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Saúde

Os 15 maiores mitos da saúde — e a verdade por trás de cada um

Ela é a coisa mais importante da vida. Mas também é o assunto mais cheio de crendices e informações falsas – nas quais muita gente acredita. A seguir, veja quais são os equívocos mais persistentes; e saiba o que a ciência tem a dizer sobre eles.

Mito 01: Homeopatia funciona

Se você pegar uma infecção, por exemplo, irá ao médico e ele vai receitar antibiótico: um remédio que mata as bactérias. Para curar um problema, você deve combater a causa dele.

Esse é o princípio da medicina científica, ou alopática – palavra que significa “oposto à doença”. Mas na homeopatia, que foi inventada em 1796 pelo médico alemão Samuel Hahnemann, a lógica é outra: para curar uma doença, você deve ingerir uma pequena quantidade do mesmo elemento que causa o problema (no nosso exemplo, a mesma bactéria que provocou a infecção). Daí vem o nome homeopatia, que significa “semelhante à doença”.

Mesmo se isso fizesse sentido, a homeopatia tem outra característica que desafia a lógica: a substância a ser ingerida pelo paciente deve ser hiperdiluída. Os remédios homeopáticos são diluídos pelo menos cem ou mil vezes, e frequentemente muito mais: Hahnemann recomendava a razão 10-60, que equivale a diluir a dose um sextilhão de sextilhão de sextilhão de vezes. Isso significa que você precisaria dar 2 bilhões de doses por segundo, para todos os habitantes da Terra, por 4 bilhões de anos para que apenas uma pessoa ingerisse uma única molécula do princípio ativo. E alguns remédios homeopáticos são ainda mais diluídos. Ou seja: trata-se de apenas água (que pode ser colorida e aromatizada). Os homeopatas defendem que sobra uma “energia vital” das moléculas originais. É como dizer que água potável, por exemplo, contém alguma “energia” deixada pelas impurezas que já estiveram nela.

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(Dulla/Superinteressante)

Também já foi comprovado, na prática, que a homeopatia não é eficaz. Na maior análise já feita a respeito, cientistas australianos revisaram 176 estudos, que testaram a eficácia dela contra 68 doenças – desde as mais raras, como afasia de Broca (distúrbio neurológico que afeta a fala), até as mais banais, como diarreia. Resultado? Zero. Os tratamentos homeopáticos não se mostraram eficazes em nenhum caso. Homeopatia não funciona. Mesmo assim, ela continua popular no mundo inteiro. Por quê? Dois motivos.

Primeiro, porque os médicos homeopatas costumam dar atenção a seus pacientes. Só de ser ouvida, a pessoa já tende a se sentir melhor (a psicanálise que o diga). O segundo motivo é que a homeopatia cumpre muito bem o papel de placebo. Se você acreditar que está tomando um remédio eficaz, tem boas chances de melhorar de fato, simplesmente pelo poder da autossugestão.

Há algum mal nisso? Se o paciente também se tratar com remédios tradicionais, alopáticos, não. Por isso vários países, como o Brasil e a França, oferecem tratamentos homeopáticos em seus hospitais públicos. “Os consumidores da homeopatia se baseiam em crenças [pessoais]”, diz o médico australiano Paul Glasziou, autor do estudo que desmistificou a prática. Quanto mais a ciência prova que homeopatia não tem fundamento, mais essas pessoas se recusam a aceitar. Pois a grande utilidade da homeopatia é justamente essa: a fé que ela desperta nas pessoas.

Fonte: Evidence on the Effectiveness of Homeopathy for Treating Health Conditions. National Health and Medical Research Council, 2015.

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Mito 02: Estalar os dedos faz mal

Convenhamos: estalar os dedos, e outras articulações, é gostoso. Mas também é meio assustador, porque faz um barulho completamente diferente dos ruídos normais do corpo. Por isso, o hábito de estalar as articulações é cercado por uma série de temores: dizem que desgasta as articulações, engrossa as juntas e pode até provocar artrite.

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(Sarah Kamada/Superinteressante)

O hábito já foi objeto de vários estudos, com milhares de voluntários, ao longo de décadas. Todos chegaram à mesma conclusão: se feito com delicadeza, sem forçar, não causa nenhum mal.

O estalo é gerado pelo líquido sinovial, um fluido lubrificante que preenche os espaços entre as articulações. Com o movimento normal dos dedos, esse líquido vai ficando cheio de pequenas bolhas. Quando você puxa os dedos, as articulações se afastam e as bolhinhas estouram, provocando o som do estalo.

Fontes: Knucle Cracking and Hand Osteoarthritis. National Naval Medical Center, 2011. Knucle cracking looks explosive, but causes no detectable harm. Universidade da Califórnia, 2015.

Mito 03: Açúcar mascavo é mais saudável

Açúcar não é veneno, mas também não faz bem. Se consumido em excesso, ele engorda, vicia e pode causar diabetes. Mas isso independe do tipo – tanto faz se é o branco ou o mascavo. A única diferença é que o mascavo contém 5% a 10% de melado, um caldo marrom e viscoso da cana-de-açúcar.

O melado possui alguns minerais, como ferro, cálcio, potássio, sódio e magnésio, mas em quantidades pequenas – e que podem ser facilmente obtidas em alimentos mais saudáveis. O açúcar mascavo é tão calórico quanto o branco (e, como adoça um pouco menos, pode levar a pessoa a consumir mais). O refino do açúcar branco é feito por centrifugação e por reações químicas e, diferentemente do que muita gente acredita, não deixa nenhum resíduo – o produto final é 99,9% sucrose, ou seja, açúcar.

Aproveitando o tema, outro mito: açúcar deixa as crianças hiperativas. Não deixa, não. O açúcar é convertido em moléculas de glicose e frutose, que são usadas como combustível pelo organismo – e não têm efeito estimulante, como o álcool ou a cafeína. O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), que afeta uma pequena parcela das crianças, é uma desordem de base genética, não alimentar.

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(Sarah Kamada/Superinteressante)

Mito 04: Vacinas causam autismo

Em 1998, o médico inglês Andrew Wakefield publicou um artigo, no jornal científico The Lancet, apontando uma suposta relação entre a vacina tríplice (contra sarampo, caxumba e rubéola) e autismo em crianças. O trabalho chamou muita atenção, e com ela veio a descoberta: Wakefield tinha manipulado os dados.

“A metodologia era equivocada e fraudulenta”, diz Marco Aurélio Safadi, professor de pediatria da Faculdade da Santa Casa de São Paulo. Não há nenhuma relação entre vacinas e autismo. O inglês teve a licença médica cassada e o artigo foi desmentido, mas o estrago já estava feito. Até hoje, muita gente (inclusive o presidente dos EUA, Donald Trump) acredita que vacinar as crianças pode deixá-las autistas.

Por conta disso, doenças que estavam praticamente extintas estão voltando: sete países da Europa voltaram a ter ondas de sarampo, e neste ano o Estado americano de Minneapolis teve o maior surto de rubéola em 30 anos, com 8 mil pessoas expostas ao vírus. “As novas gerações não sentem a importância da vacina porque nunca conviveram com amigos com sequelas de rubéola, de paralisia infantil. Nunca viram vizinhos serem internados por causa de sarampo”, diz Safadi.

Mito 05: Banho depois de comer é perigoso

Depois que você come, o seu corpo envia mais sangue (logo, mais energia) para o sistema digestivo. Mas se você fizer algum exercício físico os seus músculos também vão pedir energia. “Isso pode atrapalhar a concentração de sangue no sistema digestivo e provocar congestão”, explica Ricardo Nahas, coordenador científico da Associação Paulista de Medicina. Ou seja: o problema é nadar depois de comer, porque isso requer esforço físico. Banho de chuveiro não tem problema.

Mito 06: Vitamina C cura ou previne resfriado

O americano Linus Pauling foi um dos maiores cientistas do século 20. Fez descobertas importantíssimas, e ganhou o Nobel de Química em 1954. Mas também alimentava uma crença polêmica: os poderes milagrosos da vitamina C. Na década de 1970, Pauling cismou que ela podia prevenir ou curar várias doenças, de gripe a câncer.

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(Dulla/Superinteressante)

Ele fez uma experiência com cem pacientes terminais de câncer, cuja sobrevida teria aumentado 400% devido à vitamina C. Mas o trabalho tinha uma falha grave: os pacientes que tomaram a vitamina estavam menos doentes do que os outros (que receberam um placebo), o que influiu na sua sobrevida.

De lá para cá, surgiram estudos mostrando que a vitamina C pode ajudar a prevenir certos tipos de tumor ou retardar sua evolução. Mas não é consenso – tanto que o uso dela contra câncer não é aprovado pela FDA (a Anvisa dos EUA). Contra gripe e resfriado, a vitamina realmente não adianta.
Uma análise de 29 estudos, feitos com mais de 11 mil voluntários, concluiu que o máximo que ela faz é abreviar a duração da gripe – em irrisórios 8%.

Fonte: Vitamin C and heart health. Universidade de Connecticut, 2016.

Mito 07: O micro-ondas mata os nutrientes da comida

Cozinhar os alimentos, de que jeito for, pode reduzir seu teor nutricional, porque o calor destrói vitaminas. Mas o micro-ondas é o método que menos provoca isso. É que ele cozinha os alimentos mais depressa, com menos calor e, principalmente, usando menos água (na qual os nutrientes tendem a se dissolver).

Um estudo feito pela Universidade de Illinois constatou que o espinafre cozido em micro-ondas retém toda a vitamina B9. Já quando é preparado no fogão, perde quase 30%. Há quem acredite que a comida preparada no micro-ondas dá câncer. Nada a ver.

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(Sarah Kamada/Superinteressante)

“O forno de micro-ondas não emite radiação. Ele trabalha com ondas [eletromagnéticas], como os aparelhos de rádio. Se você aproximar um rádio de um forno de micro-ondas, vai observar a interferência”, diz Carmen Tadini, engenheira química da USP.

Fonte: Folacin and Ascorbic Acid Retention in Fresh Raw, Microwave, and Conventionally Cooked Spinach. Universidade de Illinois, 1981.

Mito 08: Omega-3 protege (e turbina) o cérebro

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(Dulla/Superinteressante)

60% do cérebro humano é gordura. E boa parte dessa gordura pertence a uma classe de ácidos graxos chamada ômega-3. O organismo não produz essa substância, que precisa ser obtida por meio da alimentação. Esse é o consenso científico. Mas, nas últimas décadas, ele foi dando margem a outras interpretações, e hoje há inúmeras empresas que vendem ômega-3 em cápsulas, alegando que ele potencializa a memória e o raciocínio, além de proteger contra doenças neurológicas. Só nos EUA, isso movimenta US$ 15 bilhões por ano.

A verdade é que tomar cápsulas de ômega-3 não turbina o cérebro. Uma análise bastante detalhada, em que cientistas da Universidade de Pittsburgh dissecaram vários estudos sobre o tema, ilustrou bem isso. Em alguns testes, as cápsulas de ômega-3 aumentaram a performance cognitiva dos voluntários; mas, em outros casos, não fizeram nenhum efeito, e chegaram até a reduzir o desempenho em certas situações. São resultados contraditórios e inconclusivos, ou seja, não dá para dizer que elas funcionam.

Isso também vale para os supostos efeitos protetores do ômega-3. Um estudo feito pelo Instituto Nacional dos Olhos, nos EUA, acompanhou 3.073 idosos ao longo de cinco anos. Metade deles tomou cápsulas de ômega-3, e a outra metade, placebo. Os cientistas queriam testar o efeito da substância na visão dos velhinhos, mas também aplicaram testes para medir sua capacidade cognitiva. “O ômega-3 não desacelerou a perda dela”, diz a médica Emily Chew, líder da pesquisa. Com ou sem ômega, a senilidade avançou no mesmo ritmo. Uma equipe de médicos australianos também deu o suplemento para 2 mil mulheres grávidas, mas não percebeu nenhuma diferença significativa nelas nem em seus filhos.

Tem mais: não é garantido que o ômega-3 em cápsulas seja absorvido pelo organismo da mesma forma que a substância presente no peixe. Inclusive porque uma análise realizada pela Universidade Harvard constatou que 70% dos produtos continham menos ômega-3 do que o prometido no rótulo.
O segredo para a saúde do cérebro e da mente parece estar numa receita bem mais simples, e ao mesmo tempo mais difícil de executar: ter uma alimentação saudável e balanceada a vida toda (inclusive comendo peixe).

Fontes: Long-chain Omega-3 Fatty Acids and Optimization of Cognitive Performance. Universidade de Pittsburgh, 2014. Omega-3 fatty acid fish oil dietary supplements contain saturated fats and oxidized lipids that may interfere with their intended biological benefits. Harvard Medical School, 2016.

Mito 09: Pegar friagem deixa você resfriado

Você pode entrar num frigorífico ou numa piscina cheia de gelo, ou sair de um banho quente direto para uma ventania gelada, e nada disso elevará sua chance de ficar doente. Isso é comprovado por pesquisas científicas realizadas desde a década de 1950 (inclusive numa série de testes cruéis, em que presidiários dos EUA foram submetidos a baixas temperaturas). O resultado foi sempre o mesmo: quem se expõe ao frio não adoece com mais frequência. Tem mais: se a pessoa já estiver resfriada, expor-se ao frio não atrapalha sua recuperação. Pode até ajudar. “No frio, o organismo aumenta a produção das células que combatem infecções”, afirma a médica americana Rachel Vreeman, autora do livro Don’t Swallow Your Gum (“Não engula o chiclete”, sem versão em português), sobre mitos de saúde. Gripes e resfriados são transmitidos por vírus, não por frio.

Mas o que faz, então, sua incidência aumentar no inverno? Há algumas hipóteses. A principal é que, no clima frio, as pessoas passam mais tempo em ambientes fechados, próximas umas das outras, o que facilita a circulação de vírus. Isso foi constatado na prática por um estudo da Universidade de Tecnologia da Virginia, que comparou a incidência de gripe em dois tipos de alojamento estudantil: um com poucas janelas e outro bem arejado. Nos lugares menos ventilados, houve o dobro de resfriados.

Além disso, no inverno faz menos sol. Isso faz com que o seu corpo produza menos vitamina D, que é importante para o sistema imunológico. Outro possível motivo para a onda de gripes e resfriados no inverno é que, quando está frio, o corpo naturalmente produz mais muco, para proteger as vias aéreas. Só que mais muco significa mais espirros e mais tosse. E isso ajuda a propagar os vírus por aí. Depois que uma pessoa espirra, ela tende a limpar o nariz com a mão. Ao fazer isso, pode levar o vírus da gripe, que pegou ao encostar em alguma superfície contaminada, para dentro do seu organismo. E aí, sim, ficar gripada.

Fonte: Dynamics of Airborne Influenza A Viruses Indoors. Virginia Tech, 2011.

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(Dulla/Superinteressante)

Mito 10: É imprescindível passar fio dental após as refeições

Nem sempre. Isso depende da distância entre os seus dentes e do que você comeu. Se eles forem juntinhos o suficiente para que não entrem fragmentos de comida (e você não tiver ingerido alimentos que geralmente ficam presos entre os dentes, como carne e milho), a escova de dentes é suficiente. Tanto que, em 2016, o Ministério da Saúde dos EUA parou de recomendar o uso de fio dental (orientação com a qual a Associação de Dentistas dos Estados Unidos não concordou).

Os cientistas costumam recomendar outros tipos de limpeza, como o uso de enxaguante bucal, chicletes sem açúcar, aparelhos que limpam a boca com jatos de ar ou água, ou escovas interdentais. É que até hoje, 200 anos após a criação do fio dental – que foi inventado pelo dentista americano Levi Parmly no início do século 19 –, não há estudos científicos provando, definitivamente, que ele remove placa bacteriana ou protege a gengiva.

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(Sarah Kamada/Superinteressante)

O problema é que o fio dental nunca foi submetido a testes rigorosos, com muitas pessoas, e boa parte das pesquisas a respeito foi financiada pelos próprios fabricantes de fio dental. Nos últimos dez anos, três grandes análises identificaram esses problemas.

Se você estiver com comida presa entre os dentes, não há nada de errado em passar fio dental. Mas, se não estiver, não precisa se martirizar por não usá-lo. Falando em higiene bucal, outro mito recorrente é que se deve escovar os dentes logo depois de comer. Na verdade, o certo é esperar 30 minutos, para que o pH (teor de acidez) da boca se reequilibre. É que os alimentos mais ácidos, como sucos cítricos, enfraquecem temporariamente o esmalte dos dentes – e você pode danificá-lo se escovar logo de cara.

Fonte: The efficacy of dental floss in addition to a toothbrush. Inholland University, 2008. Efficacy of inter-dental mechanical plaque control in managing gingivitis – a meta-review. Christian-Albrechts University (Alemanha), 2015. Flossing for the management of periodontal diseases and dental caries. University of Split (Croácia), 2011.

Mito 11: Suco detox purifica o organismo

Não existe alimento detox. O corpo se desintoxica sozinho: é só parar de enfiar o pé na jaca e consumir coisas que fazem mal, como açúcares, gorduras, álcool ou nicotina.

Os sucos detox, que geralmente são feitos de couve misturada com frutas, podem até ser gostosos. Mas não têm o poder de eliminar nenhuma toxina (e seus ingredientes seriam mais bem absorvidos pelo organismo se fossem consumidos em suas formas naturais, não como suco).

Quem elimina toxinas são o fígado e os rins. Para ajudá-los, tudo o que você pode fazer é maneirar, com alimentação leve e bastante água.

Mito 12: Desodorante causa câncer de mama

A maior parte dos casos de câncer de mama surge na parte superior do seio, perto da axila – onde os desodorantes são aplicados. Além disso, os desodorantes antitranspirantes contêm sais de alumínio (eles tampam temporariamente os poros da axila, reduzindo a transpiração), e um estudo realizado na Suíça em 2016 encontrou uma relação entre essas substâncias e câncer de mama em ratos. Melhor jogar os antitranspirantes no lixo?

Calma. Não existe nenhum estudo que comprove relação entre sais de alumínio e câncer de mama em humanos. Isso já foi testado em alguns trabalhos científicos. Nenhum apontou risco nos antitranspirantes.

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(Sarah Kamada/Superinteressante)

O câncer de mama é mais comum perto das axilas porque nessa região há mais nódulos linfáticos. Por ser um produto de uso contínuo, o desodorante pode, sim, aumentar a presença de alumínio na pele, principalmente se ela sofrer microcortes provocados pela depilação das axilas. Mas não existe nenhum indício de que os sais de alumínio sejam capazes de provocar alterações nas células de forma a provocar tumores.

Fonte: Antiperspirant use and the risk of breast cancer. Fred Hutchinson Cancer Research Center, 2002. Aluminium, antiperspirants and breast cancer. Universidade de Reading, 2005.

Mito 13: Kefir previne e cura doenças

O kefir é uma colônia de bactérias, que se multiplica no leite e na água com açúcar e é consumida na região do Cáucaso desde o final do século 19. Chegou ao Brasil há poucos anos, com fama de fazer milagres pela saúde: curar ou prevenir coisas tão diversas quanto osteoporose, câncer e infecções. Nada disso tem comprovação científica.

Também dizem que o kefir turbina o sistema digestivo, o que não é necessariamente verdade. Em sete testes com humanos, seis chegaram à mesma conclusão: após 24 semanas consumindo kefir, a flora intestinal das pessoas estava igual à de quem não comeu o produto.

O kefir só é útil para reequilibrar o intestino de quem está doente, com a flora intestinal prejudicada.

Fonte: Alterations in fecal microbiota composition by probiotic supplementation. Universidade de Copenhague, 2016.

Mito 14: Usar óculos aumenta o grau de miopia

Você já deve ter ouvido a história de que, quando a pessoa começa a usar óculos (ou troca as lentes por outras mais fortes), o grau de desvio da visão aumenta com o tempo. Não é verdade.

As lentes dos óculos, e as lentes de contato, não aumentam a miopia nem a hipermetropia, nem o astigmatismo, simplesmente porque não têm o poder de deformar a estrutura física do olho e causar o chamado erro refrativo, a causa desses problemas de visão.

As lentes simplesmente alteram o ângulo de incidência da luz sobre os olhos, ajudando a pessoa a enxergar.

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(Dulla/Superinteressante)

Mito 15: O café da manhã é a refeição mais importante do dia

Em 1944 a General Foods, principal concorrente da Kellogg’s, criou uma campanha publicitária para vender mais cereal matinal. Ela se baseava num slogan que se tornaria lendário: “Segundo experts em nutrição, o café da manhã é a refeição mais importante do dia”. A ideia pegou, tanto que foi alçada à condição de verdade universal.

Mas não tem comprovação científica. “Ao longo do dia, a pessoa precisa consumir um mínimo de calorias, vitaminas, fibras. Não importa o horário”, explica David Levitsky, pesquisador da Universidade Cornell e autor de um estudo que acompanhou os hábitos alimentares de 300 pessoas durante seis semanas.

Os voluntários que ficaram sem café da manhã, mas distribuíram as demais refeições ao longo do dia, ingeriram em média 408 calorias diárias a menos, perderam peso e reduziram o colesterol. O mais importante não é o horário em que você come – é o que você come.

Fonte: Effect of skipping breakfast on subsequent energy intake. Universidade Cornell, 2013.