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Pesquisa revela civilizações antigas com até 1 milhão de habitantes na Amazônia

Pela primeira fez, foram encontrados vestígios de povos que viveram longe dos principais rios amazônicos. São fortificações, cerâmicas e até estruturas que só podem ser vistas do céu

Por Felipe Sali Atualizado em 28 mar 2018, 13h04 - Publicado em 27 mar 2018, 18h29

Boa parte da Amazônia ainda é um mistério para os arqueólogos. Por muitos anos, reinou a crença de que a floresta não havia abrigado grandes civilizações antes da chegada dos europeus – como houve no Peru com os Incas; ou no México com os Maias. Acreditava-se, também, que os antigos povos pré-colombianos da região ficavam restritos apenas nas áreas próximas aos principais rios . Estavam errados. Agora, arqueólogos da Universidade de Exeter encontraram evidências de que civilizações com até 1 milhão de habitantes, divididos em diferentes comunidades, viviam no sul da Amazônia, longe dos principais rios, antes da chegada dos portugueses.

  • Os sítios se encontram na bacia do Alto Tapajós, noroeste do Mato Grosso. Brasileiros da Universidade Federal do Pará (UFPA), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Universidade do Estado de Mato Grosso (UEMT) também participaram das pesquisas.

    A descoberta foi possível graças a imagens de satélites que identificaram 81 novos sítios arqueológicos na região. Em seguida, foi realizada uma expedição que encontrou cerâmicas, ferramentas e vestígios de dejetos. Além disso, foram encontrados geoglifos – valas escavadas na terra, que formam desenhos que só podem ser vistos do alto. A teoria é que essas instalações servissem como cenário de rituais.

    Parte das aldeias identificas estão cercadas por valas ou fossos com profundidade entre 1m e 3m , possivelmente para evitar ataques de tribos rivais e animais. Também foram encontrados vestígios da chamada “terra preta de índio”, um tipo de solo gerado por meio da ação humana, como a queima controlada de madeira e o manejo de restos de animais. A terra preta é mais fértil do que a maioria dos solos naturais amazônicos e é comumente usado para cultivo de plantas.

    O fato de existirem vestígios de aldeias fortificadas, terraplanagem e plantações por lá desmente a noção que nós tínhamos de que a floresta tropical era praticamente intocada pela agricultura. Como os índios venceram uma mata tão densa, é difícil dizer. Uma das possibilidades é que o clima com períodos secos da região pode ter facilitado a derrubada de parte das matas, além da terraplanagem.

    As dimensões dos sítios arqueológicos variam entre 30 e 400 metros de diâmetro. Estimam que essas sociedades viveram por volta de 1250 dC e 1500 dC. Ainda falta muito o que descobrir, mas, gradualmente, estamos juntando mais informações sobre a história da maior floresta tropical do planeta.

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