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Mulheres que mudaram a história: Aisha, a teóloga do islamismo

Uma das mais importantes teólogas do islamismo passou quatro décadas divulgando a nova religião. Antes, na adolescência, foi esposa de Maomé

 (Maurício Planel/Mundo Estranho)

O que foi: Líder religiosa
Onde viveu: Arábia Saudita
Quando nasceu e morreu: 612/3-678

Ela foi a esposa favorita do profeta e todos em Medina sabiam disso. Mas a importância de Aisha vai muito além de ter sido a confidente do criador do islamismo. Quando ele morreu, ela tinha não mais do que 19 anos. Passaria outras quatro décadas ajudando a consolidar e divulgar a teologia da nova religião. Também participaria ativamente da política interna dos primeiros sucessores do marido e seria decisiva para desencadear a primeira guerra civil entre muçulmanos.

Aisha parecia predestinada a ser determinante para o Islã. Seu pai, Abu Bakr, e sua mãe, Umm Ruman, estavam entre os companheiros mais antigos do profeta. Foi prometida a Maomé com 6 ou 7 anos (há alguma dúvida sobre a data exata de seu nascimento). Continuou na casa dos pais até 9 ou 10 anos, quando passou a viver com o marido, que tinha 53.

A pouca idade choca, mas era tão comum na Arábia Saudita que, antes de concretizar o acordo com Maomé, a garota já estava prometida para outro homem, Jubayr ibn Mut’im.

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RISADAS E BONECAS

Depois de duas décadas de relacionamento monogâmico, quando se uniu a Aisha o profeta tinha na época outras duas esposas. Terminaria a vida com 11 ou 13, dependendo da fonte, incluindo viúvas de seus companheiros.

Todos os dias, pela manhã, passava pelo apartamento de cada uma para conversar. Mas, sempre que estava abatido ou tinha alguma decisão difícil para tomar, era para o quarto de Aisha que ele corria.

Do lado de fora, podiam-se ouvir suas risadas soltas. Chegou a brincar de bonecas com a esposa. Ela foi também a única mulher diante de quem ele recebeu suas revelações divinas.

O fundador do islamismo faleceu no ano 632. Estava no quarto da mulher preferida – reza a lenda que ele faleceu em seus braços. Aisha nunca mais se casou. Seu pai foi o primeiro líder dos muçulmanos, por dois anos. Ela atuou como consultora dele e também do segundo, ‘Umar. Já o terceiro, o califa Uthman, foi alvo de oposição acirrada, liderada pela viúva.

MÃE DOS CRENTES

Quando Uthman morreu assassinado, ela se envolveu diretamente na guerra que se seguiu contra Ali, o quarto chefe dos muçulmanos. Liderou um exército contra Basra, atual Iraque. Chegou a capturar a cidade e a mandar executar 640 homens.

Mas acabou derrotada na chamada Batalha dos Camelos, realizada no dia 7 de novembro de 656, com mais de 10 mil mortos. Vitorioso, Ali colocou os xiitas no poder pela primeira vez.

Aisha passou o resto da vida sem se envolver mais com as decisões políticas. Dedicou-se a escrever e a falar em público sobre os ensinamentos do marido. Dava aulas de caligrafia e de história, ensinava a recitar o Alcorão (que ela sabia de cor) e era procurada até mesmo por seus conhecimentos de medicina. Liderou dezenas de caravanas de peregrinas mulheres até Meca, a cidade sagrada da religião.

Faleceu na cama, no ano 678. Estava na casa dos 65 anos. Desde então, os muçulmanos a conhecem como Mãe dos Crentes.

 

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SEUS MAIORES ACERTOS

  • Era firme
    Aisha nunca se contentou com o papel de simples esposa. Debatia com Maomé, apontava erros e sugeria mudanças de atitude
  • Estudou muito
    Ela foi uma das mais importantes teólogas do islamismo. Seu grau de estudos e o contato direto com o líder fizeram dela uma referência
  • Defendeu as mulheres
    A viúva do profeta dizia que elas deveriam ser tratadas como iguais. Por isso, fundou uma escola exclusiva para alunas

SEUS MAIORES FRACASSOS

  • Desautorizou o profeta
    Quando uma pessoa procurava Maomé e ele não estava, ela a recebia no lugar dele, sem autorização. A atitude provocava tensão entre os líderes, porque nem sempre Aisha dava as mesmas orientações que seu marido recomendaria
  • Causou uma guerra
    Ao se desentender com o terceiro e o quarto califas da religião, foi decisiva para causar a primeira guerra civil dos muçulmanos. Mesmo quando um acordo era possível, ela insistiu na solução por meio da violência e chegou a seguir pessoalmente para o campo de batalha

Dica de livro
Muhammad, de Martin Lings (Attar Editorial), descreve com detalhes a relação do profeta com Aisha

 

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