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A vez em que a Pepsi adquiriu navios soviéticos e passou a ter uma das maiores frotas de submarinos do mundo

Tudo o que a empresa queria era sucata. Entenda essa história maluca.

Por Victor Bianchin 7 ago 2026, 12h40
A vez em que a Pepsi adquiriu navios soviéticos e passou a ter uma das maiores frotas de submarinos do mundo Priorizar nos meus resultados Google

O Jane’s Fighting Ships é um renomado anuário militar publicado pelo Jane’s Information Group. Ele funciona como um catálogo detalhado de todas as marinhas e forças costeiras do mundo, abrangendo navios de guerra, submarinos, aeronaves e sistemas de armas.

Na edição de 1989, o Jane’s permitia atestar: um país com 17 submarinos teria a sétima maior frota desse veículo do mundo. E quem tinha essa quantidade? Era um empate entre a Índia e um suspeito pouco provável: a Pepsi, empresa de refrigerantes estadunidense.

Bebida zero dá cárie?

 

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O que aconteceu foi que, naquele ano, a PepsiCo Inc., fabricante da Pepsi, adquiriu 17 submarinos, um cruzador, uma fragata e um contratorpedeiro da União Soviética. Recentemente, a internet descobriu essa história e passou a dizer que a Pepsi tinha “a sexta maior frota naval do mundo”. Só que não era bem assim. Primeiro porque, como vimos no início, o recorde era de sétimo lugar, não de sexto, e valia apenas para submarinos, não para a frota naval inteira.

E segundo porque a Pepsi não estava interessada em se tornar uma potência naval. O que ela queria com aqueles navios era apenas uma coisa: sucata.

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A frota era realmente inútil para qualquer outra coisa: os barcos e submarinos eram velhos, pequenos, enferrujados e ultrapassados. Não serviam mais para o uso militar. De fato, assim que adquiriu a frota, a Pepsi imediatamente encaminhou as embarcações para um estaleiro norueguês (ou sueco, não há certeza) para serem desmontadas.

De longa data

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A notícia de que a Pepsi, uma empresa de bebidas, comprou embarcações militares pode parecer estranha, mas o fato é que a relação da companhia com a União Soviética já vinha desde a década de 1970. A primeira parceria entre as duas partes, em 1972, foi a troca de uma quantidade de Pepsi pelo equivalente em vodca russa e também os direitos exclusivos de distribuição no bloco.

Para a Pepsi, era um ótimo negócio: ela ganhava um mercado gigante onde a Coca-Cola ainda não estava e expandia sua marca para além das fronteiras. Para os soviéticos, era uma parceria comercial importante em tempos de reconstrução pós-guerra. E, para o governo dos EUA, era uma ótima manobra geopolítica: levar produtos ocidentais à URSS significava transformar a cultura do país e facilitar a transição para o capitalismo.

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Em 1985, quando Mikhail Gorbachev assumiu o poder na União Soviética, a Pepsi já tinha 16 plantas de engarrafamento por lá. Outras empresas aproveitaram o embalo, como McDonald’s, Pizza Hut e Baskin-Robbins, todas querendo surfar na onda da economia soviética renascida.

Quando os navios foram vendidos para a Pepsi em 1989, a empresa foi apenas um dos clientes: a URSS estava se desfazendo de sua frota obsoleta, muitas vezes por preços irrisórios, porque sua Marinha precisava de dinheiro. Trocar embarcações por refrigerante, nesse contexto, parecia bastante razoável: os navios e submarinos mal valiam seu peso em sucata.

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Naquele mesmo ano, o Muro de Berlim caiu. Em 1991, a URSS foi dissolvida e Gorbachev, obrigado a renunciar. A Pepsi continuou investindo na região: em 2020, reportou uma arrecadação de US$ 3 bilhões na Rússia, hoje seu terceiro maior mercado depois dos EUA e do México. E a sétima maior frota de submarinos de 1989 virou sucata, já que a única coisa com que a Pepsi queria bombardear o bloco eram seus refrigerantes.

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