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A voz não era do dono

“Lutaremos nas praias, nos campos, nas ruas, nas montanhas;” A frase célebre, contida num dos mais famosos discursos do primeiro-ministro britânico Winston Churchill (1874-1965) foi ouvida ou lida em todo o mundo, em 9 de junho de 1940, em plena Segunda Guerra Mundial. Era um claro aviso de que os ingleses não iriam se render. Naquele dia, as tropas inglesas se retiravam às pressas de Dunquerque, na França, para escapar dos soldados alemães que avançavam na direção de Paris. Nunca ninguém duvidou das firmes intenções de resistência do ministro e tampouco que a voz ouvida naquele dia poderia não ser a dele.

Este ano, contudo, pesquisadores americanos colocaram em xeque a autenticidade de algumas das falas de Churchill, gravadas em discos comuns e até mesmo em CD. Eles analisaram vinte gravações de discursos. Cinco gravados em público e, portanto, autênticos. Os outros quinze foram gravados em estúdio. A partir daí, usando um sistema de formação de padrões de freqüências sonoras, que converte falas análogas em códigos digitais e os analisa identificando as freqüências, os pesquisadores realizaram comparações e concluíram que três dos mais célebres discursos de Churchill, definitivamente, não foram por ele pronunciados. A hipótese mais provável é que tenham sido gravados pelo ator Norman Shelley – ele teria confidenciado isso, em 1977, pouco antes de morrer, a uma amiga, quando ambos faziam compras em uma loja londrina.