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IA identifica bombas que não explodiram na Guerra do Vietnã

Estima-se que, só no Camboja, 64 mil pessoas morreram graças a munições que explodiram tardiamente.

Por SUPER - Atualizado em 28 Maio 2020, 15h46 - Publicado em 17 abr 2020, 00h00

Depois que uma guerra termina, o número de mortos não necessariamente para de aumentar. Tudo porque conflitos podem deixar algumas heranças invisíveis – como bombas ou minas terrestres que não explodiram e, mesmo décadas depois, continuam destrutivas como nunca.

Você, leitor da SUPER, talvez se lembre de uma bomba da Segunda Guerra Mundial que se ativou sozinha na Alemanha em 2019, mais de sete décadas depois do fim do conflito. O artefato estava enterrado em uma lavoura de milho de Ahlbach, na região central do país, e não feriu ninguém.

Mas por que a detonação aconteceu do nada, décadas depois? Conforme as bombas vão ficando mais antigas, elas se tornam mais perigosas. Isso acontece porque os elementos químicos de seu interior vão “decaindo” (perdendo sua composição original), um mecanismo que pode servir de gatilho para o estouro espontâneo.

Pode até parecer que não, mas acidentes do relativamente comuns. Estima-se que minas terrestres que não explodiram durante a Guerra do Vietnã (1955-1975), por exemplo, já deixaram ao menos 64 mil pessoas feridas ou mortas só no Camboja, país vizinho.

Agora, cientistas da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, encontraram uma forma de mapear o local exato onde as minas estão – e evitar novos acidentes.

Eles criaram uma inteligência artificial capaz de identificar, via imagens de satélite, as áreas dos campos minados. O algoritmo consegue mapear, inclusive, aquelas que ficaram tomadas pela vegetação, passando despercebidas na paisagem.

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O novo método foi testado em uma área de 100 quilômetros quadrados em Kampong Trabaek, no Camboja, que foi alvo de bombardeios entre 1970 e 1973. A ferramenta cravou com sucesso a localização de bombas não detonadas em 86% dos casos.

De acordo com outro estudo, de 2017, há em média, no mundo todo, 6,4 mil mortes ou ferimentos por materiais de guerra explosivos todos os anos. 

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