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Arqueólogos encontram trecho da “Ilíada” de Homero dentro de múmia egípcia

Trata-se da primeira evidência de um texto literário grego fazendo parte do processo de mumificação.

Por Ana Clara Caielli Barreiro 22 abr 2026, 19h00 | Atualizado em 24 abr 2026, 23h50
Arqueólogos encontram trecho da “Ilíada” de Homero dentro de múmia egípcia Priorizar nos meus resultados Google

O sítio arqueológico de Oxyrhynchus (também chamado de Oxirrinco), no Egito, é investigado pela Universidade de Barcelona desde 1992. A instituição realiza missões arqueológicas ao local de tempos em tempos. Localizada a 190 quilômetros ao sul do Cairo, a cidade hoje se chama Al-Bahnasa. As escavações já renderam diversos achados de valor imensurável, que ajudam na compreensão das práticas sociais do Antigo Egito. Entre eles, estão uma série de múmias, objetos religiosos e papiros.

Oxirrinco é especialmente conhecido por seus manuscritos. Lá já foi encontrada uma ampla variedade de documentos sobre a vida cotidiana, textos literários e até fragmentos do Antigo e do Novo Testamentos. Somente a coleção da Biblioteca de Arte, Arqueologia e Mundo Antigo, da Universidade de Oxford, abriga milhares de papiros que vieram de Oxirrinco.

O que não é comum é encontrar esses papiros dentro de múmias. Os pesquisadores da Universidade de Barcelona se depararam com um desses documentos sob o abdômen de uma pessoa embalsamada. Não se tratava de um papel qualquer, mas de um fragmento da famosa Ilíada, poema épico escrito por Homero na Grécia Antiga.

Segundo os pesquisadores, a múmia data de 1.600 anos atrás, quando o Egito estava sob domínio romano.

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Fotografia da
(UNIVERSITY OF BARCELONA/Divulgação)

Essa é a primeira vez na história em que um texto literário grego é identificado como parte do processo de mumificação. A arqueologia já conhecia papiros escritos em grego presentes no embalsamamento das múmias (muitos, inclusive, em Oxirrinco), mas eram sempre de conteúdo ritualístico e mágico – nunca literário.

A equipe que participou da missão, que ocorreu entre novembro e dezembro de 2025, localizou um complexo funerário composto por três câmaras feitas de calcário, contendo múmias e sarcófagos. Na tumba 65 do setor 22 de Oxirrinco estava a múmia alimentada com o poema. Ela é datada de cerca de 1.600 anos atrás, do período romano.

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O papiro foi analisado com cuidado por um grupo de profissionais – entre papirologistas, filólogos, professores e conservadores – em 2026. Eles identificaram que se tratava do livro 2 da Ilíada, especificamente da passagem que lista os navios gregos enviados à Guerra de Troia, conhecido como o “Catálogo dos Navios”.

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Mas o que os gregos têm a ver com os egípcios? Tudo. O Egito era marcado por intensa mistura cultural, e os papiros de Oxirrinco continham diferentes línguas, como grego, árabe, latim, demótico (um tipo de escrita cotidiana do Antigo Egito) e copta, estágio final da língua egípcia clássica.

Assim, o achado indica que essa influência greco-romana também poderia se estender ao âmbito ritualístico.

Em 2024, os pesquisadores da Universidade de Barcelona também identificaram no local 13 múmias com línguas de ouro na boca, que simbolizavam uma preparação para a vida após a morte, e pequenas placas de ouro sobre as unhas. Leia mais neste texto da Super.

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