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Repolho, brócolis e couve-flor são a mesma espécie de planta – mas como?

E tem mais: couve-de-bruxelas, couve-galega, couve-de-savóia, couve-rábano... Entenda como tantos cultivares nasceram a partir da Brassica oleracea.

Por Victor Bianchin 11 Maio 2026, 16h02
Repolho, brócolis e couve-flor são a mesma espécie de planta – mas como? Priorizar nos meus resultados Google

Responda rápido: repolho e couve têm o mesmo gosto? E que tal brócolis e couve-flor? São vegetais parecidos para você? Pois saiba que, para a ciência, todos esses são a mesma espécie de planta, a Brassica oleracea.

O grupo inclui: repolho, brócolis, couve-flor, couve, couve-de-bruxelas, couve-galega, couve-de-savóia, couve-rábano e brócolis chinês, entre outras. Mas como pode ser tudo a mesma coisa? Bem, existe uma diferença.

O que muda entre esses alimentos não é a espécie, mas sim a variedade cultivada. Na ciência, “variedade” é um termo usado para descrever um grupo que possui características hereditárias distintas, mas que ainda pertence à mesma espécie. Por esse motivo, compartilham a maior parte do genoma e podem cruzar entre si.

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As variedades podem surgir tanto espontaneamente na natureza como por meio de seleção artificial, como é o caso destes vegetais — inclusive, para produtos agrícolas que surgiram assim, o nome mais formal é “cultivar” em vez de variedade. Ao longo de milhares de anos, humanos selecionaram características específicas da

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Brassica oleracea, criando formas diferentes a partir do mesmo ancestral selvagem.

Por exemplo:

  • o repolho foi selecionado por folhas compactas;
  • o brócolis por flores imaturas aumentadas;
  • a couve-flor por massas florais deformadas;
  • a couve-de-bruxelas por gemas laterais grandes;
  • a couve-rábano por um caule engrossado;
  • a couve e a couve-galega por folhas grandes;
  • a couve-de-savóia por folhas enrugadas;
  • o gai lan (“brócolis chinês”) por folhas e talos tenros.
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Embora apenas algumas dezenas sejam populares ao redor do mundo, cientistas já descreveram 332 cultivares diferentes de Brassica oleracea, a maioria delas cultivada apenas em alguns países ou comunidades.

O engraçado é que, mesmo esses vegetais sendo tão populares na culinária mundial, ainda não se sabe exatamente como tantas variedades surgiram.

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É certo que os mecanismos foram os de sempre: domesticação, seleção artificial, mutações e cruzamentos. Mas como algumas linhagens se desenvolveram e quais ancestrais selvagens participaram do processo são pontos que ainda geram dúvidas.

Alguns pesquisadores sugerem que cruzamentos com outras espécies ou populações selvagens de

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Brassica podem ter contribuído para parte dessa diversidade. Este artigo científico tenta resumir a discussão, reunindo as hipóteses de vários autores. Sente só o drama:

“Por exemplo, Neutrofal (1927) sugeriu que B. montana era a progenitora do repolho e que B. rupestris era a progenitora do couve-rábano, enquanto Schulz (1936) identificou B. cretica como a progenitora apenas da couve-flor e do brócolis. Helm (1963) propôs uma origem tripla na qual uma única espécie progenitora deu origem à couve-flor, ao brócolis e ao brócolis de broto, enquanto a couve e a couve-de-bruxelas derivaram de outra espécie selvagem desconhecida.”

É realmente um assunto repolhoso, digno de novela. Felizmente, na hora do almoço, ninguém precisa se preocupar com que vegetal é filho de quem.

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