A Chegada (2016)
Por que está aqui: é baseado na hipótese de que aprender uma língua molda a sua mente.

Arrival | Direção: Denis Villeneuve | Roteiro: Eric Heisserer
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Imagine que, fora da ficção, extraterrestres invadissem a Terra, estacionassem naves gigantescas nos céus de 12 países e demorassem para comunicar qual sua intenção por aqui. E que uma delas parasse sobre uma cidade dos EUA. É difícil prever qualquer resposta que não fosse uma ação militar contra os invasores.
Já o filme do canadense Denis Villeneuve é otimista: nessa exata circunstância, antes de partir para um ataque armado, o Exército convoca uma tradutora, Louise Banks (Amy Adams), para tentar comunicação com os aliens – entender sua língua e se vieram em paz. É no trabalho, e num drama familiar, dessa linguista que o filme mantém seu foco. E sua originalidade também.
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Diferente da maioria dos alienígenas da cultura popular, que têm perfis baseados no corpo humano (com duas pernas, dois braços, cabeça etc.), os de A Chegada parecem um desenho distorcido de um polvo alongado, com sete tentáculos multitarefa. Esses heptapods, como são chamados, soltam grunhidos distantes de qualquer compreensão. Mas seus membros lançam um tipo de vapor preto, que escreve no ar. Ou desenha: eles formam glifos, que lembram carimbos circulares com tinta escorrida ou em falta em alguns pontos do desenho. Diante desses sinais, Louise faz duas descobertas: que a escrita é independente dos sons dos ETs, o que abre caminho para uma conversa por símbolos; e que cada mancha ou ausência “de tinta” nos círculos tem um significado, que pode ser um simples “oi” ou toda uma frase.
Essa sintaxe desconhecida exige um cuidado maior. Eles entenderiam que uma pergunta é só uma dúvida que se quer esclarecer? Isso é bastante delicado porque a indagação “Vocês vieram atacar a Terra?”, por exemplo, pode soar como uma afirmação, “Vocês vieram atacar a Terra!” – arriscando uma reação hostil.
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Só essa questão já rende um mundo de reflexões sobre os ruídos na comunicação. Mas a grande sacada do filme está relacionada à hipótese de Sapir-Whorf – também chamada de relativismo linguístico –, que trata do condicionamento recíproco entre a percepção e a linguagem. Essa tese, proposta em 1940, defende que a nossa língua acaba, de alguma forma, moldando a nossa mente – a maneira como você fala e escreve determina (ou pelo menos influencia) o seu modo de pensar, e a sua concepção de mundo também.
Os heptapods são seres que não entendem a existência de uma forma linear, pois não enxergam qualquer distinção entre passado, presente e futuro. Sua escrita, os glifos circulares, reflete essa perspectiva. Quando então a linguista americana se aprofunda no idioma dos extraterrestres, ela também passa a enxergar essa “paisagem temporal”, na qual tudo o que já foi, o que é e o que virá acontecem ao mesmo tempo.
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Esse superpoder será decisivo em sua tentativa de evitar uma guerra entre as nações terráqueas e os alienígenas bonzinhos. E também para que Louise fique em paz com um trauma – localizado em algum lugar nesse tempo que só ela e os aliens são capazes de enxergar.