GABRILA65162183544miv_Superinteressante Created with Sketch.

Oceanos: Imensidão desconhecida

Mais de dois terços da superfície da terra são cobertos pelos oceanos. Mas nós sabemos pouco sobre eles.

Claudio Angelo

Responda rápido: onde é produzida a maior parte do oxigênio do mundo? Onde está concentrada a biodiversidade? Onde se situa a maior reserva de recursos naturais para as gerações futuras? Se a palavra que lhe vem à mente é Amazônia, você errou. Não fique triste. Dificilmente alguém diria oceanos, pelo simples fato de que a humanidade ainda não os conhece direito.

Mas bem que deveria. A enorme massa de água salgada cobre 71% da superfície do planeta, ironicamente chamado de Terra. Foi nos oceanos que surgiram os primeiros organismos, há 3,9 bilhões de anos. E ainda é lá que mora a maior parte das criaturas. De cada cinco espécies de seres vivos, quatro são habitantes dos mares. É quase inacreditável que, apesar de tudo isso, o estudo sistemático dos oceanos esteja tão atrasado. A Oceanografia é uma ciência adolescente, fundada em 1942. O alto custo e os perigos da exploração submarina impediram, durante muito tempo, que os pesquisadores voltassem os olhos para o mar. Ainda hoje, sabemos mais sobre Marte do que sobre a imensidão azul no nosso planeta. Só o número de espécies marinhas desconhecidas pode chegar a 10 milhões. No mar pode estar guardada a cura do câncer ou da Aids. Ou a solução para o problema da fome.

Por ignorância, e também por pura insensatez, o homem cometeu – e ainda comete – todos os tipos de barbaridades contra os oceanos. A pesca foi explorada até o limite. A poluição deixou muitas áreas costeiras em petição de miséria. Centenas de espécies animais, como as baleias, correm risco de extinção. Nas próximas páginas, você verá até onde o conhecimento sobre os mares já chegou. E entenderá por que é tão importante preservá-los.

Cidadão do mar

Entre os 115 figurões que aparecem na foto oficial da segunda Conferência Mundial para o Meio Ambiente, a Eco-92, no Rio de Janeiro, apenas um não era o presidente ou o rei de alguma nação soberana – o cineasta e oceanógrafo francês Jacques-Yves Cousteau (1910-1997). Ele aparece como o “embaixador do mar”, representando os ambientalistas do mundo inteiro. Nenhuma homenagem poderia ser mais merecida. Autor de setenta filmes sobre os oceanos – entre eles O Mundo do Silêncio, premiado com a Palma de Ouro do Festival de Cannes em 1956 –, Cousteau dedicou sua existência a mostrar as maravilhas escondidas debaixo d’água. Foi o primeiro a chamar atenção para o perigo da poluição dos mares. De quebra, inventou (em parceria com Émile Gagnan, em 1943) o aqualung, aparelho que viabilizou o mergulho autônomo. Depois de Cousteau, a humanidade nunca mais enxergou o oceano do mesmo modo. Ele transformou um montão de água num tesouro inestimável.