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Maluquice na Copa: a única vez em que um jogador precisou de três cartões amarelos para ser expulso

Juiz se confundiu por causa do sotaque do atleta. Entenda

Por Victor Bianchin 22 jun 2026, 08h12 | Atualizado em 23 jun 2026, 14h28
Maluquice na Copa: a única vez em que um jogador precisou de três cartões amarelos para ser expulso Priorizar nos meus resultados Google

A Copa do Mundo está cheia de histórias curiosas dentro e fora de campo, como a do cachorro que urinou no ponta britânico Jimmy Greaves em 1962 após invadir o campo, ou a do jogador uruguaio expulso com apenas 56 segundos de partida em 1986. Bons casos não faltam para entreter os amigos na mesa de bar.

O causo que vamos abordar aconteceu na Copa de 2006, disputada na Alemanha. Ele pode ser resumido como, provavelmente, o maior erro de arbitragem da história das Copas. E não estamos exagerando.

A partida entre Croácia e Austrália era válida pela última rodada da fase de grupos. As duas seleções disputavam o segundo lugar, já que o Brasil havia ficado em primeiro e já estava classificado. Quem vencesse ficaria com a vaga restante.

Para apitar a partida, foi chamado o árbitro britânico Graham Poll, um veterano que já havia participado da Copa anterior e participado de jogos importantes no continente europeu, como a final da Copa da UEFA. Uma aposta segura para um jogo desse calibre.

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O erro bizarro

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A Croácia abriu 1 a 0 logo no comecinho do jogo e a Austrália empatou aos 39 min. Depois do intervalo, aos 61 min, o zagueiro croata Josip Šimunić fez uma falta no australiano Harry Kewell e recebeu cartão amarelo. Os dois times voltaram a marcar e deixaram o placar em 2 a 2. Tudo normal até aí. 

Aos 90 minutos, porém, com o jogo quase acabando, as coisas complicaram. Šimunić derrubou o centroavante Mark Viduka em um lance de ataque. Graham Poll sacou novamente o cartão amarelo e o mostrou ao jogador.

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O destino estava traçado: dois amarelos resultam em um vermelho, certo? Uma das regras mais básicas do futebol.

Mas Poll, em vez de mostrar o vermelho a Šimunić, reiniciou a partida e deixou o jogador continuar em campo. Ninguém entendeu o que estava acontecendo. O narrador da BBC, Guy Mowbray, foi contando a confusão ao vivo: “Šimunić saiu andando? O vermelho está confirmado. Acho que Poll ainda não tirou o cartão vermelho do bolso. Ele mostrou o amarelo, mas se esqueceu que Šimunić já tinha sido advertido. Tenho certeza de que Šimunić tinha sido advertido!”.

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Nem Poll, nem seus dois assistentes, nem o quarto árbitro perceberam o erro. Os jogadores ficaram meio confusos, mas o jogo seguiu.

Nos acréscimos, já depois do apito final, Šimunić aproximou-se de Poll reclamando de forma agressiva e chegou a empurrá-lo levemente. O árbitro então fez o que qualquer juiz faria: tirou mais um cartão amarelo do bolso.

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Naquele momento, ele percebeu o absurdo: aquele era o terceiro amarelo para o mesmo jogador. Só então Poll mostrou o cartão vermelho e expulsou Šimunić.

Explicações

Em sua autobiografia de 2007, “Seeing Red”, Poll relembrou o episódio e tentou explicá-lo. “Meu sistema sempre foi identificar as equipes no meu caderno pelas cores e não pelo nome. É um sistema que, acredite ou não, evita confusões. Então, em Stuttgart, anotei ‘Vermelho/Branco’ para a Croácia no topo da coluna da esquerda e listei os números dos jogadores abaixo. Na coluna da direita, anotei ‘Amarelo’ para a Austrália e listei seus números. Assim, quando dei o primeiro cartão amarelo para Šimunić, anotei corretamente um ‘C’ de cartão amarelo para o jogador número 3 do Vermelho/Branco na coluna da esquerda e marquei o tempo – ’16/2′ (16 minutos do segundo tempo)”.

“Nos acréscimos, dei outro cartão amarelo para Šimunić – mas, desta vez, como percebo agora, registrei errado. Coloquei o ‘C’ ao lado do amarelo 3, alinhado com o vermelho/branco 3, que já tinha um ‘C’ ao lado. Não anotei o tempo nem a infração.”

Ou seja: o segundo amarelo do croata contou para o lado australiano.

“Embora eu tenha repassado o incidente mil vezes na minha cabeça, eu realmente não sei por que fiz o que fiz. Não consigo entender completamente por que errei e por que não expulsei o Šimunić. Ele certamente fala com um forte sotaque australiano. Talvez, só talvez, seja aí que a confusão começou.”

De fato, Šimunić tem cidadania croata, mas nasceu e foi criado na Austrália, de modo que herdou o sotaque ao falar inglês. Não que isso justifique o erro, mas ajuda a explicar.

O jogo terminou 2 a 2 e a Austrália ficou com a vaga. Poll, que estava cotado para apitar a final do Mundial, pediu à Fifa para ser dispensado do torneio no mata-mata e teve o desejo atendido. Depois do episódio, ele não quis mais apitar jogos internacionais e se aposentou por completo um ano após o ocorrido.

Em entrevista na zona mista depois do jogo, Šimunić admitiu que não tinha percebido imediatamente que já havia recebido dois amarelos. Segundo ele, a partida foi tão caótica que simplesmente continuou jogando quando Graham Poll mostrou o segundo cartão. Em entrevistas posteriores, ele disse que leva o episódio com leveza. “Meu sotaque australiano me ajudou”, declarou ele em 2020.

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