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Engenharia da natureza

Para a biomimética, imitar as tecnologias que os seres vivos desenvolveram ao longo da evolução é a melhor forma de criar objetos sustentáveis

Texto Roberto Saraiva

Animais e plantas têm habilidades incríveis. Ok, isso não é novidade. Mas a biomimética – que é o nome que se dá à ideia de que o homem pode copiar essas habilidades – vem ganhando força desde a década passada. O conceito parte do fato de que 3,8 bilhões de anos de evolução e seus milhões de espécies já deram conta de resolver quase tudo que é tipo de problema.

Uma das mais antigas e famosas invenções inspiradas nos seres vivos é o velcro. A tecnologia foi criada em 1941 pelo engenheiro suíço Georges de Mestral. Ele observou ao microscópio as pequenas sementes que grudavam no pelo de seu cachorro e percebeu que elas tinham dezenas de hastes com ganchos nas pontas, perfeitos para agarrar tecidos. A partir daí, a biomimética deu origem a outras criações. Cupinzeiros capazes de manter temperatura constante sob forte variação no deserto serviram como base para um prédio que dispensa ar condicionado – e isso no Zimbábue! Já a superfície das folhas, que ficam limpas apenas com a água da chuva, gerou tintas, vidros e tecidos autolimpantes – sem precisar de detergente.

“Sempre que formos construir alguma coisa, devemos nos perguntar: o que a natureza faria?”, disse a bióloga americana Janine Benyus em uma palestra no evento de ideias inovadoras TED 2009. E, por meio do projeto AskNature.org, é isso que designers, arquitetos e engenheiros do mundo todo estão fazendo. No site, eles trocam informações com biólogos que estudaram a natureza – e assim conseguem criar produtos eficientes e sustentáveis.