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Felicidade

Os antigos já sabiam que o dinheiro não a compra

Por Da Redação - Atualizado em 31 out 2016, 18h22 - Publicado em 31 ago 2006, 22h00

Nos anos 70, o rei do Butão, uma nação budista espremida entre a China e a Índia, afirmou que “a felicidade interna bruta de um país é mais importante que seu produto interno bruto”. Bem antes disso, Aristóteles afi rmava, há mais de 2 mil anos, que a felicidade é algo que se atinge pelo exercício da virtude, e não da posse.

Um estudo feito nos últimos anos sobre o modo de vida dos americanos comprovou que o filósofo grego estava certo. Há meio século, o sonho de uma família de classe média era ter casa própria, um carro na garagem e pelo menos um filho na universidade. Os dados mostram que o sonho americano se concretizou, mas apesar disso o povo não se considera satisfeito ou feliz. Ainda na Grécia, o que deveria ser uma prosaica carta do filósofo

Epicuro (341 a.C. 270 a.C.) a um amigo acabou se transformando em uma das mais belas e importantes obras da Antiguidade: em Carta sobre a Felicidade, ele afi rma que os caminhos para ser tornar uma pessoa feliz são dois: a saúde do corpo e a serenidade do espírito. Sua idéia de felicidade mudou a humanidade por se opor à de Sócrates, de que a felicidade viria da capacidade humana de suportar a dor e o sofrimento. Epicuro sugeriu um caminho menos doloroso. Já o sábio Gandhi dizia que não existe caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho. Segundo a visão cristã, a felicidade é algo que não alcançaremos neste mundo, mas apenas após a salvação. Estudiosos da religião apontam que, por causa de dogmas assim, a Igreja Católica vem perdendo milhares de adeptos a cada ano no mundo.

A felicidade não é uma posse permanente simplesmente porque não é possível estar bem o tempo todo. Mas ela tampouco precisa ser uma eterna projeção. A felicidade não é uma sensação eterna ou um estado de êxtase. Estar feliz ou triste é um constante ir e vir. Apesar de difíceis, os processos de infelicidade, como constatam psicólogos, também funcionam como um momento de amadurecimento, para se pensar e refl etir as atitudes, as frustrações e os projetos da vida.

Para os budistas, felicidade é a busca do desapego, ou seja, aprende-se a ser feliz limitando os desejos, em vez de tentar satisfazê-los. Hoje é comum nos livros de auto-ajuda definir felicidade como “estar bem consigo mesmo”.

Talvez a melhor idéia de felicidade seja a de um processo, e não um lugar idílico onde finalmente se possa descansar. Ócio nem sempre é sinônimo de felicidade, muitos que param de trabalhar ficam tristes. Ser feliz é achar a distância certa entre o que se tem e o que se quer. Saber administrar os desejos e as habilidades pessoais talvez seja o grande segredo da vida

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