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Conheça a mulher que inventou o tráfico na Colômbia

A “Madrinha da Cocaína” viciou os Estados Unidos, matou dois maridos, traficava droga em lingerie e ensinou Pablito a ser Pablo Escobar

Por Da Redação - Atualizado em 31 jul 2018, 15h38 - Publicado em 22 set 2016, 23h15

Na série Narcos, Judy Moncada, vivida pela atriz Cristina Umana, traficava drogas antes de Escobar ser o homem mais temido (e amado) do país. Judy é uma das poucas personagens fictícias do seriado, mas de fato houve uma traficante que, assim como Moncada, foi a Rainha da cocaína na Colômbia.

Escobar pode ter sido o traficante mais engenhoso da América Latina, mas antes de ele se tornar o grande chefão do tráfico, Pablo seguiu os passos de Griselda Blanco. Impiedosa, violenta e perspicaz, ela foi a pioneira do tráfico na rota Colômbia – Flórida e chegou a ter 1500 traficantes trabalhando para ela. Enquanto ele ainda roubava carros nas ruas de Medellín, Griselda já estava construindo um império de cocaína em Nova York.

Judy Moncada, Narcos

Ela foi a mais bem-sucedida traficante dos anos 1970, uma rara matriarca no crime na América Latina. Em uma época em que as fronteiras eram muito menos fiscalizadas do que hoje, Griselda foi a primeira a enviar cocaína em escala industrial para os Estados Unidos e viciou os americanos.

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A traficante tinha uma loja de roupas íntimas de fachada e inventou uma lingerie com bolsos escondidos para transportar drogas. Muitas de suas “mulas” cruzaram as aduanas com cocaína escondida nas calcinhas. A organização de Blanco foi cotada em US$ 2 bilhões – a “Madrinha da cocaína” chegou a mandar 1,5 toneladas de pó por mês para a terra do Tio Sam.

Griselda Blanco

Mas não se engane pela cara de vovozinha que Griselda ostenta nas fotos de seus obituários, ela ganhou a vida vendendo droga, matando seus inimigos e cobrando suas dívidas da mesma forma que morreu – na base da bala. De acordo com autoridades colombianas, foi responsável pelo assassinato de, no mínimo, 250 pessoas. A criminosa inventou uma técnica para matar que se popularizou no mundo do crime pela facilidade de acertar a vítima e a praticidade da fuga: dois homens em uma moto se aproximavam do alvo, um deles dirige a moto e outro atira, pá!

A fama dela não é à toa, Griselda saiu do nada para virar a Rainha da cocaína. Ela nasceu em 1943, na cidade de Cartagena, mas aos três anos se mudou com a mãe para um bairro pobre de Medellín, a mesma cidade onde cinco anos depois nasceria Pablo Escobar. Na adolescência, Griselda batia carteiras e dava indícios de que seguiria carreira no crime. Aos 11 anos, sequestrou uma criança e pediu uma recompensa em troca do menino. Ao perceber que a família não pagaria pelo resgate, ela simplesmente atirou na cabeça do garoto.

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Griselda saiu de casa aos 14 anos fugindo do namorado abusivo da mãe. Para sobreviver na rua, começou a se prostituir e foi na prostituição que conheceu seu primeiro marido, Carlos Trujillo, a primeira porta aberta na vida de Griselda para o crime organizado. Ele era um trambiqueiro que falsificava passaportes e foi vendo o trabalho de Trujillo que ela aprendeu a gerenciar uma organização criminosa.

Anos depois do divórcio, Griselda matou Trujillo. E esse não foi um caso isolado, ela assassinou seu segundo esposo, Alberto Bravo, com um tiro na cara depois de, supostamente, vê-lo roubando seu dinheiro. Há indícios também de que o terceiro tenha sido morto por ela, após uma tentativa de raptar seu filho caçula Michael Corleone (Não, você não está lendo errado. De fato, foi uma homenagem ao sucessor de Vito nos Estados Unidos). O destino de seus maridos lhe rendeu outro apelido, o de “Viúva Negra”.

Mas Griselda era muito mais que esposa de três e mãe de quatro filhos, ela era uma Corleone de saia, a dona da droga toda. No início dos anos 1970, a criminosa mudou-se para Miami e, de lá, comandava um esquema milionário. Assim como outros grandes nomes do crime, a “Viúva Negra” era dona de uma personalidade ímpar: tinha um cachorro chamado Hitler, joias que pertenceram à Eva Peron, promovia orgias e festas nababescas e não pensava duas vezes antes de matar um cliente caloteiro.

No entanto, em 1985, Griselda foi condenada a mais de 50 anos de prisão por tráfico de drogas e três assassinatos. Do total da pena, cumpriu 19 anos e foi deportada de volta para Medellín em 2004. Ela passou o resto dos anos na Colômbia longe do crime, vivendo de forma discreta. Até que, na tarde do dia 4 de setembro de 2012, na saída de um açougue do bairro Belén, dois homens se aproximaram de Blanco em uma moto e um deles disparou contra sua cabeça. Griselda morreu aos 69 anos como viveu – à queima roupa.

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A colombiana inspirou os documentários Cocaine Cowboys (2006) e Cocaine Cowboys 2 (2008) e ainda atrai olhares de Hollywood: Catherina Zeta-Jones a interpretou em uma minissérie do ano passado.

Hoje, Griselda Blanco e Pablo Escobar dividem terreno nos Jardines de Montesacro, um imenso cemitério de Medellín.

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