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Pintura saqueada pelos nazistas reaparece em anúncio imobiliário na Argentina

Obra avaliada em mais de R$ 1 milhão pertencia a um judeu holandês, que morreu tentando escapar da perseguição.

Por Ana Clara Caielli Barreiro 14 set 2026, 20h00 | Atualizado em 17 set 2026, 17h22
Pintura saqueada pelos nazistas reaparece em anúncio imobiliário na Argentina Priorizar nos meus resultados Google

Na Alemanha nazista, o roubo de arte representava mais do que saques esporádicos realizados pelos militares. Na verdade, tratava-se de uma medida oficial do governo.

Conhecida como pilhagem nazista, a prática consistia em localizar e roubar coleções de arte, bibliotecas, cerâmicas e joias de museus e de casas de famílias ricas, em sua maioria judias. Ao longo dos anos, milhares de obras foram levadas e, posteriormente, destruídas, vendidas em leilões, encaminhadas a esconderijos secretos, entre tantos outros destinos incertos.

Por isso, muitas dessas obras ainda não foram encontradas e devolvidas aos seus respectivos donos, mesmo mais de 80 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Recentemente, uma dessas pinturas ressurgiu de uma forma um tanto peculiar: em um anúncio imobiliário de uma propriedade litorânea da Argentina.

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Os proprietários anunciaram a mansão na internet. Na foto de uma sala de estar, era possível ver a pintura de uma mulher, bem acima de um sofá verde. O jornal holandês Algemeen Dagblad percebeu que se tratava da obra Portrait of a Lady, do pintor italiano Giacomo Ceruti, roubada de uma galeria privada de arte em Amsterdã e pertencente a um homem judeu chamado Jacques Goudstikker. 

Goudstikker fugiu da Holanda após a ocupação do país pelas forças alemãs, em 1940, e morreu em um naufrágio enquanto fugia com a família. Estima-se que ele teve mais de mil obras roubadas de sua coleção. Até hoje, apenas 200 peças foram recuperadas.

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A obra achada na Argentina foi produzida no século 18 e, desde o fim da guerra, não havia nenhuma informação sobre o paradeiro da peça. Estima-se que o quadro valha mais de R$ 1 milhão.

Hoje, sabemos que Portrait of a Lady estava na casa de Patricia Kadgien, filha do oficial nazista Friedrich Kadgien, responsável por supervisionar as pilhagens nazistas. Assim como diversos outros oficiais, ele fugiu para a Argentina após o fim da guerra. Kadgien morreu em 1978, sem ser julgado por seus crimes de guerra.

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Após ser informada do paradeiro da obra, a polícia argentina investigou a casa – mas a pintura não estava mais lá, muito menos nos anúncios online da propriedade. Eles encontraram, em contrapartida, desenhos e documentos que provavelmente remontam à Segunda Guerra Mundial e que agora estão sendo investigados.

Kadgien e seu marido foram acusados de ocultar a pintura. O caso foi parar na Justiça argentina, que recuperou a obra e ordenou a devolução do quadro para Marei von Saher, a única herdeira sobrevivente de Jacques Goudstikker. Para evitar o julgamento criminal por ocultar o quadro, Kadgien concordou em devolver a pintura, além de doar mais de US$ 3 mil.

A decisão foi inédita para o Judiciário argentino, que nunca tinha restituído obras roubadas pelos nazistas.

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