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O mascote ameaçado

A rã coqui sabe como dar uma bela cantada numa fêmea. Mas não descobriu ainda como escapar à degradação de seu habitat natural

Por Da Redação Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
31 out 2004, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 19h04
  • Lilian Hirata

    A rã coqui, símbolo de Porto Rico, é personagem de poemas, canções e histórias e aparece estampada em lembrancinhas vendidas aos turistas. Os porto-riquenhos adoram seu mascote. Mas a importância desse anfíbio transcendeu o aspecto cultural, virando uma questão ambiental. Nas últimas décadas, das 16 espécies de coquis conhecidas, três já desapareceram: o coqui-palmado (Eleutherodactylus karlschmidti), o coqui-eneida (Eleutherodactylus eneida) e o coqui-dourado (Eleutherodactylus jasperi). A principal causa é o desmatamento, que está acabando com o habitat desses animais.

    O coqui-dourado era encontrado somente na Serra de Cayey, onde foi descoberto em 1976. Já no ano seguinte foi colocado na lista de espécies ameaçadas de extinção. Seus hábitos eram noturnos e, como os demais coquis, os machos costumavam coaxar noite adentro, formando um coro barulhento, enquanto as fêmeas permaneciam caladinhas. Ao sinal dos primeiros raios de sol, a bicharada parava a cantoria e ia descansar. O nome coqui se deve ao som emitido pelas rãs: “co, qui, co, qui…”. Dizem que, com o “co”, os machos demarcam seu território; com o “qui”, convidam as fêmeas para o jogo amoroso. Na verdade, só duas espécies (o coqui-comum e o coqui-da-montanha) coaxam desse jeito. Os demais coquis fazem ruídos diferentes para conquistar as fêmeas.

    O coqui-dourado era a rã mais querida dos porto-riquenhos. Além de possuir uma cor dourada uniforme, era a única rã ovovivípara conhecida do hemisfério ocidental. Ou seja, ao contrário da maioria dos anfíbios, a fêmea dava à luz filhotes já formados, e não girinos. Ela produzia os ovos, que ficavam em suas trompas durante todo o período de gestação. Em menos de um mês, os filhotes rompiam a casca do ovo e saíam pelo órgão genital da mãe.

    Essa espécie gostava de viver entre bromélias, que ofereciam um ambiente úmido e perfeito para seu desenvolvimento. Antes de seu habitat ser destruído para dar lugar à agricultura, as rãs podiam ser vistas em pequenos grupos numa mesma planta. Como não ultrapassavam 2,5 centímetros de comprimento, espaço não era problema. Suas minúsculas patas não eram palmadas – ou seja, a rã não possuía natatórias (membrana entre os dedos), de onde se deduz que não tinha uma vida aquática. Aliás, eleutherodactylus, em grego, significa “dedos livres”.

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    Os coquis, em geral, são rápidos e fogem a qualquer sinal de perigo. Isso sempre dificultou o trabalho dos pesquisadores, que passam madrugadas inteiras em busca do pequeno anfíbio. Desde 1981, o coqui-dourado nunca mais foi visto. As buscas de vestígios de sua existência prosseguem, mas, à medida que o tempo passa, as esperanças diminuem.

    Coqui-Dourado

    Nome cientifico: Eleutherodactylus jasperi

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    Ano da extinção: 1981

    Habitat: Serra de Cayey, Porto Rico

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