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Como uma viagem de avião afeta o corpo?

Entenda como a altitude, a baixa pressão e a temperatura tampam seu ouvido, ressecam sua pele e potencializam o efeito do álcool

Por Julia Moioli - Atualizado em 21 dez 2018, 19h09 - Publicado em 1 set 2016, 17h16

A maioria das alterações tem a ver com a baixa pressão do ar no interior da aeronave, que diminui a umidade no ambiente e a oxigenação do organismo. Geralmente, a pressão é mantida no mínimo tolerável ao homem (cerca de 30% menor que ao nível do mar). Se fosse maior do que isso, a diferença em relação ao lado de fora faria a fuselagem da nave explodir. A pressão externa é muito baixa, porque, em grandes altitudes, a quantidade de ar e a temperatura são muito menores, diminuindo as colisões entre suas moléculas. Viaje com a gente e entenda o que rola no seu organismo.

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POR QUE O OUVIDO TAMPA?

Normalmente, a tuba auditiva (o canal que liga o nariz ao ouvido) permite a entrada de ar na cavidade da orelha média, para equilibrar nossa pressão interna em relação à externa. Mas nem sempre ela consegue agir rapidamente – em especial, na decolagem e no pouso, quando a variação na pressão é drástica. Aí, o tímpano fica tenso e temos a sensação de abafamento. Bocejar ou mascar chiclete ativa o músculo que abre a tuba, permitindo a entrada de ar.

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POR QUE A PELE RESSECA?

A camada mais externa da pele, chamada epiderme, realiza trocas constantes de umidade com o ambiente. Como o ar na cabine do avião é seco, a tendência é que a água presente na epiderme evapore mais rapidamente. E aí ficamos com a sensação de pele desidratada. (O mesmo acontece com a lágrima, que lubrifica e reveste o olho).

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POR QUE A COMIDA FICA SEM GOSTO?

Porque a baixa umidade e a pressão atrapalham o trabalho das papilas gustativas na língua. Em 2010, a companhia aérea Lufthansa simulou, em terra firme, as mesmas condições de um avião em voo. Descobriu-se que os “passageiros-cobaias” perderam até 30% da habilidade de reconhecer sabores doces e salgados. Sabores azedos e amargos não foram afetados. Apesar de o ar-condicionado filtrar o ar, o contato próximo entre várias pessoas no ambiente fechado facilita a transmissão de doenças.

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POR QUE O CABELO FICA ELÉTRICO?

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O atrito dos corpos com materiais isolantes faz com que percam elétrons e fiquem carregados positivamente. É a chamada energia estática. Isso acontece ainda mais intensamente com o cabelo, que é bom isolante e acaba mantendo cargas positivas conforme os fios roçam entre si. Só que corpos com carga similar se repelem – daí um fio “se afasta” do outro e nosso penteado fica ouriçado. Normalmente, a umidade ajuda a descarregar essa eletricidade, mas no avião a despressurização e o ar condicionado deixam o ambiente seco.

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POR QUE O EFEITO DO ÁLCOOL É MAIOR?

Essa “potência extra” não é consenso entre os cientistas, mas muitos concordam que a baixa de oxigênio desacelera a metabolização do álcool pelo corpo. Ele é eliminado de forma mais lenta e permanece em maior concentração no sangue. Além disso, o oxigênio é vital para o pleno funcionamento dos neurônios. Sem ele, o cérebro se torna mais sensível à bebida.

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EM QUE CASOS PODE OCORRER TROMBOSE?

Mexer as pernas contrai a musculatura em torno das veias e estimula o sistema circulatório. Mas, num voo longo, ficamos muito tempo com os membros parados. Isso, somado à desidratação (que deixa o sangue mais concentrado), facilita a coagulação do sangue – é a chamada trombose venosa profunda. Essa “pelota” pode se desprender, ir para o pulmão e causar uma embolia fatal. Para evitar o problema, mexa-se de tempos em tempos e beba líquidos.

FONTES Harvard Health Publications, University of Mississippi Medical Center e Business Insider

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CONSULTORIA Claudio Furukawa, professor do Instituto de Física da USP, André Malbergier, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Ektor Onishi, otorrinolaringologista da Unifesp, Flávia Bravo, coordenadora do Centro Brasileiro de Medicina do Viajante, Henrique Olival, professor de otorrinolaringologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Luciano Capelli, fisiologista do Centro de Medicina da Atividade Física da Unifesp, Marcone Lima Sobreira, do Departamento de Cirurgia e Ortopedia da Faculdade de Medicina de Botucatu – Unesp, Mônica Linhares, dermatologista e diretora do Espaço Saúde Rio, Paula Azevedo Gaiolla, professora de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Botucatu – Unesp), Renato Neves, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos, em São Paulo, e Tatiana Oddo, dermatologista especialista pelo Colégio Brasileiro de Medicina e Cirurgia Estética.

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