu localizar e contatar mais uma testemunha, que estava no Esquadrão 11 em novembro de 2004. Alegando questões de segurança, essa pessoa só aceitou falar se seu nome não fosse divulgado. “Eu me lembro muito bem dos eventos de 2004”, diz a testemunha, que na época trabalhava como especialista de operações no USS Princeton. “Eles decidiram mandar dois caças investigar. Pelo que os pilotos descreveram, o movimento do OVNI desafiava as leis da física.”
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“O que tornou o caso alarmante foi quando um helicóptero Blackhawk pousou no nosso navio, e levou embora todas as informações confidenciais”, diz a testemunha. “Nós todos ficamos chocados. Tornou-se uma regra implícita não comentar o caso, pois não queríamos prejudicar nossas carreiras.”
Para Vincent Aiello, é “inteiramente possível” que exista uma gravação mais longa do que a divulgada pela Marinha. “As fitas que usavam na época tinham capacidade para duas horas, e não era incomum deixá-las gravando quase o voo inteiro”, diz. “É plausível que eles só tenham copiado uma pequena parte dos vídeos para o CIC (centro de controle do navio), mas o resto deles tenha ficado guardado… até que alguém gravou as fitas por cima, ou seja lá o que aconteceu.” Aiello estava no porta-aviões Nimitz em 2004, mas diz que não tem nenhuma informação direta sobre o incidente.
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As testemunhas ouvidas por esta reportagem dizem que é desapontador ouvir o piloto David Fravor questionar os relatos delas. Todas confirmam suas experiências, e dizem que só decidiram se manifestar porque queriam apoiar Fravor e os demais marinheiros. Fravor pode não acreditar no que as testemunhas dizem, mas outras pessoas acreditam. “A combinação dos relatos dos pilotos, dos operadores de radar, e da tripulação do E-2 Hawkeye me convenceu, acima de qualquer dúvida, da veracidade da história”, diz Paco Chierici, ex-piloto de F-14 e primeira pessoa a revelar o caso ao público, em 2015. “Eu conheço essas pessoas, e sei como aquele mundo [militar] funciona. Não há nenhuma possibilidade de que a história possa ter sido inventada, ou mal interpretada.”
