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Crânio brasileiro de 9 mil anos revela que índios cortavam cabeças em seus rituais

Os ossos foram encontrados em um sítio arqueológico de Minas Gerais e mostram que a prática ritualizada de cortar cabeças é bem mais antiga do que se imaginava.

Por Ana Luísa Fernandes Atualizado em 4 nov 2016, 18h59 - Publicado em 24 set 2015, 18h15

Um crânio coberto por duas mãos amputadas de aproximadamente 9 mil anos foi encontrado no sítio arqueológico Lapa dos Santos, em Minas Gerais. Seria mais uma descoberta qualquer, se não fosse pelo fato de que a novidade pode alterar tudo que sabemos sobre a prática da decapitação ritualizada nas comunidades indígenas. Antes da descoberta, o exemplo mais recente era peruano, com 4 mil anos de idade. Por isso mesmo, a atividade era vista como exclusivamente andina. Agora, os cientistas já não têm mais tanta certeza de como cortar cabeças virou uma espécie de rito entre os povos indígenas brasileiros e os demais americanos.

O estudo foi liderado por pesquisadores da USP e do Instituto Max Planck, da Alemanha. Eles apontam que há fortes evidências mostrando que o crânio não seria um troféu de guerra, arrancado de um inimigo, mas sim uma ação realizada após a morte, como uma verdadeira prática ritualística. O artigo publicado pelos cientistas na revista PLOS aponta que “na aparente falta de riquezas materiais ou arquitetura elaborada, os habitantes de Lapa do Santo parecem ter usado o corpo humano para expressar seus princípios cosmólogicos sobre a morte”.

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Poucas coisas surpreenderam mais os colonizadores da América do que a exposição de partes do corpo humano, especialmente de cabeças decapitadas. Apesar de esse fenômeno já ter sido visto como implantado pelos próprios europeus, que queriam vender partes dos corpos dos nativos como souvenirs exóticos, agora já se sabe que ele possui raízes cronólogicas mais profundas.

E de quem era a cabeça encontrada? Provavelmente pertencia a um dos povos caçadores/coletores que chegaram na região por volta de 12.000 anos atrás, mas não se sabe ao certo. As próximas fases da pesquisa pretendem ir mais a fundo, para tentar descobrir quem eram e como viviam essas pessoas.

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