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Pode existir um planeta com mais de uma estrela?

Por Marina Motomura e Daniel Rosini - Atualizado em 4 jul 2018, 20h22 - Publicado em 5 nov 2008, 16h20

Sim, e eles existem. Astrônomos já acharam evidências de objetos semelhantes a planetas ao redor de pares de estrelas que “atuam juntas”, chamadas estrelas binárias. Pelo menos 50% das estrelas do Universo são binárias – as solitárias, como o Sol, são minoria. Há sistemas com até seis estrelas juntas! Mas o fato de ter várias estrelas não garante que o planeta ao redor delas possa abrigar vida. Para que isso aconteça, os cientistas calculam a zona habitável, área em que as variações de temperatura da superfície do planeta fiquem entre 0 e 100 ºC. Esse é o intervalo em que a água é encontrada em estado líquido, pré-condição, até onde se sabe, para a vida. Nos sistemas binários, há duas situações possíveis para um planeta existir e, quem sabe, ter água e vida. No primeiro cenário (ao lado), as duas estrelas estão bem próximas uma da outra, e no outro, elas estão distantes. Este é o caso de Alfa Centauri, com três estrelas: Alfa Centauri A, B e C (mas esta última tem massa tão pequena e fica tão distante das outras que não afeta o conjunto). Como são as estrelas mais próximas de nós e têm tamanho semelhante ao do Sol, são bastante estudadas pelos cientistas, que só não encontraram – ainda – um planeta por lá.

SISTEMA SOLAR

Entenda como a estrela afeta a temperatura e a órbita da Terra

Antes de entender os sistemas binários, é preciso saber como funciona o nosso. No sistema solar, a zona habitável varia de 0,95 a 1,37 unidade astronômica (uma unidade astronômica é a distância da Terra ao Sol, cerca de 150 milhões de quilômetros). A Terra, bingo!, é o único planeta dentro dessa área. A atração gravitacional que a massa do Sol exerce sobre nosso planeta provoca pequenas pulsações (de cerca de 0,0001 unidade astronômica) na órbita

DOSE DUPLA CONCENTRADA…

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Como seria um sistema “bissolar” com duas estrelas próximas entre si no centro

ÓRBITA ESTÁVEL

Com as duas estrelas a cerca de 0,1 unidade astronômica de distância uma da outra, um planeta consegue ter órbita estável, porque as estrelas se comportam como se fossem uma só, e não há atração gravitacional em sentidos opostos

ÓRBITA INSTÁVEL

O problema acontece se a distância aumentar, gerando instabilidade no percurso. Com isso, podem rolar duas situações: ou o planeta é engolido por uma das estrelas e morre, ou é expulso do sistema, vai para o espaço interestelar e congela

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CALOR

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A temperatura média da Terra é de 15 ºC, dentro dos 0 a 100 ºC da zona habitável. Para mantê-la, a distância do planeta à estrela no máximo poderia aumentar para 1,4 unidade astronômica, pouco menos que a distância atual de Marte ao Sol (1,6 unidade)

511 DIAS POR ANO

Com a órbita mais distante do Sol, o ano teria duração 40% maior. Dos 365 dias atuais, o calendário aumentaria para 511 dias! Já pensou cinco meses de 42 dias e sete de 43? E você reclamando que o mês demorou a passar…

…E DOSE DUPLA A DISTÂNCIA

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Como seria um planeta em um sistema parecido com o de Alfa Centauri

ÓRBITA ESTÁVEL…

Para que o planeta tenha uma órbita estável, seria necessário que as duas estrelas estivessem a pelo menos 7 unidades astronômicas de distância uma da outra (a distância entre Alfa Centauri A e B vai de 11 a 35 unidades astronômicas

…MAS NEM TANTO

Com duas estrelas com massa do tamanho do Sol exercendo atração gravitacional para lados opostos, a elipse do planeta ficaria mais instável. De 0,0001 unidade astronômica de pulsação hoje, esses desvios cresceriam para 0,01 unidade astronômica

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NÊMESIS, A IRMÃ DO SOL

Teoria afirma que sistema solar é binário

Nos anos 80, o físico americano Richard A. Muller sugeriu que uma das causas para as extinções em massa que atingem a Terra a cada 26 milhões de anos seria o fato de que vivemos em um sistema binário! Segundo ele, o Sol tem uma estrela companheira, Nêmesis, bem menor, menos brilhante e longe daqui. Mas, a cada 26 milhões de anos, o percurso dela se aproximaria de nós, zoando a órbita de cometas, que cairiam sobre nosso planeta. A última vez que Nêmesis teria passado aqui perto teria sido na extinção em massa dos dinossauros

DURAÇÃO DOS DIAS

A duração dos dias depende mais do movimento de rotação do planeta em torno de si do que das estrelas ao redor. Mas, dependendo da época do ano e da posição da segunda estrela, pode haver períodos em que nunca escurece, já que as estrelas cercariam o planeta pelos dois lados, iluminando toda sua superfície

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547 DIAS POR ANO

Para que a órbita de um possível planeta ao redor de Alfa A fosse estável, ela teria que ter entre 1,2 e 1,5 unidade astronômica de raio. Se a estrela central fosse Alfa B, o raio seria menor, de 0,7 a 1,1 unidade astronômica. Assim, o ano “A” teria de 438 a 547 dias, e o ano “B” de 255 a 401 dias

PORES-DO-SOL

Já imaginou um dia com dois pores-do-sol? Com duas estrelas, isso seria freqüente! A primeira estrela a se pôr não chamaria muita atenção, já que, enquanto ela se fosse, o céu continuaria claro pelo brilho da segunda. O pôr-do-sol da segunda estrela seria, sim, espetacular, com o céu já escuro

CALOR

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Com duas estrelas no céu, a estabilidade climática do planeta já era – as temperaturas mudariam drasticamente dependendo do grau de aproximação entre as estrelas. Microorganismos, mais resistentes, conseguiriam sobreviver. Mas a ciência ainda não sabe dizer se animais complexos conseguiriam agüentar o esfria-esquenta

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