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Gerardus ·t Hooft

O holandês que ganhou o Nobel de física explica sua busca pelas equações que organizam o universo.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h27 - Publicado em 30 jun 2006, 22h00

Salvador Nogueira

Até hoje, a mecânica quântica, a teoria que rege o mundo das partículas elementares, foi confirmada sempre que poucas pessoas ousaram contestá-la. Uma dessas almas corajosas foi Albert Einstein, que desconfiava que as regras malucas, que falam tudo em termos de probabilidades, fossem apenas a sombra de uma realidade mais profunda, e explicável por leis matemáticas que seguem padrões ainda desconhecidos. O físico holandês Gerardus ‘t Hooft, de 59 anos, quer pegar essa idéia de onde Einstein a deixou e continuar na busca dos segredos ocultos da natureza. Cacife ele tem. Agraciado com o Nobel em 1999 por explicar as interações entre o eletromagnetismo e a força nuclear fraca, o físico da Universidade de Utrecht procura pistas de como reunir todas as forças da natureza numa única teoria. Veja o que ele tem a dizer a respeito da idéia das supercordas, atual candidata a “teoria de tudo”, e sobre nossas chances de descobrir por que nosso Universo é como é.

Você vem de uma família de cientistas. Isso o influenciou na escolha da carreira?

Desde muito cedo me interesso pelas leis da natureza. Sempre quis estudar ciência. E o fato de que havia vários cientistas na família me colocou no caminho certo. Meu tio era físico teórico, meu tio-avô ganhou o Prêmio Nobel por uma descoberta em óptica, meu avô materno era um zoólogo muito conhecido.

Seu trabalho reuniu duas forças da natureza. Agora muitos cientistas falam de unir todas as 4 forças existentes numa única teoria. Isso é possível?

Minha meta nunca foi reunir duas forças. Só queria entender como as coisas funcionam. Queria descrever corretamente partículas fundamentais que obedecessem tanto às leis da mecânica quântica como às da relatividade especial. As respostas que encontramos nos permitiram descrever as interações fracas para partículas eletricamente carregadas. O resultado foi que conseguimos reunir a eletricidade e a força fraca.

Fala-se que a Teoria das Supercordas vai fazer essa união de forças. Esse é o caminho?

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Eu discordava dos defensores da Teoria de Cordas porque eles diziam que aquela era a teoria que ia explicar tudo o que existe. Mas eles perceberam que a teoria não ia explicar tudo, por causa do número imenso de soluções possíveis que ela oferece. Não temos como distinguir qual dessas soluções realmente se aplica ao mundo real. Talvez todas elas façam sentido, mas se apliquem a outros tipos diferentes de Universo. A Teoria de Cordas pode ser um ingrediente de uma nova teoria das partículas, mas não o único. Tenho trabalhado em idéias que não são baseadas em cordas, mas que mesmo assim são muito importantes.

Que idéias são essas?

Estou tentando entender a origem da mecânica quântica. Quero saber por que o mundo é mecânico-quântico. Acredito que as leis da natureza não sejam mecânico-quânticas, mas muito mais determinísticas e explicáveis pela matemática. É a mesma suspeita que Einstein teve, mas até agora ninguém chegou a uma resposta satisfatória.

É possível que, no futuro, saibamos por que viemos parar neste Universo especificamente, ou teremos sempre de recorrer a teorias como o princípio antrópico?

Gostaria de ser capaz de responder a essa pergunta, mas não posso. O que temos de fazer, como cientistas, é investigar. Há uma possibilidade de que o princípio antrópico seja simplesmente a verdade, e você terá de viver com isso, mas há a possibilidade de que haja muito mais. Talvez eu não goste do princípio antrópico, mas se a natureza for assim, não há nada a fazer. Temos de deixar a natureza responder a essas questões.

Mas como deixar a natureza responder, se muitas das previsões de teorias como a das supercordas parecem estar fora do alcance dos experimentos?

Tenho um respeito tremendo pela criatividade dos físicos experimentais. Eles conseguiram desenvolver uma série de coisas que eu nunca pensei que fossem possíveis. Há muitos experimentos que parecem inimagináveis e um dia poderão ser realmente feitos, desde que apareçam muitas novas fontes de informação. Sou otimista nesse aspecto.

Cordas?

Segundo a Teoria das Supercordas, todas as forças e partículas são na verdade pequenos filamentos que vibram num espaço-tempo que tem 10 ou 11 dimensões. Ao desenvolver essa teoria, os físicos notaram que existem diferentes versões dela, cada uma refletindo um tipo diferente de Universo. Mas então, por que o Universo é do jeito que é, e não como uma das outras opções oferecidas pelas teorias? Uma resposta é o princípio antrópico. Ele diz que, em outros universos, nossa existência seria inviável. Muitos não gostam dessa resposta, mas a verdade é que hoje ninguém tem a menor idéia de por que o Universo foi “configurado” da maneira como o conhecemos.

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