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Os Malditos – O bom moço

Ted Bundy se fazia de coitado para gatas universitárias; quando caíam na armadilha, não eram só estupradas: tinham a cara furada, os mamilos arrancados, a vagina perfurada, e acabavam em pedacinhos

Texto Álvaro Oppermann

Quando Ted Bundy (1946-1989) foi condenado à cadeira elétrica, a opinião pública ficou chocada. Era alto (1,83 m), atlético e boa-pinta, além de ter um ar de bom moço. Era formado em psicologia e direito, e ainda por cima era filiado ao Partido Republicano. Enfim, o genro que o americano médio queria ter – não fosse ele um serial killer.

Os crimes de Bundy – cometidos em vários estados americanos de 1973 a 1978 – chocam pela selvageria: vaginas perfurada por canos de metal, mamilos arrancados por mordidas, e corpos esquartejados. Bundy, que confessou ter matado 28 mulheres, as abordava usando uma bandagem de gesso no braço. Pedia ajuda para carregar livros ou compras até o seu Fusca abóbora.

Suas vítimas eram sempre universitárias brancas, magras, bonitas, solteiras, cabelos repartidos ao meio. O perfil exato de uma ex-namorada de Bundy, que o largou em 1968, por ser “inseguro” e “não saber o que fazer da vida”. Filho de mãe solteira, Bundy cresceu achando que os avós maternos eram seus pais, e que sua mãe biológica, Eleanor, era sua irmã.

Em 1974, seu retrato falado foi ao ar num telejornal. A amiga de uma ex reconheceu-o e foi depor na polícia de Seattle. Mas o comissário engavetou o depoimento. Afinal, Bundy branco, instruído e afluente – tinha um perfil “acima de qualquer suspeita”.

Só foi preso em 1975, por acaso, no estado de Utah. Desobedeceu à ordem de um patrulheiro de parar o carro. Foram encontrados no veículo máscaras de esqui e meia-calça, algemas e um furador de gelo – ferramentas para roubar casas, enganou-se a polícia.

Mas Bundy era liso. Escapou duas vezes da prisão: numa, pulou a janela da biblioteca. Noutra, em 30 de dezembro de 1977, fez um rigoroso regime para percorrer um duto de ventilação.

Do estado do Colorado partiu para a Flórida. Em 14 de janeiro de 1978, um sábado à noite, promoveu um massacre no dormitório da Fraternidade Chi Omega, da Universidade da Flórida. Duas mulheres escaparam com vida – a primeira com todos os dentes quebrados, a segunda com lacerações e furos na face. Já outras duas morreram – uma delas com um frasco de spray de cabelo dentro da vagina.

Bundy foi capturado em 31 de julho de 1978 e condenado à morte exatamente um ano depois. Brilhante advogado de si mesmo, conseguiu adiar o inevitável por uma década, por meio de recursos. Foi eletrocutado em 24 de janeiro de 1989, aos 42 anos. Na sua última refeição, comeu um filé, ovos, purê de batatas e café. Na véspera, concedeu uma entrevista ao psicólogo James Dobson, diretor do instituto Focus on the Family, da Califórnia, declarando-se arrependido e dizendo-se convertido ao cristianismo. Mas não contou a ninguém a localização dos corpos de muitas de suas vítimas.