PREÇO BAIXOU! Revista Impressa + Digital Premium a partir de R$ 10,99/mês. Corre e assine agora!

Hitler proibiu alemães de receber o Nobel – e criou uma alternativa nazista ao prêmio

O jornalista alemão Carl von Ossietzky ganhou a medalha da Paz enquanto estava preso num campo de concentração, mas morreu sem tocar no prêmio.

Por Luiza Lopes 9 out 2025, 14h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h27
Hitler proibiu alemães de receber o Nobel – e criou uma alternativa nazista ao prêmio Priorizar nos meus resultados Google

Adolf Hitler chegou ao poder na Alemanha, em 1933. Nos próximos anos, os nazistas passaram a controlar imprensa, universidades e instituições culturais, impondo censura rígida e perseguindo opositores. Para o Führer, qualquer órgão ou premiação internacional que não estivesse alinhado com o Reich era visto como uma afronta ao regime – e nem mesmo o Nobel, o prêmio mais famoso e prestigiado do mundo, escapou dessa lógica.

Em 1935, a Fundação Nobel premiou o jornalista alemão Carl von Ossietzky com a medalha da Paz. Ex-militar e pacifista, ele havia denunciado que a Alemanha estava reconstruindo em segredo seu poderio militar – uma violação ao Tratado de Versalhes (1919), o acordo de paz assinado após a Primeira Guerra Mundial que proibia o país de possuir aviões de combate e armamentos pesados.

As reportagens de Ossietzky revelaram acordos com fábricas de armas e treinamentos militares ocultos, o que lhe rendeu um processo por traição à pátria. O jornalista foi preso, enviado a campos de concentração e submetido a torturas que agravaram sua saúde já frágil.

Continua após a publicidade

Ao receber o anúncio de que havia ganhado o Nobel da Paz, Ossietzky já estava debilitado pela tuberculose na prisão. Hitler reagiu com fúria: proibiu que o jornalista deixasse a Alemanha para receber o Nobel (a maioria dos prêmios é entregue na Suécia; já a cerimônia para o da Paz é na Noruega). Ele também determinou que nenhum cidadão alemão poderia aceitar um Nobel dali em diante. Como alternativa, criou o Prêmio Nacional Alemão de Arte e Ciência, destinado a laurear feitos que servissem aos interesses do regime e reforçassem a propaganda do Reich.

O caso Ossietzky provocou mobilização internacional. Figuras como o físico Albert Einstein e os escritores H. G. Wells e Aldous Huxley apelaram por sua libertação, mas o governo nazista ignorou os protestos. Em 1936, o jornalista recebeu autorização excepcional para sair da prisão e se tratar em um hospital, mas continuou sob vigilância da Gestapo (a polícia secreta nazista). Ossietzky morreu em 1938, sem jamais ter tido permissão para comparecer à cerimônia em Oslo, tornando-se símbolo da perseguição intelectual promovida pelo nazismo.

Continua após a publicidade

A proibição teve impacto direto sobre o reconhecimento internacional da ciência alemã. Entre 1938 e 1939, três pesquisadores do país chegaram a ser premiados pela Fundação Nobel, mas foram impedidos de aceitar as medalhas.

Continua após a publicidade

Richard Kuhn recebeu o Nobel de Química em 1938 por suas descobertas sobre carotenoides e vitaminas. No ano seguinte, Adolf Butenandt venceu na mesma categoria pelo isolamento de hormônios sexuais como o estrogênio e a androsterona. Em 1939, Gerhard Domagk ganhou o Nobel de Medicina por demonstrar a ação antibacteriana das sulfonamidas, que abriram caminho para o desenvolvimento dos antibióticos modernos.

Eles só receberam as suas medalhas e diplomas após a Segunda Guerra. Ficaram, porém, sem o prêmio em dinheiro, que daria R$ 3 milhões em valores atuais.

Continua após a publicidade
Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional verde-escuro com texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo uma página de notícias e um ícone de árvore verde-claroMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo O mês é do cliente. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).