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Como era o ritual de canibalismo dos índios tupinambás no Brasil?

À época do Descobrimento, os tupinambás habitavam todo o litoral. Eles transformavam em iguarias os índios, os mamelucos e os brancos que capturavam

Por Tâmis Parron - Atualizado em 11 jul 2018, 14h16 - Publicado em 10 mar 2017, 15h53

Praticada por várias tribos nas Américas, a cerimônia antropofágica tupinambá se tornou um “sucesso” mundial com os relatos do alemão Hans Staden, que viveu de 1553 a 1555 com esse povo e quase foi devorado por ele. À época do Descobrimento, os tupinambás habitavam todo o litoral, desde o Pará até São Paulo. E, nas muitas guerras que disputavam, transformavam em iguarias os índios, os mamelucos e os brancos que capturavam. Para os nativos, ser comido era uma honra reservada a guerreiros. Mas, aos olhos dos colonizadores europeus, nada poderia ser tão diabólico.

Márcio de Castro/Mundo Estranho

1. Ao chegar à aldeia, o prisioneiro tinha que dizer uma frase ritual (veja ao lado). As mulheres raspavam sua sobrancelha e dançavam de alegria. Depois, o cativo podia passar meses vivo, até chegar o momento propício do sacrifício

Márcio de Castro/Mundo Estranho

2. A data do ritual era definida pelos anciãos da tribo. Para “abrilhantar” a cerimônia, na véspera do sacrifício, diversas aldeias eram convidadas e se reuniam para beber o cauim, uma bebida alcoólica feita de milho e mandioca fermentados

Márcio de Castro/Mundo Estranho

3. Chegado o dia, os tupinambás pintavam a testa do prisioneiro e o amarravam pela cintura com uma corda. O carrasco provocava: “Vou matar você, pois sua gente matou e comeu meus amigos”

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Márcio de Castro/Mundo Estranho

4. Se o futuro jantar fosse um índio, a vítima ficaria honrada e diria: “Meus amigos me vingarão”

Márcio de Castro/Mundo Estranho

5. Em seguida, o carrasco pulava para trás do preso e lhe dava uma baita bordoada na cabeça com a ivirapema (um tacape). Os miolos do coitado saltavam para fora na hora. “Executam a vítima como se mata um porco: a porretadas”, afirmou em 1557 o missionário francês André Thevet

Márcio de Castro/Mundo Estranho

6. As mulheres então pegavam o cadáver e o arrastavam para uma fogueira, onde raspavam toda a pele do defunto, até que o tecido ficasse completamente branco. Depois tapavam o ânus do morto com um pau, para que nenhuma porção da preciosa iguaria escapasse por ali

Márcio de Castro/Mundo Estranho

7. Depois de cortados, os membros do morto eram distribuídos entre as mulheres. Partes moles (a língua e o cérebro) ficavam com as crianças. Depois, o açougueiro retirava as vísceras, que eram fervidas até formar um caldo. Sabe como se chamava esse caldinho? Mingau…

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Márcio de Castro/Mundo Estranho

8. O ritual se encerrava com uma “honra ao mérito”: o carrasco ganhava um novo nome e uma cicatriz feita pelo cacique com o dente de uma fera selvagem. Além disso, recebia uma pulseira feita com os lábios do sacrificado!

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