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Divididos por barreiras invisíveis

Cordilheiras perdidas criavam ilhas na Amazônia.

A bióloga brasileira Maria Nazareth Ferreira da Silva, do Instituto de Pesquisas da Amazônia, e o biólogo americano James Patton, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, podem ter achado uma boa explicação para a imensa variedade de espécies animais da Amazônia. É que, antigamente, a região era cortada por cordilheiras, hoje soterradas. Os pesquisadores verificaram que das dezessete espécies de roedores e marsupiais estudadas na região do Rio Juruá, onze pertencem a grupos genéticos distintos. O mais curioso é que essa diferenciação não acontece de uma margem a outra do rio, mas ao longo dele. O segredo pode estar no passado longínquo. Entre 2 milhões e 6 milhões de anos, quando os Andes ainda se erguiam, a área era dividida por pequenas cadeias montanhosas. Hoje, tudo o que se vê é uma extensa planície. “A distribuição das espécies coincide com antigas formações geológicas da região”, disse Maria Nazareth à SUPER.