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Homens de Preto :simpáticos só no cinema

Os misteriosos Homens de Preto destroem todas as provas da existência de ETs. Descubra aqui quem são eles.Mas leia rápido, antes que sua memória seja apagada.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h27 - Publicado em 30 set 2005, 22h00

Aline Ribeiro

TEORIA – Homens de Preto patrulham a Terra

OBJETIVO – Eles apagam da memória humana informações vitais sobre ETs

Existe uma explicação para a falta de provas da existência de vida inteligente em outros planetas. Agentes secretos, comandados por uma conspiração de governos da Terra, são encarregados de eliminar qualquer evidência física da presença de ETs entre nós. São os temidos Homens de Preto, ou MIBs (da sigla em inglês Men in Black). O americano Albert Bender foi um dos primeiros a denunciar o complô, em meados dos anos 50. Diretor da Divisão Internacional de Discos Voadores, uma organização ufológica amadora do estado de Connecticut, Bender estava sozinho em seu quarto quando foi tomado por uma sensação de vertigem dos pés à cabeça. Mesmo nauseado, ele conseguiu avistar a imagem de três homens que se materializaram bem à sua frente. Os sujeitos vestiam ternos pretos de tecido desconhecido, camisa branca e gravata. As faces estavam disfarçadas pela sombra do chapéu de feltro. O pouco que Bender conseguiu observar de suas expressões sugeria que eram estrangeiros, mais precisamente orientais. Eram os MIBs. Os três homens tinham uma missão a cumprir: apagar da mente de Bender todas as informações recentes que ele tinha sobre os extraterrestres. Em questão de segundos, atacado por uma mensagem telepática, o pesquisador de óvnis não lembrava de quase nada. Restava apenas uma sensação de déjà vu, conforme contou dias depois. O que Bender sabia que não poderia ser revelado publicamente? Nem ele se recorda – afinal, os MIBs limparam a sua memória como num passe de mágica. A primeira vítima famosa dos Homens de Preto era dono de um jornal chamado Space Review. Antes da visita dos homens misteriosos, Bender havia obtido informações preciosas sobre discos voadores, as quais pretendia publicar. Imprudentemente, porém, ele enviou uma carta a um amigo com o conteúdo das investigações. Na seqüência, os MIBs apareceram para interrogá-lo. Em mãos, tinham o mesmo relatório que a vítima escrevera ao amigo, além de dados extras, que o pesquisador não havia comentado com ninguém.

O primeiro contato com MIBs ocorreu em junho de 1947. Coincidência ou não, foi naquele mês que o piloto Kenneth Arnold contou ter visto objetos voadores desconhecidos no céu dos Estados Unidos, hoje considerada a primeira descrição oficial de óvnis. Durante a ronda da tarde num barco, o patrulheiro ambiental Harold A. Dahl, seu filho de 15 anos e outros dois tripulantes viram seis naves em forma de rosquinhas sobrevoando a baía deserta de Maury Island, em Tacoma, no estado de Washington. Uma delas parecia estar com problemas e liberou toneladas de fragmentos de um estranho metal preto. Dahl tirou fotos, recolheu amostras e relatou ao seu superior. Eles venderam a história para Ray Palmer, editor da revista Amazing Stories, que contratou Arnold para entrevistar as pessoas em Tacoma. Porém, quando Arnold chegou lá, Dahl disse que não queria falar sobre o assunto, porque desde o incidente ele teve o emprego ameaçado, seu filho quase morreu e sua mulher estava doente. Ele afirmou que, no dia seguinte à visão, foi seguido por um homem vestido de preto até o centro da cidade. “É melhor você esquecer o que viu e parar de falar”, disse-lhe o estranho, rindo, antes de ir embora.

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Quem mandou aqueles homens para pressionar o ufólogo amador de Connecticut e o policial de Washington? O americano Stanton Friedman, estudioso de óvnis desde 1959, garante ter as respostas. Em entrevista à revista UFO, em 2004, Friedman apontou algumas razões de países como Estados Unidos, Inglaterra, Suécia, Itália e México conspirarem contra a revelação da presença extraterrestre no nosso planeta. Os governos desejariam conhecer o funcionamento dos discos voadores, por causa do grande potencial bélico dessas máquinas.

Uma segunda razão para ocultar os óvnis é que determinadas religiões acreditam que somos os únicos seres inteligentes do universo. Os discos voadores, portanto, seriam uma obra do demônio. Nosso despreparo para a presença de ETs é o terceiro argumento para esconder a existência de vida em outros planetas. Os governos não sabem como os terráqueos reagiriam ao aparecimento de seres mais avançados do que nós. Os Homens de Preto teriam um papel importante na manutenção da ordem, ao calar as testemunhas mais perigosas.

Resta uma dúvida: eles são humanos ou extraterrestres? Não se sabe. Eles podem ser homens que desenvolveram poderes passados pelos vizinhos alienígenas ou então ETs a serviço dos nossos governos, em troca de permissão para explorar as riquezas da Terra. Talvez as duas coisas.

Durante o expediente, os misteriosos engravatados usam táticas agressivas. Em 1967, Robert Richardson de Toledo dirigia em uma estrada do estado de Ohio quando bateu num objeto desconhecido e desmaiou. Ao voltar ao local do acidente, ele encontrou um pedaço de metal e enviou para análise em laboratório. Algumas noites depois, ele foi procurado pelos MIBs, interrogado por dez minutos e coagido. “Se quiser que sua mulher continue linda, é melhor entregar o metal para nós e se esquecer da visita”, teriam dito a um assustado Toledo.

O nó dessa teoria conspiratória tem vários pontos desatados. Como as vítimas dos Homens de Preto fazem descrições tão minuciosas se passaram por uma faxina mental? Como Bender recorda que tinha importantes revelações a escrever? Por que os superpoderosos MIBs pediram o metal extraterreno a Toledo e não roubaram diretamente do laboratório de análises? Nas duas partes do filme MIB – Homens de Preto (de Barry Sonnenfeld, 1997 e 2002), as testemunhas de eventos extraterrestres nem se lembram que algum dia estiveram frente a frente com os agentes J e K. Por sinal, os hollywoodianos são bem mais simpáticos. Levando-se em conta a quantidade de pessoas que nos últimos anos vêm relatando visões de naves espaciais, abduções e relações sexuais com homenzinhos verdes, parece que os nossos policiais intergalácticos andam faltando ao trabalho. Se algum dia você topar com J e K pelo caminho, ao menos pode levar para casa os autógrafos de Will Smith e Tommy Lee Jones. Embora não vá se lembrar de onde os conseguiu.

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