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A estrela de Belém

Astrônomos tentam descobrir que fenômeno gerou a luz que supostamente guiou os reis magos à manjedoura do Menino Jesus.

Tatiana Achcar e Maria Fernanda Almeida

De acordo com a tradição cristã, uma estrela muito brilhante cruzou os céus do Oriente, espalhando a notícia do nascimento do Menino Jesus. Foi esse brilho intenso que guiou os Três Magos até o local de seu nascimento, em Belém. De acordo com crônicas dos essênios (seita judaica contemporânea de Jesus), a estrela não surgiu repentinamente no céu. Os magos puderam observar a estrela por alguns meses antes do nascimento, estudando tabulações a respeito de seu movimento. Então, deram início à viagem até a Palestina.

A ciência nunca poderá explicar a suposta mensagem da estrela, mas busca evidências de um fenômeno fora do comum que teria ocorrido no céu do Oriente Médio na época do nascimento de Jesus. A imprecisão da data e os diversos eventos astronômicos que aconteceram no período dificultam a descoberta definitiva. É provável que Jesus tenha nascido entre os anos 7 a.C. e 2 a.C. Com base nesse período, lançam-se hipóteses sobre a estrela mencionada no Evangelho de Mateus. Já no século 3 da era cristã, aventava-se que o astro seria um cometa. A versão ganhou apelo popular a partir de 1 301, quando o cometa Halley passou junto à terra e foi incorporado a telas e afrescos. Estudos posteriores mostram que a passagem do Halley mais próxima da Natividade ocorrera em 12 a.C., pondo a carta fora do baralho.

A hipótese de que o brilho do nascimento de Jesus fosse uma estrela nova tomou força em 1 572, quando o astrônomo dinamarquês Tycho Brahe descobriu que o fenômeno ocorrera em 7 a.C. A nova é um astro que fica até 100 mil vezes mais brilhante que o normal durante semanas e depois quase desaparece do firmamento. No século 17, o astrônomo Johannes Kepler calculou que uma conjunção planetária entre Júpiter e Saturno teria ocorrido também em 7 a.C. – com a aproximação dos planetas, seus brilhos se somam no céu. Outras duas conjunções envolvendo Júpiter teriam ocorrido entre 3 a.C. e 2 a.C.: uma tripla conjunção com Régulus, a estrela mais brilhante da constelação de Leão, e uma aproximação com Vênus, o primeiro astro que surge no firmamento.