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Quais obras foram censuradas na ditadura?

Qualquer obra diferente era vista com suspeita, e muitas foram completamente vetadas

Por André Bernardo Atualizado em 14 fev 2020, 17h46 - Publicado em 8 Maio 2013, 17h28

Centenas, entre filmes, livros, músicas, peças e outras obras. O jornalista e escritor Zuenir Ventura apurou que, durante os dez anos de vigência do AI-5 (1968-1978), cerca de 500 filmes, 450 peças, 200 livros e mais de 500 letras de música sofreram veto. Os critérios eram obscuros: cenas de sexo, palavrões e a sugestão de propaganda política eram as justificativas mais comuns, mas pretextos vagos, como “atentado à moral e aos bons cos- tumes” e “conteúdo subversivo”, também eram usados. O órgão res- ponsável era a Divisão de Censura de Diversões Públicas, que durou até 1988, ano em que a Assembleia Nacional Constituinte pôs fim à censura.

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Comunistas por tabela

A encenação de Romeu e Julieta pelo Ballet Bolshoi seria transmitida pela TV em 1976, mas foi vetada pelo ministro da Justiça da época, Armando Falcão. A explicação: o Bolshoi era uma companhia russa, e a Rússia fazia parte da União Soviética, que era comunista. Logo, a peça podia ser comunista também.

A campeã dos vetos

Falecida em 2002, Cassandra Rios é a escritora mais censurada do Brasil. Em 1976, ela teve 33 de seus 36 livros proibidos pela ditadura. Os censores alegavam “temas atentatórios à moralidade pública” para vetar livros apimentados, como O Prazer de Pecar. Homossexual, Cassandra chegou a ser condenada à prisão.

Caminhando calado

A música Pra Não Dizer que Não Falei das Flores (Caminhando) foi proibida por causa do conteúdo subversivo. O autor, Geraldo Vandré, foi para o exílio e por muito tempo acreditou-se que ele tivesse sido torturado pelos militares, o que o artista negou há pouco. A canção virou um símbolo da oposição à ditadura.

Bandido obsceno

O movimento artístico Cinema Novo foi um dos alvos preferidos da ditadura. A maioria dos cineastas da época, como Glauber Rocha e Joaquim Pedro de Almeida, teve pelo menos um de seus filmes censurados. O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla, foi retalhado devido às cenas de sexo e nudez.

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Bolinhas na laranja

Dirigido por Stanley Kubrick, Laranja Mecânica foi lançado em 1971 e duramente censurado em vários países. Barrado pelo governo Médici, o filme só conseguiu liberação por aqui em 1978. Mesmo assim, bolinhas pretas cobriam os seios e a genitália dos atores nas cenas de nudez do filme.

Uma peça pregada

Em 1968, uma apresentação da peça Roda Viva, escrita por Chico Buarque, já tinha terminado quando um grupo paramilitar invadiu o teatro em São Paulo e depredou o cenário. Dias depois, a atriz Norma Bengell foi sequestrada e agredida. No dia 3 de outubro do mesmo ano, Roda Viva foi proibida em todo o país.

Década Perdida

Por meio de grampos telefônicos, os militares descobriram que a novela Roque Santeiro, prevista para estrear em 1975, era baseada em uma peça de teatro censurada. Roque acabou só indo ao ar em 1985 em nova versão, com só Lima Duarte do elenco original. Já Selva de Pedra teve capítulos inteiros tesourados.

Cortando em tirinhas

Quadrinhistas famosos também foram censurados. Eram tantos os vetos que, em muitos casos, as HQs ficavam incompreensíveis. No número 1 da revista Fradim, em 1973, nove páginas foram cortadas. Diante de tamanha perseguição, o autor, Henfil, decidiu ele mesmo suspender a publicação no número 6.

IMAGENS Montagem sobre fotos de divulgação

FONTES Livros Repressão e Resistência – Censura a Livros na Ditadura Militar, de Sandra Reimão, Censura, Repressão e Resistência no Teatro Brasileiro, de Maria Cristina Castilho Costa, O Rebelde do Traço – A Vida de Henfil, de Denis de Moraes e O Livro do Boni, de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho; sites Censura Musical e Memória da Censura no Cinema Brasileiro

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