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Unibanco Ecologia , eles entendem de dinheiro

O Programa Unibanco Ecologia dá dinheiro para pequenos projetos ambientais de maneira simples e completamente desburocratizada. Assim, vai ajudando a mudar a cara do Brasil.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 19h06 - Publicado em 31 Maio 2002, 22h00

Denis Russo Burgierman, de Belo Horizonte, MG

Entre as atividades do Unibanco, não está a proteção de florestas, ou a salvação de espécies da extinção. “O banco entende é de dinheiro”, diz a publicitária Juliana Mayrink, que trabalha no Programa Unibanco Ecologia. Sorte. Afinal, gente que entende de dinheiro é coisa rara no mundo dos ambientalistas, geralmente freqüentado por pessoas cheias de boas intenções, mas pouco afeitas a cifrões. Por colocar dinheiro e conhecimento sobre dinheiro a serviço dessas boas intenções, o Unibanco Ecologia, um programa de patrocínio para projetos ambientais, mereceu o prêmio de melhor empresa da categoria Comunidades do Prêmio Super Ecologia 2002.

A maior virtude do projeto é sua extrema simplicidade. Para receber as doações – em geral valores relativamente pequenos, de 30 000 a 40 000 reais, vez ou outra chegando até 100 000 – tudo o que a entidade ambientalista tem que fazer é ir à agência do Unibanco mais próxima e conversar com o gerente. É ele que vai encaminhar o pedido à sede do Unibanco Ecologia, em São Paulo. Não precisa preencher ficha, escrever projeto nem fazer reuniões em outras cidades. “Com esse esquema, há uma enorme proximidade entre o banco e o projeto”, diz Sandra Martinelli, diretora de marketing do Unibanco e responsável pelo programa há dez anos.

Algo como dez pedidos de doação chegam a São Paulo por mês, quase todos de entidades pequenas e sem recursos. Todos são analisados e um ou dois são aprovados e recebem um ano de patrocínio. O banco então faz suas sugestões, mas é a entidade que decide como trabalhar. Em geral, uma ONG de renome é envolvida no projeto, para prestar assessoria.

O Unibanco Ecologia foi criado há 11 anos, em meio à euforia ecológica causada pela proximidade da Rio-92. De lá para cá, foram 261 projetos apoiados em 134 municípios e 8 milhões de reais desembolsados. O programa tem quatro frentes: projetos de educação ambiental, construção de viveiros de mudas de espécies nativas, coletas seletiva de lixo e projetos especiais, como campanhas “praia limpa” e adoções de áreas verdes. Em 11 anos, 1 milhão de pessoas passaram pelos projetos de educação ambiental, 35 milhões de mudas foram produzidas e 500 toneladas de lixo reciclável recolhidas com o dinheiro do Unibanco Ecologia.

Mas, talvez, o número mais impressionante seja este: 98% dos projetos apoiados continuaram suas atividades depois do término do patrocínio. Ou seja, o programa é mais que um fornecedor de dinheiro. É um berçário de novos projetos e novas ONGs, um multiplicador de iniciativas.

Exemplos não faltam. Um dos primeiros projetos apoiados foi o de coleta seletiva de lixo do Conjunto Nacional, um prédio imenso na famosa Avenida Paulista, em São Paulo. O projeto, implantado há dez anos com o dinheiro do Unibanco Ecologia, existe até hoje e deu tão certo que a síndica do prédio, Vilma Peramezza, virou referência nacional no assunto e hoje dá palestras pelo Brasil sobre como adotar a coleta seletiva. Outro projeto apoiado, também em São Paulo, foi o viveiro de mudas do Parque Villa Lobos. Quando ele começou, o parque era tido como um “deserto gramado”. Localizado numa região de solo pobre – as margens aterradas do rio Pinheiros – era um lugar extremamente árido porque nenhuma árvore crescia. O viveiro mudou isso e hoje o Villa Lobos é uma das principais áreas de lazer da cidade.

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A reportagem da Super foi visitar o centro de educação ambiental da Fundação Zoobotânica, no Zoológico da Pampulha, em Belo Horizonte. Lá, o dinheiro do Unibanco Ecologia serviu para erguer a sede do centro e comprar o equipamento para as visitas de escolas. Nada muito caro ou sofisticado. Mas o suficiente para gerar um movimento constante de visitas escolares. Um passo a mais na direção de criar uma geração de brasileiros ambientalmente mais conscientes.

O Unibanco foi o banco que mais cresceu no Brasil na década de 90. Pulou de 535 000 clientes em 1990 para incríveis 13,3 milhões em 2002. Esse crescimento todo se refletiu no Programa Unibanco Ecologia. Antes, os projetos eram quase todos da região Sudeste, agora estão se espalhando pelo Nordeste e pelo Centro-Oeste. Se há uma crítica a ser feita é quanto ao fato de que, mesmo com esse crescimento todo e com a desvalorização do real, os valores investidos pelo banco no programa continuam mais ou menos os mesmos em real. Que o Prêmio Super Ecologia sirva de incentivo para que esses valores cresçam também.

Não houve vencedor

A comissão julgadora do Prêmio Super Ecologia 2002 decidiu não premiar nenhum projeto de governo na categoria Comunidades por entender que nenhum dos inscritos preenchia inteiramente as exigências do regulamento: relevância, resultados, sustentabilidade e inovação.

Não que eles não tivessem seus méritos. O Projeto Pomar, mantido pelo Governo do Estado de São Paulo, tem tido sucesso em embelezar a cidade com a plantação de mudas nas margens do poluidíssimo rio Pinheiros. Com isso, está aumentando o carinho da população por São Paulo e incentivando atitudes mais ambientalmente corretas.

Mesmo assim, a comissão entendeu que o projeto é “cosmético”, pouco prioritário e caro demais (a maior parte dos recursos vem de empresas privadas). Uma das críticas é quanto à idéia de tratar parte da água do próprio rio para regar as plantas. Alguns membros da comissão consideraram isso uma inversão de prioridades: em vez de melhorar a água do rio para que as plantas nasçam naturalmente, o governo gasta uma nota para forçar o crescimento delas.

Um finalista que merece destaque foi o Projeto Bodozal, um trabalho de educação ambiental mantido pela Escola Municipal Terezinha Moura Brasil, de Manaus. O projeto conseguiu conscientizar a população para que parasse de jogar lixo nos igarapés de Manaus. A direção da escola e os alunos merecem louvores. Mas nossa reportagem, que foi ao local, decidiu que seria um contra-senso premiar pelo projeto a mesma prefeitura que não trata os esgotos da cidade e que cimentou o igarapé, matando-o.

Os finalistas

Essa categoria, foi sem dúvida, a mais equilibrada do Prêmio Super Ecologia 2002. Foi também a que recebeu mais inscrições: 69 no total. A Natura chegou bem perto de ganhar pela forma ambientalmente correta e socialmente justa com a qual tem utilizado a matéria-prima da floresta para fazer cosméticos. O Natureza Preservada, Futuro Garantido, da Kolynos do Brasil, também ficou embolado na disputa. Trata-se de um projeto de doações a entidades ambientalistas que estimula o envolvimento dos funcionários da empresa em atividades ecológicas.

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