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O que há no subsolo de uma grande cidade?

SUB – Nos primeiros nove metros abaixo da terra, o subsolo é um emaranhado de fios e canos

TOP SECRET

Em várias metrópoles do mundo, é difícil conseguir mapas atualizados e confiáveis dos subterrâneos, já que os encanamentos podem ter séculos de idade. Mas em Nova York mesmo quem tem os mapas não os libera. O medo de um atentado terrorista faz com que a rede de distribuição de água encanada para as casas seja protegida pelo Estado

LUXO NO LIXO

As galerias pluviais, que recolhem a água da chuva, e a rede de esgotos viraram galerias – de arte! – em São Paulo. Elas são construídas em forma de escadinha, para que a água desça com a força da gravidade. Zezão, um grafiteiro famoso, faz arte nessas quebradas. Para ver suas obras, só com galochas e capa de chuva

ESPIADINHA NO BUEIRO

Bueiros são as portas de entrada para quem trabalha na manutenção lá de baixo. Neles, só passa uma pessoa, e a profundidade varia. Boa parte desses buracos leva a túneis que dão acesso a redes diferentes, mas alguns são específicos para esgotos. Nem sempre dá para fazer consertos via bueiro – aí o jeito é abrir um buraco na calçada mesmo

SUB DO SUB – Dos 9 aos 50 metros subterrâneos, o espaço é ocupado por construções que não ficam nada a dever a seus pares sobre a terra

REALIDADE PARALELA

Em Montreal, no Canadá, os prédios comerciais começaram a fazer ligações diretas com o metrô nos anos 70. O expediente virou moda, e logo quase todo o centro da cidade estava interligado pelos subterrâneos. Hoje, são 32 quilômetros de túneis, por onde andam meio milhão de pessoas por dia – uma boa para escapar do frio intenso no inverno ou do calor no verão

PROTEÇÃO ANTIBOMBA

A Guerra Fria acabou, mas uma lei obriga, até hoje, todas as cidades da Suíça a ter abrigos antinucleares. No subsolo da pacata Sonnenberg, portas pesando 350 toneladas nos túneis rodoviários dão acesso ao maior deles, que tem toda a infra-estrutura (até pronto-socorro) para abrigar 20 mil pessoas e resistir a uma explosão 70 vezes maior que a de Hiroshima

SUB DO SUB DO SUB – Quando a profundidade passa de 50 metros, há desde cidades soterradas a reservas gigantes de água

TINHA UM BARCO NO MEIO DO CAMINHO

Há dois anos, quando cavavam um túnel para ligar as duas partes de Istambul – separadas pelo estreito de Bósforo, a 70 metros de profundidade -, os turcos descobriram nada menos que um porto, com barcos perfeitamente conservados. Tiveram de parar a obra. Em cidades antigas, ruínas históricas importantes acabam sendo uma pedra no meio do caminho de esgotos ou do metrô

ESTAÇÃO CATACUMBA

Nem só de glamour vive Paris. No século 18, o então prefeito usou as pedreiras abandonadas da cidade para jogar lá o corpo de pessoas que morriam por doenças contagiosas. Hoje, há ossadas de 6 milhões de pessoas nas catacumbas, que ficam a até 20 metros abaixo da linha do metrô. Os buracos das ex-pedreiras são tão profundos que os trilhos têm pontes para passar sobre elas

NO FUNDO DO POÇO

Com até 1,5 quilômetro de profundidade, o aqüífero Guarani ocupa 1,2 milhão de quilômetros quadrados do subsolo de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. É uma das mais importantes fontes de água doce por aqui – só no estado de São Paulo, 72% dos municípios são abastecidos por ele. Para isso, foram perfurados mais de mil poços, que chegam a ultrapassar os 100 metros de profundidade