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Quais os estragos que um superterremoto causaria no Brasil?

O dano seria enorme - mesmo que o abalo ocorra longe do país

Por Tiago Cordeiro Atualizado em 4 jul 2018, 20h09 - Publicado em 27 Maio 2013, 16h39

O Brasil sofre cerca de 100 sismos todo ano. Entretanto, eles são fracos porque estamos distantes das bordas das placas tectônicas, cuja fricção é a maior causa de terremotos. Mas eles também podem ocorrer após erupções vulcânicas, como a do Cumbre Vieja, nas ilhas Canárias, no oceano Atlântico. Há anos esse vulcão vem sendo monitorado porque, caso entre em atividade, pode derrubar parte da ilha no mar, gerando um tsunami que destruiria a América Central e o estado da Flórida, nos EUA, e ainda chegaria ao litoral brasileiro. Rio de Janeiro, Vitória, Belém e as capitais litorâneas do Nordeste seriam as cidades mais afetadas.

A MORTE VEIO DO MAR

Para efeito de análise, escolhemos o Rio como “vítima” do tsunami de Cumbre Vieja

Castelo de cartas

Em países habituados a tremores, como Japão e Chile, os edifícios levam em conta esse risco. No Brasil, não. Nossa situação seria parecida com a do Haiti, arrasado por um abalo de 7 graus em 2010. Para piorar, o solo do Rio é pouco compacto, portanto ainda menos resistente a esse tipo de desastre.

Só Cristo (se) salva

Um tsunami provoca estragos duas vezes: quando a onda atinge a cidade e, depois, quando volta para o mar, arrastando tudo que encontra pela frente. Pouca coisa sobraria em pé. Mais provavelmente, algumas construções de grande porte, como o Cristo Redentor, a Ponte Rio-Niteroi e o novo Maracanã.

Atendimento no susto

O Brasil não monitora tsunamis, então seríamos pegos de surpresa – as ondas demorariam só seis horas para chegar à costa. No caso da capital fluminense, o atendimento após a tragédia seria coordenado pelo Centro de Operações Rio. São 12 mil membros, entre bombeiros, policiais e outros profissionais, para atender 6,3 milhões de habitantes.

Uma nova Fukushima?

Uma boa notícia: um tsunami não afetaria as usinas nucleares de Angra dos Reis, perto do Rio, tanto quanto afetou a de Fukushima, no Japão, em 2011. Nossas instalações estão protegidas por um muro de 5 m de altura e têm um plano de evacuação bem detalhado, com evacuações progressivas num raio de até 15 km.

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Paredão de água

Em 2004, a região do Rio sofreu um tsunami de apenas 20 cm – que foi útil para identificar onde a água subiu mais. As ondas criadas pela erupção do Cumbre Vieja poderiam alcançar 10 m de altura na entrada da cidade, 20 m na baía de Guanabara e até 60 m (o mesmo que um prédio de 20 andares!) na enseada do Botafogo.

Economia em crise

O Rio de Janeiro representa 5% do PIB brasileiro, ou cerca de R$ 120 bilhões da nossa riqueza bruta. Segundo Ilan Noy, economista especializado no impacto de tragédias naturais, a devastação reduziria o PIB local a um terço do valor atual por pelo menos três anos. E ainda teríamos de gastar R$ 45 bilhões para reconstruir tudo!

Curiosidades:

– Abalos sísmicos são medidos pela escala Richter, que é infinita. Um tremor de 6.0 já equivale à potência da bomba nuclear de Hiroshima;

– Estima-se o total de vítimas fatais em torno de 350 mil.

FONTES: Livro Earthquakes, de Bruce A. Bolt, Eletronuclear, Defesa Civil do Rio de Janeiro, Centro de Operações Rio e sites Incorporated Research Institutes for Seismology e US Geological Service.

CONSULTORIA: Jesus Berrocal, geofísico e autor de Sismicidade no Brasil, Paulo Cesar Rosman, professor de engenharia oceânica da UFRJ, e Ilan Noy, economista da Universidade de Victoria, na Nova Zelândia.

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