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A vez da solucionática

Foi essa também a diretriz da primeira edição de Como Salvar o Brasil, publicada em dezembro de 2001 e que ganhou o prestigioso Prêmio Ethos de Jornalismo.

Ernesto Yoshida Editor

O ex-jogador de futebol Dario, o Dadá Maravilha, ficou famoso mais por suas frases de efeito do que por sua intimidade com a bola. Eis uma de suas pérolas mais conhecidas (e que até hoje provoca arrepios nos gramáticos): “Não me venham com problemática, que eu tenho a solucionática”. A frase de Dario martelou na minha cabeça quando Adriano Silva, o diretor de redação da Super, definiu o eixo desta edição especial: “Não vamos simplesmente retratar os problemas. Temos que mostrar as soluções”. Foi essa também a diretriz da primeira edição de Como Salvar o Brasil, publicada em dezembro de 2001 e que ganhou o prestigioso Prêmio Ethos de Jornalismo. Daquela vez, o tema foi ecologia. Desta vez, o foco foi ampliado: são dez questões sociais, políticas e econômicas fundamentais para o futuro do país. Como acabar com a fome?

Como diminuir a economia informal? É possível reduzir a carga tributária?

Qual é a saída para garantir uma aposentadoria digna para todos? Como combater a corrupção? Por que precisamos de uma reforma política?

Como melhorar a administração pública? Qual é a solução para o caos no transporte urbano? O que o Brasil deve fazer para sair do atraso tecnológico? Qual é o papel das Forças Armadas?

Para buscar as respostas a essas perguntas, escalamos uma equipe talentosa de repórteres. Durante um mês, eles realizaram um exaustivo trabalho de corpo a corpo com especialistas de empresas, universidades, institutos de pesquisa e órgãos não-governamentais. Para traduzir visualmente o esforço investigativo dos repórteres, convocamos duas feras, a editora de arte Mabel Böger e a designer Andrea Aiub, que conseguiram encontrar um equilíbrio entre a seriedade dos temas e a irreverência que caracteriza a Super. Nas páginas a seguir, o leitor verá que os problemas são, de fato, complexos – mas as soluções podem ser tão simples quanto os gols que o nosso Dadá costumava marcar.

Veja, por exemplo, o problema do combate à fome, uma das bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo não precisa reinventar a roda: para encher as barrigas vazias, basta apoiar e multiplicar as inúmeras iniciativas de ONGs que estão dando certo localmente em todo o país. Fica evidenciado que, muitas vezes, as soluções passeiam diante dos nossos olhos como uma bola de futebol que fica quicando na pequena área. Só falta chutá-la no gol.