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Civilização Maia: O congresso de Xochicalco e a Reforma do Calendário

Características da zona arqueológica de Xochicalco, no Estado de Morelos, México, onde a civilização maia controlava seu calendário; ainda, como era esse calendário e os eventos astronômicos do mês.

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão

A zona arqueológica de Xochicalco, no Estado de MoreIos, México, está localizada numa colina a 1300 metros acima do nível do mar. Segundo alguns autores, Xochicalco quer dizer casa das flores e tal denominação parece associada às gravações existentes nos vários monumentos da região: à primeira vista parecem ter características essencialmente florais. Entre as múltiplas e interessantes edificações de Xochicalco, uma em particular se destaca: a pirâmide Superior, com sua forma quase quadrada e seus mais de 20 metros de largura. Ela tem dois pisos. O Inferior chama a atenção por sua decoração aparentemente simbólica, cujo motivo principal é a serpente emplumada – símbolo do Céu e da Terra – esculpida nos quatro lados da pirâmide. Sua construção parece ter sido uma homenagem ao primeiro congresso astronômico do continente americano, realizado naquele local, em 1050, para promover uma reforma nos vários calendários em uso, todos de origem maia. Alguns autores acreditam que os relevos da pirâmide referem-se simbolicamente à correção dos calendários, chamada de bissexta. É que os maias empregavam quatro sistemas simultâneos de contagem de dias: um de interesse civil, com um período de 365 dias; outro religioso, de 260 dias; um terceiro, no qual as datas eram conhecidas num ciclo de 52 anos e, finalmente, outro, de longo período, abrangendo milhares de anos.
Este último era um registro perpétuo que deve ter se iniciado no ano 3113 a.C. Ele equivale ao nosso período juliano, utilizado até hoje para contagem de grandes intervalos de tempo. Baseava-se numa série de ciclos e era tão grande que podia datar qualquer acontecimento sem possibilidade de coincidências. O calendário circular – de curto período – compunha-se de 52 anos solares de 365 dias que começavam no solstício de verão e compreendiam dezoito meses de vinte dias e mais cinco considerados nefastos. Já o calendário religioso tinha 260 dias divididos em treze meses de vinte dias cada um. Havia uma correspondência entre os dias dos dois calendários, de modo cíclico e em ordem preestabelecida.

A cada 52 anos, eles coincidiam no mesmo ponto de partida, quando se iniciava um novo ciclo. Considerando-se que uma revolução completa de Vênus leva 584 dias, os astrônomos maias concluíram que um duplo ciclo de 52 anos coincidia com 65 revoluções daquele planeta. Assim, ao final de dois ciclos de 52 anos cada, ocorria a coincidência do início do ano venusiano de 584 dias, do ano solar de 365 dias, do ano sagrado de 260 dias e de um novo ciclo de 52 anos, que era comemorado com grandes festas religiosas. O mês de vinte dias não se relacionava com as fases da Lua, como no nosso calendário, mas obedecia ao sistema de numeração vigesimal dos maias.
A unidade de tempo era o dia, e os treze meses do ano sagrado correspondiam às treze constelações equatoriais por eles conhecidas. No início, os maias usavam o ano de 360 dias, que denominavam tun, e dividiam o calendário em kins (ou dias) e uinals (ou meses de vinte dias). Seguiam-se os intervalos de tempo: katuns (ciclos de vinte anos), baktuns (ciclo de quatrocentos anos) e pictuns (ciclos de 8 mil anos).

Todos eles constituíam, a cada vez, ciclos vinte vezes maiores. Na verdade, o katun não correspondia a vinte dos nossos anos, mas a vinte anos menos 104,24 dias. O mesmo ocorria com o baktun, que correspondia a 400 anos menos 2096,84 dias. Os astrônomos maias tinham noção exata das correções que deveriam ser introduzidas ao tun de 360 dias para que o ano seguinte obedecesse ao ano solar. Depois do congresso de Xochicalco estabeleceu-se um único calendário.

 

O astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão é membro da Comissão de Estrelas Múltiplas e Duplas de História da Astronomia e de Asteróides e Cometas da União Astronômica Internacional

 

 

EVENTOS DO MÊS

Constelações

Durante o mês, a partir das 20 horas, podemos visualizar Câncer, Cão Menor, Gêmeos, Cocheiro, Touro, Orion, Lebre, Erídano, Pomba, Ave do Paraíso, Triângulo Austral, Altar, Compasso, Mosca, Cruzeiro, Centauro, Carina, Popa, Vela, Lobo, Hidra Fêmea, Corvo, Virgem, Leão, Lince e Ursa Maior. Uma das maiores atrações é a constelação de Argo (Navio) na região sudeste do céu. Por cobrir uma parte muito extensa, ficou difícil identificar suas principais estrelas. Para contornar a dificuldade, o grupo foi dividido em Carina (Quilha), Popa e Vela. Canopus é a estrela mais brilhante da constelação de Carina e além desta brilham outras como Gama da Vela e Eta da Quilha. A primeira, de segunda magnitude, tem dois companheiros, de sexta e oitava magnitude, fazendo dela uma belíssima tripla. Eta da Quilha, dificilmente visível a olho nu, tem um interesse particular: em suas vizinhanças está a nebulosa Buraco da Fechadura, observável com um binóculo. A cruz formada por Epsilon da Quilha, DeIta da Vela, Kapa da Vela e lota da Quilha é um dos grupos estelares de fácil identificação por serem as mais brilhantes da região. Tal grupo é geralmente confundido com o Cruzeiro do Sul.

 

 

Meteoros

Entre os dias 3 e 21 está previsto o aparecimento dos meteoros do enxame Gama Normídeos com radiante na constelação de Norma (Régua). São, em geral, amarelados e deixam rastros. Sua máxima atividade ocorre em 18 de março e a freqüência média é de dez por hora. Outra chuva de meteoros, a Delta Pavonídeos, aparecerá entre 20 de março e 13 de abril. São rápidos, deixam rastros e têm radiante na constelação do Pavão. Melhor observa-los nas noites sem luar e longe das luzes das cidades.

 

 

Fases da Lua

Quarto crescente, dia 3, às 23h05min; Lua cheia, dia 11, às 7h58min; Quarto minguante, dia 19, às 11h30rnin; Lua nova, dia 26, às 16h48min. A luz cinzenta poderá ser observada entre os dias 26 e 28 de março.

 

 

Planetas

Mercúrio: Visível de madrugada, antes do nascer do Sol, até o dia 9 (magnitude: 0,4). Após sua conjunção inferior com o Sol, no dia 19, voltará a ser visível logo após o pôr-do-sol, do lado oeste (magnitude: 1,3)

Vênus: Será o objeto mais brilhante (magnitude: -4,2) do céu matutino, visível antes do nascer do Sol do lado leste. O melhor momento para observá-lo será no fim do mês, quando estará próximo de sua máxima elongação oeste.

Marte: Visível na constelação de Capricórnio como astro matutino, nascendo depois das 2 horas da madrugada, do lado leste (magnitude: 1,3).

Júpiter:
Visível na constelação de Gêmeos, com brilho muito intenso (magnitude: -2,0), logo após o pôr-do-sol até às 23 horas, quando se põe no horizonte.

Saturno: Visível no céu matutino, depois das 2 horas da madrugada, na constelação de Sagitário (magnitude: 0,8).

Urano:
Visível no céu matutino depois da 1 hora da madrugada, na constelação de Sagitário (magnitude: 6,0)

Netuno: Visível na constelação de Sagitário no céu matutino, depois da 1 hora da madrugada (magnitude: 7,8)

Para os iniciantes, a referência para localizar os planetas é a Lua. No dia 5, Júpiter estará ao sul da Lua; em 21 de março, Saturno estará ao norte; em 22, Marte estará ao sul e, em 23, Vênus estará ao norte da Lua.