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George Orwell lutou contra o fascismo na Guerra Civil Espanhola

Ele deixou sua vida de ex-policial e escritor pobretão. Durante 6 meses, teve fome, frio e piolhos até na cueca

No Natal de 1936, o britânico George Orwell tirou férias diferentes. Deixou sua vida de ex-policial e escritor pobretão na Inglaterra para lutar contra o fascismo na Guerra Civil Espanhola. Durante 6 meses, teve fome, frio e piolhos até na cueca. Também teve uma bala atravessada na garganta num tiroteio perto de Barcelona.

Como soldado do Poum (Partido Obrero de Unificación Marxista), o que ele menos fez foi combater. O grupo tinha só um bocado de metralhadoras e fuzis velhos. Orwell passava o dia escrevendo memórias, que viraram o livro Lutando na Espanha (Globo).

Os textos mostram que a guerra o inspirou a descer a lenha no totalitarismo e na imprensa, temas de sua obra-prima, 1984. “Toda guerra sofre de uma espécie de degradação progressiva a cada mês que passa, porque coisas como a liberdade individual e uma imprensa confiável simplesmente não são compatíveis com a eficiência militar”, escreveu.

Gringos guerreiros

Outros figurões na Guerra Civil Espanhola

Ernest Hemingway (1899-1961)

Viajou 3 vezes à Espanha como correspondente de guerra. Mesmo como repórter, estava na linha de tiro. Além de ajudar a proteger as Brigadas Internacionais, em Madri, ele rodou o mundo arrecadando dinheiro para as forças de esquerda.

Antoine Saint-Exupéry (1900-1944)

O autor de O Pequeno Príncipe chegou à Espanha no começo da guerra, em agosto de 1936. Lá, defendeu os republicanos, contrários ao general Franco, e escreveu sobre os horrores da guerra a um jornal de esquerda francês.

Apolônio de Carvalho (1912–2005)

Foi voluntário das Brigadas Internacionais de 1937 a 1939. De volta ao Brasil, lutou contra Getúlio Vargas, a ditadura militar e foi um dos fundadores do PT. Apolônio morreu aos 93 anos.