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Como é uma cirurgia de redesignação sexual?

A idade mínima para fazer a cirurgia é 21 anos. Além disso, o paciente deve ter acompanhamento psicológico, psiquiátrico e endocrinológico e apoio de um assistente social.

Por Bruno Machado
Atualizado em 22 fev 2024, 10h20 - Publicado em 2 nov 2016, 16h09

Pergunta da leitora Hellenn Ady Ianusz, Itajaí, SC
Ilustra Marcos de Lima

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Cirurgia masculina
O procedimento mais comum é a metoidoplastia

Duração: 2-3h
Custo: R$ 45 mil

1. Os médicos fazem uma incisão na pele ao redor do clitóris, de modo a liberar o órgão do osso púbico

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2. Em seguida, se necessário, a uretra é estendida e posicionada ao longo do que será o neopênis

3. Isso é feito a partir de tecidos mucosos da vagina. Os pequenos lábios protegem o enxerto e dão grossura ao pênis

4. Os tecidos dos pequenos lábios também revestem o neopênis. Os médicos fazem uma sutura para uni-los

5. Em geral, a escrotoplastia (criação de bolsa escrotal a partir dos grandes lábios e implantes de silicone) ocorre ao mesmo tempo. Outros procedimentos, como remover o útero, também podem rolar simultaneamente

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6. A cirurgia é relativamente rápida, pouco invasiva e preserva a sensibilidade natural e a capacidade de ereção. Isso ocorre porque, quando estamos no útero, o clitóris e o pênis são uma mesma estrutura (o que define se ele vai se desenvolver como um ou como outro é a exposição à testosterona). Em todo caso, o pênis resultante é pequeno (de 7 a 8 cm)

Alternativa
Outro método é a faloplastia, que usa enxertos da pele, músculos, vasos e terminações nervosas do antebraço ou da coxa do paciente para criar o neopênis. O procedimento, porém, ainda é caro e complexo e, por isso, pouco realizado

Cirurgia feminina
A técnica mais comum é a inversão peniana modificada

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Duração: 7h
Custo: R$ 35-37 mil

1. Os médicos removem os testículos e preservam a pele da bolsa escrotal. Eles também retiram grande parte do pênis, mantendo o tecido nervoso que o reveste

2. Esse tecido nervoso, incluindo o da glande, ajudará a construir o clitóris. O canal urinário também é mantido

3. Depois, os cirurgiões fazem uma incisão entre o reto e a bexiga. Esse espaço abrigará a neovagina

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4. Nessa cavidade, eles acomodam a pele do pênis e a da bolsa escrotal, agora com a aparência de uma manga de camisa

5. Isso dará uma profundidade de cerca de 15 cm e revestirá a neovagina. Os folículos capilares de todo esse tecido são cauterizados, o que impede que pelos nasçam lá dentro

6. Todos os demais tecidos são reposicionados e remodelados. O que restou da bolsa escrotal redefine os lábios. Os médicos fixam o clitóris a partir da glande e de outros tecidos sensitivos e vasculares do pênis. O canal urinário é diminuído e reposicionado

Cenário brasuca
A primeira cirurgia foi em 1971, mas o Conselho Federal de Medicina só se manifestou a respeito nos anos 90. Desde 2008, o SUS faz procedimentos como cirurgia de readequação sexual e terapia hormonal. Naquele ano, foram 101 cirurgias. Em 2014, 3.157. Estima-se que, para fazer a cirurgia no Hospital das Clínicas, em São Paulo (um dos cinco centros que fazem o procedimento), a espera chega a 20 anos. Por esse motivo, muitos pacientes recorrem a cirurgiões particulares

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+ Leia o depoimento de uma brasileira que fez a cirurgia na Tailândia

Burocracia
A idade mínima para fazer a cirurgia é 21 anos. Além disso, o paciente deve ter acompanhamento psicológico, psiquiátrico e endocrinológico e apoio de um assistente social. Também é necessária uma vivência social mínima de dois anos como o gênero com o qual o paciente se identifica. Esse procedimento busca identificar se a cirurgia é realmente adequada, já que a operação é irreversível. Na Tailândia, a burocracia é muito menor, por isso o país é o campeão mundial desse tipo de cirurgia

Termo certo
O nome do procedimento cirúrgico é alvo de debate. Para ativistas transexuais, o mais correto seria chamar de cirurgia de readequação genital, já que a operação modifica o genital, e não o sexo ou o gênero do paciente. Outro termo possível é “transgenitalização”, usado pela Associação Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Há ainda quem fale em “cirurgia de confirmação de gênero”. “Mudança de sexo” é considerado inadequado pela comunidade médica e pela militância transexual.

Consultoria: Matheus Manica, médico cirurgião, Marcio Littleton, médico cirurgião, e Daniela Andrade, ativista transexual.
Fontes: Surgery Encyclopedia, Nlucon, Conselho Federal de Medicina, SRSMiami, Metoidoplasty e Brownsteincrane.

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