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Asteroide que extinguiu dinossauros fez bem às bactérias

O impacto exterminou 75% de todas as espécies da Terra. Mas, na cratera resultante, microrganismos encontraram um ambiente perfeito para se reproduzir.

Por Bruno Carbinatto
4 fev 2020, 18h26

Há 66 milhões de anos, um enorme asteroide atingiu a Península de Iucatã, no México. O impacto levantou uma enorme nuvem de poeira que cobriu a luz do Sol por 500 dias em todo o mundo, impedindo que as plantas fizessem fotossíntese. Sem energia, elas logo morreram, desestabilizando a base da cadeia alimentar. Em pouco tempo os herbívoros seguiram o mesmo caminho. Depois, foi a vez dos carnívoros. O fitoplâncton nos oceanos diminuiu consideravelmente sua produção de oxigênio, e as temperaturas caíram drasticamente. O resultado de todo esse caos foi a morte de 75% das espécies de seres vivos da Terra.

Mas o cenário não foi apocalíptico para todo mundo. Na Cratera de Chicxulub, onde o asteroide devastador exterminou tudo em sua frente, a vida eventualmente voltou a prosperar – e demorou pouco tempo, segundo um novo estudo publicado na revista científica Geology.

Uma equipe internacional de cientistas encontrou evidências de que cianobactérias – tipos de bactérias aquáticas antes conhecidas como “algas azuis” – ocuparam o local do impacto em um tempo que pode ter sido de dias ou alguns anos após a catástrofe. Em termos geológicos, o intervalo é incrivelmente pequeno.

As primeiras bactérias provavelmente chegaram na cratera trazidas por enormes tsunamis que surgiram como consequência do impacto. A água levou consigo diversos sedimentos e restos de plantas, fungos e estromatólitos (rochas fósseis formadas por microrganismos) – e a mistura resultante formou um ambiente propício para a reprodução da vida microbiana, mesmo que o local fosse escuro e extremamente quente. Em pouco tempo, a cratera estava tomada por cianobactérias.

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O novo estudo só foi possível porque, em 2016, uma equipe de cientistas escavou o centro da Cratera de Chicxulub e retirou mais de 800 metros de sedimentos que ainda estão sendo estudados por diversos grupos ao redor do mundo.

Para a descoberta, os pesquisadores não encontraram “fósseis” das bactérias – elas são muito pequenas e frágeis e raramente deixam registros. Em vez disso, eles procuraram por biomarcadores: substâncias que são fabricadas por seres vivos e que podem ser preservadas por milhares de anos. No caso das cianobactérias, tipos específicos de gorduras produzidos por elas foram encontrados preservados junto aos restos de plantas terrestres e outros materiais trazidos pelo tsunami. 

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Um fato curioso é que as substâncias foram achadas embaixo de uma camada de irídio. Essa cobertura metálica se formou após a poeira que cobria os céus cair de volta à Terra em forma de chuva. Desse modo, as cianobactérias devem ter chego à cratera antes da luz solar ser desbloqueada.

Biomarcadores de outros seres vivos também apareceram em camadas mais superiores – indicando que, após o Sol ser desbloqueado e a fotossíntese voltar ao normal, outras formas de vida passaram a habitar o local, como fitoplânctons, dinoflagelados e outros tipos de bactérias.

A descoberta é condizente com o que sabemos sobre bactérias até então: elas são seres extremamente resistentes e já foram encontradas em ambientes extremos como geleiras e vulcões. A equipe afirma que os resultados ajudam a entender como a vida retorna à normalidade após situações catastróficas e que pretende continuar estudando registros fósseis de outras extinções em massa da história.

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