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Claude-Louis Berthollet e o cloro

Por Da Redação - Atualizado em 31 out 2016, 18h10 - Publicado em 31 dez 1990, 22h00

Durante o período do Terror (1792-1794), a mais negra fase da Revolução Francesa, era comum o Comitê de Salvação Pública, comandado por Robespierre, determinar a execução de inimigos com base em falsas acusações. Certa vez, o Comitê denunciou uma conspiração para envenenar soldados com conhaque, Mas, para punir os responsáveis, era preciso provar a culpa. Por isso, uma amostra da bebida foi enviada para análise ano químico Claude-Louis Berthollet (1749-1822), respeitado por ter descoberto, entre outras coisas, que o cloro tinha propriedades descorantes que podiam ser usadas para branquear tecidos. Junto com a amostra, uma ameaça explícita: Robespierre necessitava da prova e quem desobedecesse seria guilhotinado. Mas Berthollet não se deixou intimidar. Terminada a análise, concluiu que não havia veneno na bebida. Chamado ao Comitê para alterar o laudo, o cientista, irredutível, decidiu mostrar que dizia a verdade e bebeu o conhaque na frente de todos. Irritado, Robespierre gritou: “Como ousa beber esse líquido?” “Muito mais ousei quando assinei o laudo”, respondeu Berthollet. Ele só escapou da guilhotina porque o Comitê precisava de seus serviços.

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