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Pinturas rupestres de dois mil anos podem ter sido feitas com sangue humano

No sudoeste chinês, um sítio arqueológico a céu aberto pode ter resistido à ação do tempo graças a esse ingrediente incomum

Por Amanda Nascimento 14 ago 2026, 10h00
Pinturas rupestres de dois mil anos podem ter sido feitas com sangue humano Priorizar nos meus resultados Google

Não é por acaso que os nossos antepassados faziam pinturas rupestres em cavernas: a cobertura era um meios de proteção do vento e da chuva. Mas há um sítio arqueológico que sempre confundiu pesquisadores. A Paisagem Cultural da Arte Rupestre de Zuojiang Huashan, no sudoeste da China, é um ambiente a céu aberto. 

Há décadas, arqueólogos se perguntam como essa galeria de arte resistiu à intensa ação do tempo e das intempéries. Agora, em um estudo publicado no Journal of Archaeological Science, eles encontraram o possível motivo.

As pinturas de Zuojiang Huashan, tudo indica, foram feitas com a ajuda de sangue originário do parto humano. Segundo a equipe, as proteínas do sangue teriam ajudado a fixar as partículas de pigmento na rocha, protegendo-as da chuva e do calor durante 2.000 anos. 

Se confirmado, o estudo seria o primeiro a demonstrar a presença de sangue humano de parto em uma arte rupestre antiga.

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Por trás dos artistas 

O povo Luoyue, uma sociedade de matriarcas caçadoras-coletoras, é o responsável pelas pinturas da Paisagem Cultural de Arte Rupestre de Zuojiang Huashan. Elas habitavam o sul da China quando criaram suas obras, ao longo de um período de quase 700 anos, entre o século 5 a.C. e o século 2 d.C. 

As imagens criadas estão distribuídas em um trecho de 260 quilômetros de paredões rochosos à beira do rio, em uma região que sofre com monções frequentes. Ainda assim, a arte permanece notoriamente intacta – o que contrapõe outras cavernas rupestres criadas séculos mais tarde nas demais partes do país.

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Nessas pinturas, podemos observar atividades do cotidiano: homens nus andando, uma figura usando um cocar de penas, mulheres grávidas e tambores e sinos em rituais ancestrais. Sabemos que, pelo menos em parte, estas pinturas eram feitas com o auxílio de argilas, minerais, carvão e ossos carbonizados. Elementos como gordura animal, água ou saliva entravam para dar liga e ajudar na fixação do pigmento nas cavernas. 

Mas os pigmentos de Zuojiang Huashan estavam tão firmemente aderidos à base da rocha que os autores começaram a investigar a origem da estabilidade do material usado. 

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Como base para as análises, ​​eles usaram fragmentos de arte rupestre que se desprenderam naturalmente das rochas. A partir dali, uma projeção de luz infravermelha sobre as amostras mapeou sua composição molecular e examinou sua textura através de feixes de elétrons.

Foi assim que pesquisadores descobriram o passo a passo para a criação de pigmentos desses artistas: primeiro, eles produziam uma pasta de argamassa a partir de calcário e ossos de animais submetidos a tratamento térmico. Depois, a essa base, adicionavam água e sangue para obter uma mistura líquida e homogênea – que atuava na fixação do pigmento. 

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A cor vermelha, por sua vez, parece ter origem em uma argila vermelha local, rica em óxido de ferro.

O interessante é que, nas amostras, ainda apareceram vestígios de duas proteínas, a prolactina e a lactoferrina, que aumentam de nível no corpo humano durante o final da gravidez.

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Já que o povo Luoyue seguia um sistema matriarca e a arte rupestre retratava mulheres grávidas, os pesquisadores especulam que o sangue expelido durante o trabalho de parto era coletado para rituais sagrados de fertilidade. Seriam necessários apenas alguns mililitros desse sangue para cada metro quadrado de pintura.

Apesar disso, não há evidências suficientes de que o sangue seria, de fato, de mulheres grávidas. Isso porque os sinais químicos indicativos de sangue humano eram poucos e não apresentavam as alterações esperadas após 2.000 anos de exposição às intempéries em uma superfície rochosa – o que sugere uma possível contaminação em laboratório.

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