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Mulheres que mudaram a história: Hildegarda de Bingen

Hildegarda de Bingen foi mística, madre superiora de dois mosteiros e uma das maiores estrelas da Europa. Escreveu peças, óperas e tratados de medicina

Por Tiago Cordeiro Atualizado em 14 fev 2020, 17h28 - Publicado em 6 mar 2018, 15h33
Maurício Planel/Mundo Estranho

O que foi: teóloga
Onde viveu: Alemanha
Quando nasceu e morreu: 1098-1179

Ela é uma das primeiras compositoras de ópera da história. Foi abadessa de dois mosteiros, que ela mesma desenhou. Escreveu livros de medicina, teologia e filosofia. Trocou mais de 400 cartas com papas e reis.

Hildegarda de Bingen foi uma espécie de popstar de seu tempo. Só foi beatificada em 1940, mas desde a Idade Média era considerada uma santa importante. Já foi citada por diferentes pontífices, incluindo João Paulo 2º e Bento 16, como uma doutora da Igreja.

A religiosa nasceu em Bermersheim vor der Höhe, na atual Alemanha. Desde os 3 anos tinha visões – na verdade, ela as descreveria como experiências sensoriais completas, que alteravam seus cinco sentidos.

 

  • ABADESSA JOVEM

    Logo aos 8 anos ela foi dedicada à vida religiosa. Era muito próxima de sua superiora, Jutta de Sponheim. Foi eleita abadessa aos 38 anos, quando Jutta faleceu. Mas as irmãs viviam em uma ala da construção dos freis, em Disivodemberg.

    Ela batalhou para conseguir autorização para construir seu próprio mosteiro, exclusivamente feminino, em Rupertsberg. Para isso, precisou desautorizar seu chefe e contatar diretamente o bispo. Mudou-se para a casa nova em 1150.

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    Ali ela compunha peças de teatro e obras musicais e cuidava da saúde das moradoras. Não confiava no rio da região e prescrevia que as pessoas bebessem cerveja. Para se comunicar em código dentro do mosteiro, criou seu próprio idioma, que ela chamou de Lingua Ignota (latim para “língua desconhecida”). A procura foi tão grande que em 1165 ela abriu uma filial, um mosteiro em Eibingen.

    A respeito das visões, Hildegarda conseguiu autorização papal para descrevê-las. Publicou então três obras, em que relatava o que via e sentia e relacionava tudo a trechos das Sagradas Escrituras. Em seus textos, ela descreve a criação do mundo, o pecado original de Adão e Eva e as canções entoadas nos céus por corais de anjos. Também descreve o retorno de Jesus e sua versão pessoal do Apocalipse.

    MADRE POP

    Também é autora de dois livros de medicina, em que defende que a saúde dependia de um conjunto de fatores, incluindo a higiene, uma vida emocionalmente equilibrada e muita oração. Descreveu diferentes chás, infusões e unguentos, detalhando a aplicação de cada um. Ela detinha um vasto conhecimento de botânica e ainda arranjou tempo para descrever diferentes espécies de peixes, répteis e mamíferos.

    A religiosa era tão popular que muitas mulheres a seguiram como fãs fazem hoje com seus ídolos da música e da TV. Quando ela faleceu, em 17 de setembro de 1179, estava de cama. O quarto, lotado de freiras. Várias delas disseram ter visto dois raios de luz surgindo do céu, como se formassem um caminho para a alma da religiosa.

    A madre famosa agora batiza um planeta, o 898 Hildegard, e um gênero de plantas chamado Hildegardia.

     

  • SEUS GRANDES ACERTOS

    • Atraiu multidões
      Esqueça a imagem tradicional da religiosa enclausurada. As turnês de pregações públicas de Hildegarda reuniam centenas de fiéis
    • Defendeu as mulheres
      A palavra nem existia, mas a freira era feminista. Descreveu a relação sexual e o orgasmo do ponto de vista das mulheres
    • Pediu reformas
      Séculos antes de Martinho Lutero dar início à Reforma Protestante, em 1517, ela já reclamava dos abusos dos líderes da Igreja

    SEUS GRANDES FRACASSOS

    • Foi elitista
      Com o argumento de que queria evitar conflitos sociais entre suas freiras, ela não aceitava religiosas que não viessem da alta nobreza. Com isso, só lidava com as filhas das pessoas mais poderosas e influentes, o que lhe trazia prestígio
    • Misturou fé e ciência
      Numa época em que a medicina da Europa já tinha uma certa autonomia em relação à religião, ela ainda defendia que as doenças eram culpa de Adão, o primeiro homem segundo a Bíblia, e que as mulheres carregavam o pecado original e mereciam sofrer as dores do parto

    Dica de filme
    Barbara Sukowa vive Hildegarda em Visão, uma produção alemã dirigida por Margarethe von Trotta

     

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