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Arquitetura orgânica

As curvas, cores e formas dos prédios de Antoni Gaudí, o arquiteto que revolucionou a arte do século XX e a paisagem de Barcelona.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h33 - Publicado em 31 mar 2002, 22h00

Rafael Kenski

SANTA CONSTRUÇÃO

O Templo da Sagrada Família é um dos principais cartões postais da Espanha e o projeto mais famoso de Gaudí. A obra foi iniciada em 1882 e permanece inacabada até hoje: apenas oito das 18 torres previstas pelo arquiteto estão terminadas e o monumento deve ficar pronto só em 2030. Gaudí (1852-1926) era muito religioso e dedicou os 12 últimos anos da sua vida exclusivamente a esse projeto. Tamanha devoção fez o Vaticano autorizar, no ano 2000, o seu processo de beatificação.

MUSEU NA COBERTURA

Gaudí dizia que se a fumaça se retorce ao subir o arquiteto deve ajudá-la a sair fazendo chaminés tortas. As que estão no teto de La Pedrera são o melhor exemplo dessa idéia. Figuras bizarras, do tamanho de um homem, formam uma paisagem surreal, típica do universo de sonhos de Gaudí. Apesar do valor artístico, os donos do prédio, a família Milà, não gostaram da idéia e se desentenderam com o arquiteto no final da construção.

ARTE SELVAGEM

Para Gaudí, originalidade significava retornar às origens. Por esse motivo, o Parque Güell e suas demais construções estão repletos de elementos inspirados na natureza, como animais, cachoeira e pedras irregulares. As cores vivas são uma tentativa de recriar as tonalidades de montanhas e florestas.

As cores vivas, as curvas e as pedras irregulares são representações da natureza

DE PRÉDIO A PEÇA DE MUSEU

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A Casa Battló (foto acima) era um típico edifício do século XIX até ser reformado por Gaudí. Ele acrescentou janelas e varandas e recobriu a fachada com cerâmicas coloridas. No interior, reuniu salas e escadas em um só espaço para aumentar a iluminação e a ventilação. Incluiu telhas em forma de escamas, torres no telhado e, para completar, acrescentou pinturas, mosaicos e painéis por todas as salas.

RECICLAGEM ARTÍSTICA

O Parque Güell foi projetado para combinar o urbanismo, a arquitetura e a natureza em um só lugar. Em vez de aplanar a colina, Gaudí incluiu as irregularidades do terreno na construção. As poucas pedras retiradas durante a escavação foram reutilizadas – junto com tijolos, azulejos e pedaços de cerâmica quebrada – para construir os muros, os bancos e os painéis decorativos, como este ao lado.

AZAR NOS NEGÓCIOS

O empresário e político catalão Eusebi Güell, o principal mecenas de Gaudí, propôs, em 1900, que ambos construíssem uma vila residencial em meio à natureza das colinas da cidade. O empreendimento virou um desastre comercial – apenas três das 60 casas projetadas foram construídas – e, em 1923, ele foi transformado no Parque Güell. Estes bancos (foto à direita) são um exemplo da crença de Gaudí de que “a curva é a linha de Deus”.

Gaudí pode se tornar o primeiro arquiteto a ser beatificado

PEDRAS EM MOVIMENTO

Em 1906, Pere Milà, um importante homem de negócios de Barcelona, casou-se com uma viúva milionária e contratou Gaudí para construir um prédio que celebrasse a ocasião. Surgiu assim a Casa Milà (à esquerda), com sua fachada em forma de ondas e varandas feitas com esculturas de ferro. As pedras que compõem o edifício foram talhadas de forma rústica no próprio local da construção, o que deu ao edifício o apelido de La Pedrera.

ESCULTURA OU ESTRUTURA?

Os prédios de Gaudí são como um único organismo, que combina de forma harmônica os adereços e os elementos de sustentação. As belas colunas da Casa Milà, por exemplo, seguram sozinhas o peso inteiro do edifício, deixando as paredes livres para carregarem esculturas e grandes janelas, que garantem a iluminação das salas.

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